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/ Published on May 6, 2025

Reações adversas medicamentosas

Medicamentos e retenção urinária: descubra os principais fármacos

Uma análise abrangente das reações adversas medicamentosas associadas à retenção urinária, com destaque para o papel do Anlodipino.

Introdução

A retenção urinária é um problema urológico comum que pode ocorrer tanto em homens quanto em mulheres, mas é mais prevalente nos primeiros devido à sua uretra mais longa, tornando-os mais suscetíveis a bloqueios. Além disso, condições específicas do sexo masculino, como hiperplasia prostática benigna ou câncer de próstata, também podem levar à retenção urinária. A incidência de retenção urinária aumenta com a idade, provavelmente atribuída a fatores relacionados à idade, como deterioração da função do sistema urinário, enfraquecimento muscular e aumento da próstata.

A retenção urinária apresenta riscos multifacetados. Quando prolongada pode causar dilatação contínua da bexiga, aumento da capacidade e perda gradual da elasticidade e função normais, levando a danos musculares locais. Além disso oferece mais oportunidades para as bactérias proliferarem, aumentando o risco de infecções do trato urinário. Adicionalmente, devido às infecções combinadas com a retenção urinária, minerais e sais na urina podem se acumular e se solidificar em pedras na bexiga. As pedras podem obstruir a uretra ou impedir o fluxo de urina, exacerbando ainda mais os problemas de retenção urinária.

Estudos anteriores identificaram certos medicamentos que podem causar retenção urinária, incluindo os anticolinérgicos, anti-inflamatórios não esteroides, analgésicos e benzodiazepínicos.

Com objetivo de estabelecer uma correlação entre um determinado medicamento e a retenção urinária, Zhang e colaboradores (2024) utilizaram o Sistema de Notificação de Eventos Adversos da Food and Drug Admininstration (FAERs) para analisar os mecanismos subjacentes.

Métodos

Relatórios de medicamentos e reações adversas do banco de dados FAERs de 2004 a 2023 foram obtidos, e a análise de randomização mendeliana (RM) foi conduzida para validar ainda mais a relação causal entre medicamentos e retenção urinária usando dados genéticos fornecidos pelo projeto IEU OpenGWAS.

Resultados

Entre 2004 e 2023, 19.443 indivíduos relataram eventos adversos de retenção urinária após o uso de medicamentos. Cerca de 50,10% dos pacientes tinham menos de 65 anos, enquanto 49,90% tinham 65 anos ou mais.

No total, 78 medicamentos foram associados à retenção urinária. Entre esses, os 20 principais com a maior frequência de ocorrência de retenção urinária incluem Mirabegrona, Tiotrópio, Quetiapina, Fesoterodina, Duloxetina, Solifenacina, Leuprorrelina, Olanzapina, Sertralina, Baclofeno, Anlodipino, Tramadol, Morfina, Tolterodina, Finasterida, Atomoxetina, Dutasterida, Fluoxetina, Lansoprazol e Oxibutinina. Esses medicamentos abrangem efeitos terapêuticos no sistema urinário, sistema nervoso, sistema digestivo, sistema cardiovascular e propriedades antitumorais.

Subsequentemente, a análise de RM foi empregada para explorar a relação causal entre esses medicamentos e retenção urinária. Infelizmente, devido às limitações do banco de dados, entre os 78 medicamentos, apenas dados para Tiotrópio, Sertralina, Anlodipino, Tramadol e Morfina foram registrados. Em última análise, os pesquisadores descobriram que o anlodipino, que é usado para tratar a hipertensão, pode causar retenção urinária se as três principais suposições de Mendel (existência de fatores hereditários, segregação destes fatores durante a formação dos gametas e a lei da dominância) forem atendidas. Possivelmente devido ao seu reconhecimento predominante como um medicamento anti-hipertensivo eficaz, atenção insuficiente tem sido dada à sua potencial interação com a função do sistema urinário.

Conclusão

Através da análise de dados, os pesquisadores encontraram associações significativas entre vários medicamentos e retenção urinária, incluindo Mirabegrona, Tiotrópio, Quetiapina, entre outros. Particularmente, foi identificado uma relação causal entre Anlodipino e retenção urinária, fornecendo novos insights para a prática clínica.