Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine demonstrou que um anticorpo monoclonal anti-PD-1 conseguiu eliminar o câncer no reto em 100% dos pacientes.
Aproximadamente 5 a 10% dos adenocarcinomas retais são deficientes no reparo de incompatibilidade, e estes tumores demonstraram responder mal aos regimes de quimioterapia padrão. Essa deficiência pode ser devida a mutações germinativas em genes de reparo de incompatibilidade de DNA (MLH1, MSH2, MSH6 ou PMS2) ou silenciamento epigenético somático de MLH1, que resulta em sequências de DNA repetitivas não reparadas. Essas sequências alteradas aumentam o risco de diversos tumores, como a síndrome de Lynch. Sabe-se que este subconjunto de tumores colorretais é responsivo ao bloqueio de PD-1 no cenário metastático.
O estudo foi realizado com doze pessoas com diagnóstico de adenocarcinoma retal de estágio II ou III deficiente em reparo de incompatibilidade. O fármaco, chamado de dostarlimabe, foi admininstrado a cada três semanas durantes seis meses. Após o tratamento, nenhum paciente necessitou de quimioterapia e nem de cirurgia. Eles foram acompanhados, no mínimo, durante 6 meses após o tratamento e durante esse tempo, o tumor não reapareceu.
Esse foi o primeiro estudo testado em um tumor não metastático, ou seja, que não se espalhou para vários órgãos.
O tratamento padrão deste tipo de tumor é a quimioterapia e radioterapia seguidas de ressecção cirúrgica do reto. No entanto, o medicamento pode apresentar uma oportunidade, mesmo que para um pequeno grupo de pacientes, de eliminar a doença.
O fármaco foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (AVISA) e tem previsão de comercialização em agosto no Brasil. No entanto, a aprovação serve apenas para o câncer de endométrio. A GSK ainda não informou o preço final no Brasil.
Nos Estados Unidos, o medicamento foi aprovado pelo FDA em agosto de 2021. Porém, ele pode ser utilizado contra qualquer tumor sólido avançado, mesmo que após o tratamento inicial, continue progredindo e não tenha outra alternativa de tratamento.
Publicado el 10 de junio de 2022
Aprovado no Brasil
Medicamento consegue eliminar câncer no reto em 100% dos pacientes
Apenas para pacientes com alteração molecular específica
Autor/a: A. Cercek, M. Lumish, J. Sinopoli, et al.
Fuente: PD-1 Blockade in Mismatch Repair Deficient, Locally Advanced Rectal Cancer
Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine demonstrou que um anticorpo monoclonal anti-PD-1 conseguiu eliminar o câncer no reto em 100% dos pacientes.
Aproximadamente 5 a 10% dos adenocarcinomas retais são deficientes no reparo de incompatibilidade, e estes tumores demonstraram responder mal aos regimes de quimioterapia padrão. Essa deficiência pode ser devida a mutações germinativas em genes de reparo de incompatibilidade de DNA (MLH1, MSH2, MSH6 ou PMS2) ou silenciamento epigenético somático de MLH1, que resulta em sequências de DNA repetitivas não reparadas. Essas sequências alteradas aumentam o risco de diversos tumores, como a síndrome de Lynch. Sabe-se que este subconjunto de tumores colorretais é responsivo ao bloqueio de PD-1 no cenário metastático.
O estudo foi realizado com doze pessoas com diagnóstico de adenocarcinoma retal de estágio II ou III deficiente em reparo de incompatibilidade. O fármaco, chamado de dostarlimabe, foi admininstrado a cada três semanas durantes seis meses. Após o tratamento, nenhum paciente necessitou de quimioterapia e nem de cirurgia. Eles foram acompanhados, no mínimo, durante 6 meses após o tratamento e durante esse tempo, o tumor não reapareceu.
Esse foi o primeiro estudo testado em um tumor não metastático, ou seja, que não se espalhou para vários órgãos.
O tratamento padrão deste tipo de tumor é a quimioterapia e radioterapia seguidas de ressecção cirúrgica do reto. No entanto, o medicamento pode apresentar uma oportunidade, mesmo que para um pequeno grupo de pacientes, de eliminar a doença.
O fármaco foi aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (AVISA) e tem previsão de comercialização em agosto no Brasil. No entanto, a aprovação serve apenas para o câncer de endométrio. A GSK ainda não informou o preço final no Brasil.
Nos Estados Unidos, o medicamento foi aprovado pelo FDA em agosto de 2021. Porém, ele pode ser utilizado contra qualquer tumor sólido avançado, mesmo que após o tratamento inicial, continue progredindo e não tenha outra alternativa de tratamento.