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Publicado el 28 de julio de 2025

Rastreamento precoce

Marcadores cardiometabólicos na prevenção da demência

Estudo longitudinal revelou que alterações em IMC, circunferência da cintura e HDL podem antecipar o diagnóstico de demência.

Autor/a: Wu, Z. et al.

Fuente: JAMA Netw Open;8(2):e2458591 (2025). Cardiometabolic Trajectories Preceding Dementia in Community-Dwelling Older Individuals

A demência possui uma longa fase pré-clínica, durante a qual a neuropatologia se acumula por anos antes do surgimento dos sintomas. Evidências indicaram que fatores cardiometabólicos — como obesidade, hipertensão, diabetes e dislipidemia — estavam associados à pior saúde cerebral e ao aumento do risco de demência. Mecanismos como resistência à insulina, inflamação sistêmica e estresse oxidativo foram propostos para explicar essa associação.

Embora mudanças cardiometabólicas ocorram naturalmente com o envelhecimento, estudos sugeriram que certos padrões poderiam sinalizar risco neurológico antes do diagnóstico clínico. Pesquisas investigaram alterações no índice de massa corporal (IMC), pressão arterial e glicemia em indivíduos que posteriormente desenvolveram demência. No entanto, esses estudos foram limitados por amostras pequenas e foco em grupos especializados.

Diante disso, o artigo de Wu e colaboradores (2025) comparou trajetórias cardiometabólicas nos anos anteriores ao diagnóstico de demência dos pacientes para identificar padrões precoces que possam orientar intervenções preventivas e personalizadas.

O estudo incluiu adultos sem déficits cognitivos graves, incapacidade física ou doenças cardiovasculares. Foram monitorados nove fatores cardiometabólicos — como pressão arterial, glicemia, perfil lipídico e medidas antropométricas — por até 11 anos. A demência foi diagnosticada por um painel internacional de especialistas com base em testes cognitivos padronizados, registros médicos e exames complementares, seguindo critérios do Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM-IV). Utilizou-se um desenho de caso-controle, com cada caso de demência pareado a quatro controles por idade, sexo, etnia e escolaridade, totalizando 1078 casos e 4312 controles.

Dos 5390 participantes com idade média de 76,9 anos, 54,1% eram mulheres e a maioria de origem branca italiana. Os casos apresentaram maior prevalência de dislipidemia, fragilidade, vida solitária e presença do alelo APOE ε4, além de desempenho cognitivo inferior na linha de base, o que reforçou o perfil clínico e genético associado ao risco aumentado de demência em idosos.

Indivíduos que desenvolveram demência apresentaram declínio mais acentuado no índice de massa corporal (IMC) e na circunferência da cintura (CC) em comparação aos controles, com diferenças significativas a partir de 7 anos antes do diagnóstico.

Em relação à pressão arterial sistólica (PAS) e diastólica (PAD), ambos os grupos mostraram declínio progressivo, com valores ligeiramente mais baixos entre os casos, mas sem significância estatística. Os níveis de glicose aumentaram ao longo do tempo em ambos os grupos, também sem diferenças relevantes.

Os níveis de HDL apresentaram padrão distinto: os casos mostraram aumento mais acentuado entre 11 e 4 anos antes do diagnóstico, seguido por desaceleração nos anos finais. Entre 3 e 5 anos antes da demência, os níveis de HDL foram significativamente mais altos nos casos, embora essa diferença tenha desaparecido posteriormente. Além disso, LDL, colesterol total e triglicerídeos não apresentaram diferenças significativas entre os grupos. Análises de sensibilidade mostraram que, ao excluir participantes que morreram ou abandonaram o estudo precocemente, a variação nos níveis de HDL deixou de diferenciar os grupos.

Em resumo, o artigo de WU e colaboradores (2025) indicou que alterações em IMC, CC e HDL podem preceder o diagnóstico de demência, reforçando o potencial do monitoramento cardiometabólico longitudinal como ferramenta de rastreamento precoce em populações idosas. Além disso, padrões atípicos de pressão arterial, triglicerídeos, LDL e colesterol total observados nos casos sugeriram que desvios em marcadores cardiometabólicos podem estar associados ao risco ou à manifestação inicial do comprometimento cognitivo. Esses resultados destacaram a importância de uma vigilância dinâmica e integrada desses fatores ao longo do envelhecimento, com vistas à prevenção e detecção precoce da demência.