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/ Published on December 21, 2025

Dermatoses paraneoplásicas

Manifestações dermatológicas em pacientes com cânceres gastrointestinais

Estudo investigou manifestações dermatológicas em pacientes com malignidades gastrintestinais, destacando sua relevância como indicadores clínicos, impacto na qualidade de vida e importância da triagem dermatológica no cuidado oncológico.

Author: Demirci B . A. et al.

Fuente: Anais Brasileiros de Dermatologia 2025; 100(4);501128 Manifestações dermatológicas em pacientes com neoplasias gastrintestinais: foco no diagnóstico precoce e conforto do paciente

A incidência global de malignidades gastrintestinais (GI) está aumentando, impondo desafios significativos aos sistemas de saúde e exigindo abordagens cada vez mais multidisciplinares. Pacientes acometidos por esses cânceres enfrentam não apenas os efeitos diretos da doença e suas consequências sistêmicas, como também complicações decorrentes dos tratamentos, como imunossupressão e reações adversas a medicamentos.

 Nesse contexto, as manifestações dermatológicas têm emergido como elementos significantes, tanto por seu potencial de sinalizar precocemente a presença de neoplasias ocultas, quanto por seu impacto direto na qualidade de vida dos pacientes. A identificação e o manejo adequado dessas alterações cutâneas oferecem aos dermatologistas papel crucial na condução clínica desses casos, contribuindo para o diagnóstico precoce e para o cuidado integral.

Diante disso, o estudo de Dermici e colaboradores (2025) investigou essas manifestações com o objetivo de aprimorar estratégias de detecção e tratamento, visando melhores desfechos clínicos e a qualidade de vida dos indivíduos com cânceres GI.

Foi realizado exame dermatológico abrangente de corpo inteiro em 150 pacientes diagnosticados com malignidades gastrointestinais, atendidos entre abril de 2021 e abril de 2022. Dados sociodemográficos, hábitos de vida, comorbidades e informações detalhadas sobre o câncer primário foram coletados por meio de formulário padronizado.

A análise revelou predominância do sexo masculino (64%), idade média de 62 anos, índice de massa corporal (IMC) médio de 25,86 e tipos de pele mais comuns classificados como Fitzpatrick 3 e 4. As neoplasias mais frequentes foram de cólon (32,7%), estômago (32%) e reto (16,7%), sendo o adenocarcinoma o subtipo histológico predominante (93,3%). A maioria dos pacientes apresentava doença avançada e pouco mais da metade recebia quimioterapia.

 A xerose foi a condição dermatológica mais prevalente, afetando 92% dos pacientes, com associação significativa com idade acima da média. O prurido foi relatado por 31,3%, sendo mais comum em adenocarcinomas colorretais e gástricos. As manifestações paraneoplásicas mais frequentes foram ceratose seborreica eruptiva (20,7%) e acantose nigricans (10,7%), ambas associadas ao IMC elevado e idade avançada. Ictiose adquirida e hipertricose lanuginosa também foram observadas em 5,3% e 4% dos participantes, respectivamente, sendo esta última mais prevalente em mulheres. Rosácea facial foi identificada em 38,7% dos pacientes, principalmente do subtipo eritemato-telangiectásico, com associação ao adenocarcinoma colorretal. Dermatite seborreica afetou 6,7%, predominando também no sexo feminino. Neoplasias cutâneas pré-malignas e malignas foram raras, com ceratoses actínicas múltiplas em 3,3% e doença de Bowen e carcinoma basocelular em 0,7%.

Outras alterações incluíram acrocórdons (6%), nevos rubi (21,3%), telangiectasias palmares (4%) e diversas dermatoses com menor prevalência.

Infecções fúngicas foram comuns, com tinea ungueal (68,7%) e tinea pedis (62%) liderando. Candidíase oral foi observada em 34,7%, além de herpes-zóster em 6,7%, com alguns casos precedendo o diagnóstico oncológico. Alopecia androgenética foi o distúrbio capilar mais frequente (58,7%), seguida por eflúvio anágeno (21,3%). Distúrbios ungueais incluíram crista longitudinal (20,7%), onicosquizia (9,3%) e outras alterações menos comuns.

Na mucosa oral, a candidíase foi predominante, seguida por glossite atrófica e outras alterações como língua fissurada, língua geográfica e úlceras aftosas.

Em resumo, o estudo reforçou o papel das manifestações dermatológicas como indicadores clínicos relevantes em pacientes com cânceres GI, destacando condições como prurido, xerose, ceratose seborreica eruptiva e acantose nigricans, frequentemente associadas a malignidades subjacentes. A alta prevalência dessas alterações cutâneas, somada à incidência significativa de infecções fúngicas e alterações capilares, evidencia a necessidade de triagem dermatológica sistemática como parte do cuidado oncológico integral.