COVID-19

/ Publicado el 7 de febrero de 2021

Segurança da terapia

Irrigações Salinas Nasais na COVID-19

Benefícios do uso de soluções isotônicas e hipertônicas para pacientes com infecção por SARS-CoV-2

Autor/a: FARRELL, Nyssa F.; KLATT-CROMWELL, Cristine; SCHNEIDER, John S

Fuente: Benefits and safety of nasal saline irrigations in a pandemicwashing COVID-19 away

Indice
1. Página 1
2. Referências Bibliográficas

A pandemia da doença do coronavírus 2019 (COVID-19) despertou o interesse da comunidade médica devido à morbidade e mortalidade significativas associadas à infecção. Investigações sobre a fisiopatologia do SARS-CoV-2 sugerem que, semelhante a outras infecções respiratórias superiores virais, a infecção ocorre principalmente na mucosa nasal e nasofaríngea, com altas cargas virais logo no início da doença. 

Importante para o sistema imune inato, o tecido de revestimento nasal atua como uma defesa primária contra invasores inalados. Composto por uma camada superficial de muco sobre uma base aquosa, captura partículas que são carregadas pelos cílios presentes na nasofaringe. Por fim, os particulados são encaminhados ao sistema gastrointestinal e destruídos. 

É possível que as irrigações nasais desempenhem um papel na redução da gravidade viral e na transmissão. Por outro lado, não é claro se as irrigações tópicas nasais causem a mitigação viral ou efeitos potencializadores sobre a transmissão. Além disso, há preocupações sobre as consequências da politerapia, como a adição do uso de corticosteroides nasais.

As lavagens nasais atuam no revestimento secretor de diversas maneiras. Primariamente, removem o muco ao destruir a camada viscosa que se forma no tecido. Não obstante, aumentam a hidratação  das camadas mais profundas, melhorando a frequência de batidas ciliares e reduzindo os indicadores locais de inflamação. Tais ações são particularmente úteis em infecções respiratórias virais que promovam disfunções mucociliares e produção de muco em resposta a ação inflamatória. 

Embora a solução salina nasal tenha benefícios bem estabelecidos, a tonicidade ideal é um debate aberto na literatura. Estudos in vivo fornecem evidências encorajadoras tanto a soluções isotônicas quanto hipertônicas. Soluções isotônicas consistem em cloreto de sódio 0,9%, concentração próxima a quantidade fisiológica de sal nas células. Por outro lado, as soluções hipertônicas (SH) são as de concentração superior a 0,9%. Acredita-se que soluções com maior osmolaridade (as hipertônicas) têm capacidade de retirar água das células, o que promoveria maior disponibilidade de água e maior hidratação da camada de muco. Com isso, se vê uma melhora na depuração mucociliar, ao mesmo tempo em que há redução do edema epitelial. Além disso, há evidência de que o uso de SH pode gerar efluxo de cálcio pelas células epiteliais, estimulando a função ciliar e melhorando a depuração.

Apesar das boas evidências in vitro, análises in vivo levantaram a preocupação com reações adversas como ardor nasal, bloqueio nasal paradoxal e rinorreia, o que limitaria o uso das SH. No entanto, uma metanálise recente avaliando tanto a solução salina isotônica quanto os enxágues de SH para diversas afecções sinonasais concluíram que a SH, com concentração inferior a 5% de cloreto de sódio, era mais benéfica do que a solução salina isotônica para o controle da patologia sinonasal (1). Além disso, um estudo clínico randomizado avaliou o uso da SH em resfriados comuns demonstrou que a SH reduziu a duração da doença, o uso de medicação sem prescrição médica, a transmissão aos membros da família e a disseminação viral (2).  

Apesar das evidências apoiarem o uso de terapias tópicas na redução da transmissão viral, é necessário considerar também os possíveis riscos. O SARS-CoV-2, assim como outros vírus respiratórios, é transmitido através do contato direto ou indireto do vírus com a mucosa do trato aerodigestivo ou exposição a gotículas infectadas. Este é um coronavírus altamente transmissível, em grande parte porque indivíduos infectados aparentam disseminar o vírus já em período de incubação, estando assintomáticos e até mesmo após apresentar sinais de recuperação (3).

Há preocupação de que irrigar a cavidade nasal possa aumentar a disseminação viral e, assim, a transmissão. Além disso, é necessário cuidado acerca da contaminação a partir do próprio  frasco de enxágue nasal. O rinovírus, por exemplo, é detectável na lavagem nasal, o que sugere que é possível que a contaminação pode ocorrer através do enxágue. Evidências apontam que o SARS-CoV-2 é estável em plástico por até 72 horas, sendo necessário cuidado com a contaminação superficial. No entanto, é importante notar que há diversas maneiras de higienizar as superfícies, como através do uso de éter dietílico, etanol 75%, cloro, luz UV ou calor. 

Soluções salinas hipertônicas facilitam a depuração mucociliar e provavelmente causam diminuição da carga viral por remover fisicamente as partículas. (...) Determina-se que com as atuais evidências, a utilização de irrigações salinas é segura em casos de COVID-19. 

Em conclusão, soluções salinas hipertônicas facilitam a depuração mucociliar e provavelmente causam diminuição da carga viral por remover fisicamente as partículas. A inclusão de aditivos como a iodopovidona podem aumentar a disseminação viral na nasofaringe antes do estabelecimento da infecção. Com isso, determina-se que com as atuais evidências, a utilização de irrigações salinas é segura em casos de COVID-19. É imperioso lembrar aos pacientes que os fluidos utilizados na lavagem, bem como a embalagem e superfícies adjacentes possam vir a ser fontes de contaminação e, por isso, é extremamente importante a assepsia das mesmas. 

Com o perfil de segurança demonstrado até então, acredita-se que as irrigações nasais hipertônicas devem ser incentivadas, principalmente entre pacientes e profissionais de saúde. Em pacientes com rinossinusite crônica, irrigações contínuas devem ser indicadas. Espera-se que novas pesquisas promovam novas informações acerca do efeito protetor e terapêutico de irrigações salinas na COVID-19. 

Imagem: Freepik.com

Crea una cuentao iniciar sesión para continuar con la lectura