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/ Publicado el 23 de octubre de 2024

Tecnologia

Intervenções baseadas em mindfulness para dor crônica

Intervenções online melhoraram a função relacionada à dor e os desfechos biopsicossociais

Autor/a: Burgess DJ, Calvert C, Hagel Campbell EM, et al.

Fuente: JAMA Intern Med. Published online August 19, 2024. doi:10.1001/jamainternmed.2024.3940 Telehealth Mindfulness-Based Interventions for Chronic Pain

A dor crônica (DC) é considerada um problema de saúde pública mundial que afeta predominantemente o sexo feminino e, no Brasil, sua prevalência nacional é em torno de 45%. Ademais, está entre as 10 condições médicas mais prevalentes no mundo, sendo causadora de um maior período de incapacidade, além de desencadear estresse físico e emocional, aumentando o risco de ansiedade, depressão, maior frequência dos pacientes nos serviços de saúde e, consequentemente, mais gastos públicos.

As Intervenções Baseadas em Mindfulness (IBMs, do inglês Mindfulness-Based Interventions) têm sido amplamente utilizadas como estratégia terapêutica para o cuidado de pacientes com diferentes condições de saúde. O Mindfulness (Atenção Plena) pode ser definido como uma terapia que envolve o modo de controle da própria atenção, com a qual a capacidade de percepção de cognição, emoção e sensação são melhoradas, reduzindo o sofrimento associado a dor. Com a prática da terapia, nota-se a diminuição da ativação de áreas relacionadas à dor, como o córtex cerebral e melhora nas regiões de processamento da dor.

Embora diversos estudos apresentem evidências da funcionalidade do IBM para dor crônica e condições comórbidas, sua implementação em larga escala apresenta muitos desafios, como a necessidade de espaço dedicado e instrutores treinados. Por isso, Burguess e colaboradores (2024) examinaram IBMs escaláveis, em grupo e autodirigidas, por telemedicina, para veteranos com dor crônica, em comparação com os cuidados habituais.

Para isso, realizaram um ensaio clínico randomizado com veteranos que sofriam de dor crônica moderada a severa, recrutados de três instalações do Departamento de Assuntos de Veteranos (VA) entre novembro de 2020 e maio de 2022. O acompanhamento foi concluído em agosto de 2023.

Compararam duas IBMs por telemedicina com duração de 8 semanas (em grupo e autodirigida) com os cuidados habituais (controle). A intervenção em grupo foi realizada por videoconferência, com vídeos pré-gravados de educação em mindfulness e treinamento de habilidades por um instrutor experiente, acompanhados de discussões facilitadas. A autodirigida foi semelhante, mas realizada de forma assíncrona, com o suporte adicional de três chamadas individuais com facilitadores.

O desfecho primário foi a função relacionada à dor, utilizando a escala de interferência do Inventário Breve de Dor, em três momentos: 10 semanas, 6 meses e 1 ano. Os secundários incluíram aspectos biopsicossociais: intensidade da dor, função física, ansiedade, fadiga, distúrbios do sono, participação em atividades sociais, depressão, avaliação dos pacientes sobre a melhoria da dor e transtorno de estresse pós-traumático.

Entre os 811 veteranos randomizados (idade média [DP] de 54,6 [12,9] anos; 387 [47,7%] mulheres), 694 participantes (85,6%) concluíram o estudo. A média das pontuações de interferência da dor em todos os três momentos foi significativamente menor para ambas as IBMs em comparação com os cuidados habituais.

Além disso, ambas as intervenções mostraram pontuações significativamente melhores nos seguintes desfechos secundários: intensidade da dor, impressão global de mudança do paciente, função física, fadiga, distúrbios do sono, papéis e atividades sociais, depressão e transtorno de estresse pós-traumático. As IBMs em grupo e autodirigidas não diferiram significativamente entre si. A probabilidade de uma melhoria de 30% em relação ao início, comparada ao controle, foi maior para a IBM em grupo nas semanas 10 e 6 meses, e para a IBM autodirigida, em todos os três momentos.

Sendo assim, as IBMs escaláveis por telemedicina melhoraram a função relacionada à dor e os desfechos biopsicossociais em comparação com os cuidados habituais entre veteranos com dor crônica. Essas teleintervenções, com relativamente poucos recursos, podem acelerar e melhorar a implementação de tratamentos não farmacológicos para dor nos sistemas de saúde.