A densidade mineral óssea reduz com a idade e pode diminuir mais rapidamente em mulheres durante o período da menopausa. Em populações envelhecidas, níveis crescentes de osteoporose e fraturas tornaram-se grandes preocupações.
A terapia hormonal é um tratamento preferido para os sintomas da menopausa, e os seus efeitos benéficos na densidade óssea e no risco de fraturas são bem conhecidos. No entanto, as informações sobre os riscos após a interrupção da terapia hormonal para menopausa são escassas e inconsistentes, sem informações sobre o risco de fraturas a longo prazo conforme as mulheres envelhecem.
Por isso, Vinogradova e colaboradores (2025) realizaram um estudo com objetivo de produzir estimativas robustas do risco de fraturas entre ex-usuárias de terapia hormonal pelo maior período possível após a interrupção da terapia.
Para isso, eles realizaram um estudo caso-controle aninhado usando dados de atenção primária e secundária do Reino Unido do Clinical Practice Research Datalink, com as coortes subjacentes CPRD GOLD e Aurum. Mulheres com 40 anos ou mais, cadastradas em uma clínica de atenção primária entre 1º de janeiro de 1998 e 28 de fevereiro de 2023, e com um primeiro registro de qualquer fratura, foram pareadas na data do índice de fratura com até cinco controles femininos sem histórico de fraturas, que tinham a mesma idade e estavam cadastradas na mesma clínica geral. Os riscos de fratura relacionados à terapia hormonal para menopausa foram avaliados usando regressão logística condicional ajustada para dados demográficos, histórico familiar, sintomas da menopausa, comorbidades e outros medicamentos.
No geral, 648.747 mulheres com um primeiro registro de fratura durante o período do estudo foram pareadas com 2.357.125 mulheres sem registro de fratura prévia ou contemporânea. A idade média de fratura foi de 68,5 anos; 3,2% foram registrados como sendo de populações étnicas minoritárias, com cerca de um quarto das pacientes com mais de 80 anos. Os casos eram mais propensos do que os controles a serem fumantes atuais (14,6% vs 12,6%) e a terem maior prevalência de comorbidades e exposição a outros medicamentos.
Em ambos os conjuntos de dados, 140.410 casos (21,6%) e 515.917 controles (21,9%) tinham pelo menos duas prescrições de terapia hormonal para menopausa. No geral, 6,8% casos e 6,8% controles usaram terapia apenas com estrogênio, e 14,8% casos e 15,1% controles usaram terapia com estrogênio-progestogênio. Durante o período de observação, 1,2% casos e 1,2% controles mudaram da terapia com estrogênio-progestogênio para a com estrogênio isolado.
As usuárias de terapia hormonal para menopausa eram geralmente mais jovens e menos propensas a serem de um grupo étnico minoritário e tinham mais registros de ansiedade e prescrições de antidepressivos, inibidores da bomba de prótons, sedativos ou corticosteroides sistêmicos.
Comparado com o grupo controle, o risco geral de fraturas foi reduzido entre as usuárias da terapia hormonal. Acredita-se que ocorra 48 casos a menos por 10.000 mulheres-ano para o uso desses fármacos a longo prazo.
Após 1-10 anos de descontinuação da terapia hormonal, o risco de fratura aumentou rapidamente, geralmente atingindo níveis acima dos observados em mulheres que nunca usaram a terapia. Estimou-se 14 casos extras de fraturas por 10.000 mulheres-ano para menos de 5 anos de exposição à terapia de estrogênio-progestagênio, e 5 casos extras para 5 anos ou mais de exposição. Este aumento inicial no risco foi maior para uso a longo prazo (>5 anos) do que para o a curto prazo (<5 anos): por exemplo, para terapia com estrogênio-progestogênio, um aumento de 65% na taxa de risco no primeiro ano após a descontinuação para uso a longo prazo versus 29% para uso a curto prazo.
A longo prazo (> 10 anos após a descontinuação), foi observado uma redução no risco de fratura em comparação com o grupo controle. Estimou-se 3 casos de fratura a menos para aquelas com menos de 5 anos de exposição à terapia de estrogênio-progestagênio, e 13 casos de fratura a menos para aquelas com 5 anos ou mais de exposição.
Em conclusão, embora o risco de fratura aumente com a idade em todas as mulheres, Vinogradova e colaboradores (2025) observaram uma atenuação do risco de fratura após a descontinuação da TRH, que se manifesta após um aumento inicial acentuado. Esse aumenta abruptamente após a descontinuação, geralmente para níveis acima dos não usuários comparáveis, e então aumenta mais lentamente em relação aos não usuários para se tornar novamente notavelmente reduzido na idade avançada.
Os achados forneceram informações importantes para pesquisadores, médicos e pacientes. Eles destacaram a necessidade de considerar os esperados aumentos acentuados no risco de fratura após a descontinuação da TRH e os períodos de risco aumentado. Além disso, sugeriram que mulheres que usaram a TRH, mesmo por períodos mais curtos, podem se beneficiar de um risco de fratura notavelmente reduzido na idade avançada.