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/ Published on March 11, 2025

Clima e saúde

Impacto sazonal na mortalidade da doença de Parkinson

As flutuações climáticas e seus reflexos nos padrões de morte dos pacientes com DP no Brasil (2000-2017)

Author: Fonseca MCM, et al.

Fuente: Clinics (Sao Paulo). 2024 Oct 25;79:100506. doi: 10.1016/j.clinsp.2024.100506. Seasonality as a risk factor for deaths in Parkinson's disease

Introdução

Distúrbios do sono e do ritmo circadiano são frequentemente presentes na doença de Parkinson (DP). A volatilidade diurna tem sido amplamente estudada na enfermidade, particularmente em relação aos sintomas motores. Há uma diminuição na atividade geral durante o dia, mas uma queda aparente de manhã. Da mesma forma, os sintomas não motores variam ao longo do dia. Em termos de função autônoma, há uma interrupção no ritmo circadiano do controle da pressão arterial e da frequência cardíaca.

Poucos estudos investigaram a possibilidade de variabilidade sazonal nos sintomas da DP, entretanto, os dados são conflituosos. Porém, de acordo com as percepções subjetivas de pacientes e profissionais de saúde, os sintomas parecem menos intensos no verão, quando as noites são mais curtas, e mais pronunciados no inverno.

Essas flutuações nas manifestações clínicas podem ser explicadas pela patologia do núcleo supraquiasmático (SCN), que resulta em um desvio na regulação circannual na DP.

Como as mortes são mais prevalentes no inverno, Fonseca e colaboradores (2024) investigaram se essas alterações no ritmo circadiano na DP poderiam causar um padrão rítmico nas mortes de pacientes afetados pela doença.

Métodos

Os dados sobre mortes por DO foram retirados do banco de dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM) do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DATASUS). Os anos amostrados foram de 2000 a 2017. Foram selecionadas pessoas com DP, código CID10 G20, em pelo menos um dos campos possíveis do atestado de óbito do banco de dados.

Para analisar se há um ritmo nas mortes por Parkinson, foi utilizado o método de Damineli et al. Transformar as datas registradas das mortes em dias Julianos é a base desse método para obter uma série temporal linear de mortes envolvendo a doença de Parkinson. Para evitar mascarar os ritmos, as tendências (ciclos maiores) e o ruído (ciclos menores) foram isolados nessa série temporal.

A análise para verificar se havia e o período de oscilação os autores usaram um filtro com um período mínimo de 4 e máximo de 1500 dias para ritmos supra-diários. Para ritmos diários ou infra-diários, aplicaram um filtro com um período mínimo de 4 e máximo de 40 horas.

Resultados

Houve 43.072 mortes envolvendo a doença de Parkinson nos 18 anos de análise, uma média de 2.392,8 por ano. Observou-se um crescimento constante ao longo dos anos amostrados. No primeiro ano, ocorreram 1.061 mortes, enquanto em 2017, houve 3.759. No total, os homens representaram 55% das mortes.

Em relação à distribuição das mortes, houve mais no inverno (no hemisfério sul), com a maioria dos óbitos ocorrendo em julho. Já, quando analisada a distribuição das mortes ao longo das horas do dia, houve uma maior concentração de fatalidades nas primeiras horas da manhã, com o pico de densidade por volta das 9 horas.

Ao analisar as diferenças de gênero, mulheres e homens apresentaram o mesmo padrão de ritmo que a população como um todo. O inverno foi a estação mais mortal para ambas as populações. O pico de mortes ocorre entre 8 e 9 horas da manhã em ambos os grupos. Mulheres com doença de Parkinson morrem em idade mais avançada do que os homens.

Em conclusão, no Brasil, a mortalidade de pacientes com doença de Parkinson segue um padrão. Os autores observaram que as fatalidades dos pacientes com DP aumentam durante o inverno, atingindo o pico em julho, por volta das nove horas da manhã, utilizando dados reais de mais de quarenta mil atestados de óbito registrados ao longo de 18 anos. Mulheres e homens exibem o mesmo padrão de ritmo que a população geral, e a pneumonia foi a principal causa de morte.