A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada pelo IBGE, revelou um quadro preocupante da saúde mental de adolescentes entre 13 e 17 anos. Três em cada dez estudantes afirmaram sentir-se tristes sempre ou na maioria das vezes, e uma proporção semelhante relatou já ter tido vontade de se machucar de propósito. O levantamento ouviu 118.099 adolescentes de 4.167 escolas públicas e privadas de todo o país, sendo representativo da população estudantil brasileira.
Os dados mostraram ainda que 42,9% dos estudantes se sentem irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa, enquanto 18,5% pensam com frequência que a vida não vale a pena ser vivida. Apesar da gravidade dos números, menos da metade frequentava escolas que ofereciam algum tipo de suporte psicológico, proporção que chega a 58,2% na rede privada e cai para 45,8% na pública. A presença de profissionais de saúde mental nas escolas era ainda mais rara, atendendo apenas 34,1% dos alunos.
A pesquisa também apontou fragilidades nas relações familiares e comunitárias. Cerca de 26,1% dos estudantes relataram sentir que ninguém se preocupa com eles, e pouco mais de um terço acredita que pais ou responsáveis não compreendem seus problemas. Além disso, 20% disseram ter sido agredidos fisicamente por um responsável ao menos uma vez nos 12 meses anteriores.
As diferenças entre meninas e meninos são marcantes e mostram maior vulnerabilidade entre elas. Entre as adolescentes, 41% relataram tristeza frequente, 43,4% já tiveram vontade de se machucar e 58,1% se sentem irritadas ou nervosas por qualquer coisa. 25% também pensam com frequência que a vida não vale a pena ser vivida. Entre os estudantes que sofreram algum acidente ou lesão no ano anterior, o IBGE estima que cerca de 100 mil tiveram ferimentos autoprovocados. Nesse grupo, 73% sentiam tristeza constante, 67,6% irritação frequente, 62% não viam sentido na vida e 69,2% já haviam sofrido bullying. As meninas novamente se destacam, com 6,8% relatando ferimentos intencionais, contra 3% entre os meninos.
Outro ponto de atenção é a queda na satisfação corporal desde 2019. Apenas 58% dos estudantes estão satisfeitos com a própria imagem, percentual ainda menor entre meninas. Mais de um terço delas diz estar insatisfeita com a própria aparência, e embora 21% se considerem gordas ou muito gordas, mais de 31% estão tentando perder peso.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde reforçou a importância de que adolescentes e responsáveis busquem apoio imediato ao enfrentar sofrimento emocional, seja com familiares, educadores ou serviços de saúde, incluindo Centros de Atenção Psicossocial, Unidades Básicas de Saúde, unidades de urgência e o Centro de Valorização da Vida, que atende gratuitamente pelo número 188, 24 horas por dia.
Fonte: IBGE alerta para quadro preocupante na saúde mental de adolescentes | Agência Brasil
Published on March 25, 2026
Saúde mental
IBGE alertou para a saúde mental de adolescentes brasileiros
Pesquisa PeNSe com quase 120.000 estudantes revelou aumento de tristeza, autoagressões e desamparo entre estudantes de 13 a 17 anos.
Author: Tâmara Freire
Fuente: Agência Brasil
A Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), divulgada pelo IBGE, revelou um quadro preocupante da saúde mental de adolescentes entre 13 e 17 anos. Três em cada dez estudantes afirmaram sentir-se tristes sempre ou na maioria das vezes, e uma proporção semelhante relatou já ter tido vontade de se machucar de propósito. O levantamento ouviu 118.099 adolescentes de 4.167 escolas públicas e privadas de todo o país, sendo representativo da população estudantil brasileira.
Os dados mostraram ainda que 42,9% dos estudantes se sentem irritados, nervosos ou mal-humorados por qualquer coisa, enquanto 18,5% pensam com frequência que a vida não vale a pena ser vivida. Apesar da gravidade dos números, menos da metade frequentava escolas que ofereciam algum tipo de suporte psicológico, proporção que chega a 58,2% na rede privada e cai para 45,8% na pública. A presença de profissionais de saúde mental nas escolas era ainda mais rara, atendendo apenas 34,1% dos alunos.
A pesquisa também apontou fragilidades nas relações familiares e comunitárias. Cerca de 26,1% dos estudantes relataram sentir que ninguém se preocupa com eles, e pouco mais de um terço acredita que pais ou responsáveis não compreendem seus problemas. Além disso, 20% disseram ter sido agredidos fisicamente por um responsável ao menos uma vez nos 12 meses anteriores.
As diferenças entre meninas e meninos são marcantes e mostram maior vulnerabilidade entre elas. Entre as adolescentes, 41% relataram tristeza frequente, 43,4% já tiveram vontade de se machucar e 58,1% se sentem irritadas ou nervosas por qualquer coisa. 25% também pensam com frequência que a vida não vale a pena ser vivida. Entre os estudantes que sofreram algum acidente ou lesão no ano anterior, o IBGE estima que cerca de 100 mil tiveram ferimentos autoprovocados. Nesse grupo, 73% sentiam tristeza constante, 67,6% irritação frequente, 62% não viam sentido na vida e 69,2% já haviam sofrido bullying. As meninas novamente se destacam, com 6,8% relatando ferimentos intencionais, contra 3% entre os meninos.
Outro ponto de atenção é a queda na satisfação corporal desde 2019. Apenas 58% dos estudantes estão satisfeitos com a própria imagem, percentual ainda menor entre meninas. Mais de um terço delas diz estar insatisfeita com a própria aparência, e embora 21% se considerem gordas ou muito gordas, mais de 31% estão tentando perder peso.
Diante desse cenário, o Ministério da Saúde reforçou a importância de que adolescentes e responsáveis busquem apoio imediato ao enfrentar sofrimento emocional, seja com familiares, educadores ou serviços de saúde, incluindo Centros de Atenção Psicossocial, Unidades Básicas de Saúde, unidades de urgência e o Centro de Valorização da Vida, que atende gratuitamente pelo número 188, 24 horas por dia.
Fonte: IBGE alerta para quadro preocupante na saúde mental de adolescentes | Agência Brasil