A insuficiência cardíaca é a causa de aproximadamente 35% da mortalidade cardiovascular em mulheres, e comportamentos sedentários são comuns em adultos mais velhos. As Diretrizes de Atividade Física dos Estados Unidos, de 2018, recomendam a redução do comportamento sedentário (CS) para a saúde cardiovascular. Entretanto, o papel do sedentarismo na insuficiência cardíaca (IC) não é claro.
Foram estudadas 80.982 mulheres com idades entre 50 e 79 anos, sem diagnóstico de insuficiência cardíaca conhecida e relato de capacidade de andar ≥1 quarteirão sem ajuda. O acompanhamento médio foi de 9 anos para hospitalização por IC. O sedentarismo de cada paciente foi avaliado repetidamente por questionário, e sua variabilidade com o tempo foi categorizada de acordo com o tempo em que as pacientes permaneciam em repouso (menos de 6,5h diárias, mais de 9,5h diárias ou entre as duas medidas). O tempo sentada (menos de 4,5 horas diárias, mais de 8,5 horas diárias ou entre ambos) também foi avaliado.
Por fim, o sedentarismo foi associado ao aumento do risco de hospitalização por insuficiência cardíaca em mulheres na pós-menopausa. Direcionar esforços para uma transformação para estilo de vida mais ativo podem auxiliar na prevenção de episódios de insuficiência cardíaca mais tarde na vida.
"Este é o primeiro estudo a avaliar o tempo sedentário e o risco de hospitalização por insuficiência cardíaca em mulheres na pós-menopausa", disse Robert H. Hopkins Jr., MD, da Universidade de Arkansas para Ciências Médicas, Little Rock, em uma entrevista.
- Menos tempo paradas, mais tempo em ação
"Os médicos sabem da importancia de um estilo de vida fisicamente ativo para a manutenção de um coração saudável”, disse LaMonte, o autor principal do estudo em comunicado. “No entanto, nosso estudo mostra claramente que também precisamos aumentar os esforços para reduzir o tempo sedentário diário e encorajar os adultos a interromper frequentemente seu tempo sedentário. Isso não requer necessariamente uma sessão prolongada de atividade física; pode ser simplesmente ficar em pé por 5 minutos ou em pé e movendo os pés no lugar.”
Robert H. Hopkins Jr., MD, da Universidade de Ciências Médicas do Arkansas, disse em entrevista que não ficou surpreso com os resultados do estudo. "Há uma série de estudos que demonstraram redução no risco de insuficiência cardíaca em homens e em populações combinadas de homens e mulheres com aumento da atividade física".
"Este estudo acrescenta mais um motivo pelo qual outros médicos de atendimento primário e eu precisamos incentivar nossos pacientes mais velhos a levantar e se mexer", disse Hopkins, que atua no conselho editorial do Internal Medicine News.
"Muitos de nós concentramos nossos esforços no passado em atingir as metas de exercícios e este estudo fornece uma base para uma recomendação de que “não se trata apenas de exercícios”; também precisamos incentivar nossos pacientes a minimizar seu tempo em atividades sedentárias além de fazer exercícios se quisermos otimizar sua saúde na velhice".
"Não temos evidências suficientes sobre a melhor abordagem para recomendar a interrupção do tempo sedentário. No entanto, o acúmulo de dados sugere que as atividades habituais, como passos dados durante as atividades domésticas e outras atividades da vida diária, são um aspecto importante da prevenção de doenças cardiovasculares e do envelhecimento saudável", acrescentou LaMonte.
Hopkins observou que o grande tamanho do estudo era um ponto forte, mas o desenho observacional e o uso de pesquisas com pacientes eram limitações.
"Precisamos de mais estudos para descobrir melhor se há diferenças de risco em diferentes padrões de comportamento sedentário, se isso se aplica a insuficiência cardíaca com redução da fração de ejeção versus insuficiência cardíaca com fração de ejeção preservada e se existem outras maneiras de mitigar esses riscos à medida que nossa sociedade envelhece ", disse ele.
- Discordâncias com resultados de estudos anteriores
“Os resultados corroboram o fato de que há menos risco de insuficiência cardíaca em pacientes fisicamente ativos”, observou Kashif J. Piracha, MD, do Hospital Metodista Willowbrook de Houston.
De acordo com Piracha, a mensagem é encorajar pacientes a praticar atividades físicas tanto quanto possível.
“Além disso, nesta população, mesmo com boa atividade física, o comportamento sedentário prolongado de mais de 8,5 horas por dia ainda estava associado a um maior risco de hospitalização por insuficiência cardíaca. Portanto, pode-se argumentar que seria ideal focar na realização de atividade física com uma intensidade que pode ser sustentada por mais tempo, em vez de períodos mais curtos de tempo."
Notavelmente, o aumento de hospitalizações por episódios cardíacos em mulheres que relataram alta quantidade de exercícios, mas ainda assim eram sedentárias por mais de 8,5 horas por dia "é contrário ao que foi visto no Estudo de Saúde dos Homens da Califórnia". Nesse estudo, "homens com altos níveis de atividade física que também tinham tempo sentado prolongado não tiveram maior risco de hospitalização por IC", observou Piracha. "Mais pesquisas são necessárias para elucidar quais fatores hormonais ou outros contribuem para essa diferença."
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