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Publicado el 29 de agosto de 2023

Revisão para especialistas

Heparina para mulheres com aborto recorrente e trombofilia hereditária (ALIFE2)

Um estudo internacional aberto, randomizado e controlado

Autor/a: Quenby et al. (2023) Heparin for women with recurrent miscarriage and inherited thrombophilia (ALIFE2): an international open-label, randomised controlled trial

Fuente: https://doi.org/10.1016/S0140-6736(23)00693-1

Introdução

O termo "aborto recorrente" é utilizado para descrever a situação em que ocorrem duas ou mais perdas gestacionais consecutivas. A causa associada ao aborto recorrente muitas vezes é atribuída à trombofilia, que está relacionada, em parte, ao desenvolvimento de coágulos sanguíneos nas microvasculaturas da placenta e à interferência na diferenciação adequada do trofoblasto extraviloso.

As diretrizes a nível internacional indicam o uso de heparina no tratamento da síndrome antifosfolipídica, que é uma forma adquirida de trombofilia presente em cerca de 15% das mulheres que sofrem aborto recorrente. Contudo, mesmo que a trombofilia hereditária, as diretrizes não respaldam o uso de heparina para esse grupo, uma vez que não há evidências de estudos que sustentem essa abordagem.

Portanto, com o intuito de abordar essa lacuna, Quenby e colaboradores (2023) conduziram uma pesquisa controlada e randomizada envolvendo mulheres que enfrentavam aborto recorrente associado à trombofilia hereditária. O objetivo era analisar os impactos da heparina de baixo peso molecular (HBPM) em comparação com o tratamento convencional.

Métodos

O estudo ALIFE2, teve uma abrangência internacional e multicêntrica, sendo randomizado e controlado. Seu propósito era comparar os efeitos da HBPM em relação ao padrão de cuidados durante a gestação em mulheres que apresentavam trombofilia hereditária e um histórico de abortos recorrentes.

Para esta pesquisa, as mulheres elegíveis para participação tinham idades entre 18 e 42 anos, bem como um diagnóstico de trombofilia hereditária.

Discussão e conclusão

De acordo com os investigadores, o ensaio clínico não revelou diferenças significativas nas taxas de nascidos vivos entre mulheres que experienciaram perdas gestacionais recorrentes e tinham trombofilia hereditária, quando comparado o tratamento com HBPM em relação à abordagem padrão. Além disso, não foram identificadas evidências de discrepâncias em relação aos desfechos secundários, tais como episódios de sangramento, abortos espontâneos ou partos prematuros. Nota-se que 28% das mulheres que participaram do estudo enfrentaram perda gestacional.

Devido aos resultados limitados de estudos anteriores de baixa qualidade com fraco poder estatístico, este estudo teve um papel crucial ao suscitar questionamentos sobre o uso da heparina nessa condição. Ao reunir uma ampla variedade de participantes, a generalização dos resultados se tornou viável, o que confere maior solidez aos achados já consolidados.

Com base nos resultados obtidos, não se recomenda o uso de HBPM em mulheres que sofrem com perdas gestacionais recorrentes e apresentam trombofilia hereditária. Acredita-se que os achados deste estudo tenham um impacto relevante nas orientações internacionais e na abordagem clínica adotada para mulheres que vivenciam abortos recorrentes.