Antecedentes
A endometriose é uma doença ginecológica comum que afeta mulheres na idade reprodutiva e pode causar dispareunia, dismenorreia e infertilidade. Uma estratégia de tratamento é a abordagem médica com fármaco do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRHas) para reduzir a dor devido a patologia. No entanto, um de seus efeitos adversos é a diminuição da densidade mineral óssea.
Objetivos
VethMajorie e colaboradores (2023) avaliaram a efetividade e segurança dos GnRHas no tratamento dos sintomas dolorosos associados com a endometriose e determinaram os seus efeitos dos GnRHas sobre a densidade mineral óssea.
Métodos
Foram realizadas buscas no registro de ensaios do Grupo Cochrane de Ginecología y Fertilidad (CGF), CENTRAL, MEDLINE, Embase, PsycINFO e registros de ensaios em maio de 2022, juntamente com verificação de referências e contato com autores de estudos e especialistas na área para identificar estudos adicionais.
Critérios de seleção
Foram incluídos ensaios controlados randomizados (ECA) que compararam GnRHas com outras opções de tratamento hormonal, incluindo analgésicos, danazol, progestágenos intrauterinos, progestágenos orais ou injetáveis, gestrinona, e GnRHas em comparação com nenhum tratamento ou placebo.
Também incluíram ensaios que compararam GnRHa isolado versus associado com terapia complementar (hormonal ou não hormonal) ou agentes reguladores de cálcio.
Coleta e análise de dados
Utilizou-se uma metodologia padrão recomendada por Cochrane. Os resultados primários foram o alívio da dor e medição objetiva da densidade mineral óssea. Já os secundários incluíram os efeitos adversos, qualidade de vida, melhoria nos sintomas mais profundos e satisfação dos pacientes.
Devido ao alto risco de viés associado com alguns dos estudos, as análises primárias de todos os resultados da revisão se limitaram aos estudos de baixo risco de viés de seleção. Logo, foi realizado uma análise de sensibilidade que incluiu todos os estudos.
Resultados principais
Incluiu-se 72 estudos com 7355 pacientes. A evidência foi de qualidade muito baixa a baixa: as limitações principais de todos os estudos foram o risco grave de viés devido a relatórios pobres de métodos de estudo e imprecisão grave.

Não foram identificados estudos que compararam GnRHas versus nenhum tratamento. Nos que compararam com o placebo, houve uma diminuição na dor geral, relatada como pontuações de dor pélvica (RR 2,14, IC 95% 1,41 a 3,24, 1 RCT, n = 87, evidência de baixa qualidade), de dismenorreia (RR 2,25, IC 95% 1,59 a 3,16 , 1 ECR, n = 85, evidência de baixa qualidade), de dispareunia (RR 2,21, IC 95% 1,39 a 3,54, 1 ECR, n=59, evidência de baixa qualidade) e de sensação pélvica (RR 2,28, 95 % CI 1,48 a 3,50, 1 RCT, n=85, evidência de baixa qualidade) após três meses de tratamento. O efeito para o endurecimento pélvico foi desconhecido, com base nos resultados encontrados após três meses de tratamento (RR 1,07, IC 95% 0,64 a 1,79, 1 RCT, n = 81, evidência de baixa qualidade). Além disso, o tratamento com GnRHa pode estar associado a uma maior incidência de ondas de calor em três meses de tratamento (RR 3,08, IC 95% 1,89 a 5,01, 1 RCT, n = 100, evidência de certeza baixa).
Nos estudos que compararam GnRHas versus danazol, uma subdivisão foi feita entre sensibilidade pélvica, parcialmente resolvida e totalmente resolvida. Não houve certeza sobre o efeito no alívio geral da dor, quando uma subdivisão foi feita para dor geral (MD ‐0,30, IC 95% ‐1,66 a 1,06, 1 RCT, n = 41, evidência de qualidade muito baixa), dor pélvica (MD 0,20, 95% CI ‐0,26 a 0,66, 1 ECR, n = 41, evidência de qualidade muito baixa), dismenorreia (MD 0,10, evidência de qualidade muito baixa). 95% CI ‐0,49 a 0,69, 1 ECR, n = 41, evidência de qualidade muito baixa), dispareunia (MD ‐0,20, IC 95% ‐0,77 a 0,37, 1 RCT, n = 41, evidência de qualidade muito baixa), endurecimento pélvico (MD ‐0,10, IC 95% ‐0,59 a 0,39, 1 ECR, n = 41, evidência de qualidade muito baixa) e sensibilidade pélvica (MD ‐0,20, IC 95% ‐0,78 a 0,38, 1 ECR, n = 41, evidência de qualidade muito baixa) após três meses de tratamento.
Não foram encontrados estudos que comparassem o GnRHas versus analgésicos ou progestágenos intrauterinos. Por fim, estudos que compararam GnRHas isolados versus associados com agentes reguladores de cálcio demonstraram uma ligeira diminuição a densidade mineral óssea (DMO) depois de 12 meses de tratamento com GnRHas isolados, em comparação com os combinados com agentes reguladores de cálcio para a coluna anteroposterior (MD ‐7,00, 95% CI ‐7,53 a ‐6,47, 1 RCT, n = 41, evidência de qualidade muito baixa) e coluna lateral (MD -12,40, 95% CI: -13,31 a -11,49, 1 RCT, n = 41, evidência de qualidade muito baixa).
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Conclusão
Para o alívio da dor geral, pode haver uma ligeira diminuição a favor do tratamento com GnRHa em comparação com o placebo, os progestágenos intrauterinos e os injetáveis. Não existe segurança acerca do efeito quando se comparam GnRHa com danazol, progestágenos intrauterinos ou gestrinona. Para a densidade mineral óssea (DMO), pode haver uma ligeira diminuição quando as mulheres são tratadas com GnRHa, comparado a gestrinona. Além disse, houve um ligeiro aumento dos efeitos adversos quando mulheres são tratadas com GnRHas, em comparação com o placebo ou a gestrinona.
Devido ao número limitado de estudos de baixo risco e alta heterogeneidade nas análises de sensibilidade, recomenda-se mais pesquisas sobre os efeitos do GnRHa e outras opções de tratamento hormonal nos resultados relatados.
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Publicado el 12 de junio de 2023
Revisão para especialistas
Fármaco do hormônio liberador de gonadotrofina para endometriose
Uma doença ginecológica que afeta de 6% a 11% das mulheres na idade reprodutiva.
Autor/a: Veerle B VethMajorie, MA van de KarJames, MN DuffyMadelon, van WelyVelja, Mijatovic Jacques WM, Maas
Fuente: Gonadotropinreleasing hormone analogues for endometriosis
Antecedentes
A endometriose é uma doença ginecológica comum que afeta mulheres na idade reprodutiva e pode causar dispareunia, dismenorreia e infertilidade. Uma estratégia de tratamento é a abordagem médica com fármaco do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRHas) para reduzir a dor devido a patologia. No entanto, um de seus efeitos adversos é a diminuição da densidade mineral óssea.
Objetivos
VethMajorie e colaboradores (2023) avaliaram a efetividade e segurança dos GnRHas no tratamento dos sintomas dolorosos associados com a endometriose e determinaram os seus efeitos
dos GnRHassobre a densidade mineral óssea.Métodos
Foram realizadas buscas no registro de ensaios do Grupo Cochrane de Ginecología y Fertilidad (CGF), CENTRAL, MEDLINE, Embase, PsycINFO e registros de ensaios em maio de 2022, juntamente com verificação de referências e contato com autores de estudos e especialistas na área para identificar estudos adicionais.
Critérios de seleção
Foram incluídos ensaios controlados randomizados (ECA) que compararam GnRHas com outras opções de tratamento hormonal, incluindo analgésicos, danazol, progestágenos intrauterinos, progestágenos orais ou injetáveis, gestrinona, e GnRHas em comparação com nenhum tratamento ou placebo.
Também incluíram ensaios que compararam GnRHa isolado versus associado com terapia complementar (hormonal ou não hormonal) ou agentes reguladores de cálcio.
Coleta e análise de dados
Utilizou-se uma metodologia padrão recomendada por Cochrane. Os resultados primários foram o alívio da dor e medição objetiva da densidade mineral óssea. Já os secundários incluíram os efeitos adversos, qualidade de vida, melhoria nos sintomas mais profundos e satisfação dos pacientes.
Devido ao alto risco de viés associado com alguns dos estudos, as análises primárias de todos os resultados da revisão se limitaram aos estudos de baixo risco de viés de seleção. Logo, foi realizado uma análise de sensibilidade que incluiu todos os estudos.
Resultados principais
Incluiu-se 72 estudos com 7355 pacientes. A evidência foi de qualidade muito baixa a baixa: as limitações principais de todos os estudos foram o risco grave de viés devido a relatórios pobres de métodos de estudo e imprecisão grave.
Não foram identificados estudos que compararam GnRHas versus nenhum tratamento. Nos que compararam com o placebo, houve uma diminuição na dor geral, relatada como pontuações de dor pélvica (RR 2,14, IC 95% 1,41 a 3,24, 1 RCT, n = 87, evidência de baixa qualidade), de dismenorreia (RR 2,25, IC 95% 1,59 a 3,16 , 1 ECR, n = 85, evidência de baixa qualidade), de dispareunia (RR 2,21, IC 95% 1,39 a 3,54, 1 ECR, n=59, evidência de baixa qualidade) e de sensação pélvica (RR 2,28, 95 % CI 1,48 a 3,50, 1 RCT, n=85, evidência de baixa qualidade) após três meses de tratamento. O efeito para o endurecimento pélvico foi desconhecido, com base nos resultados encontrados após três meses de tratamento (RR 1,07, IC 95% 0,64 a 1,79, 1 RCT, n = 81, evidência de baixa qualidade). Além disso, o tratamento com GnRHa pode estar associado a uma maior incidência de ondas de calor em três meses de tratamento (RR 3,08, IC 95% 1,89 a 5,01, 1 RCT, n = 100, evidência de certeza baixa).
Nos estudos que compararam GnRHas versus danazol, uma subdivisão foi feita entre sensibilidade pélvica, parcialmente resolvida e totalmente resolvida. Não houve certeza sobre o efeito no alívio geral da dor, quando uma subdivisão foi feita para dor geral (MD ‐0,30, IC 95% ‐1,66 a 1,06, 1 RCT, n = 41, evidência de qualidade muito baixa), dor pélvica (MD 0,20, 95% CI ‐0,26 a 0,66, 1 ECR, n = 41, evidência de qualidade muito baixa), dismenorreia (MD 0,10, evidência de qualidade muito baixa). 95% CI ‐0,49 a 0,69, 1 ECR, n = 41, evidência de qualidade muito baixa), dispareunia (MD ‐0,20, IC 95% ‐0,77 a 0,37, 1 RCT, n = 41, evidência de qualidade muito baixa), endurecimento pélvico (MD ‐0,10, IC 95% ‐0,59 a 0,39, 1 ECR, n = 41, evidência de qualidade muito baixa) e sensibilidade pélvica (MD ‐0,20, IC 95% ‐0,78 a 0,38, 1 ECR, n = 41, evidência de qualidade muito baixa) após três meses de tratamento.
Não foram encontrados estudos que comparassem o GnRHas versus analgésicos ou progestágenos intrauterinos. Por fim, estudos que compararam GnRHas isolados versus associados com agentes reguladores de cálcio demonstraram uma ligeira diminuição a densidade mineral óssea (DMO) depois de 12 meses de tratamento com GnRHas isolados, em comparação com os combinados com agentes reguladores de cálcio para a coluna anteroposterior (MD ‐7,00, 95% CI ‐7,53 a ‐6,47, 1 RCT, n = 41, evidência de qualidade muito baixa) e coluna lateral (MD -12,40, 95% CI: -13,31 a -11,49, 1 RCT, n = 41, evidência de qualidade muito baixa).
Conclusão
Para o alívio da dor geral, pode haver uma ligeira diminuição a favor do tratamento com GnRHa em comparação com o placebo, os progestágenos intrauterinos e os injetáveis. Não existe segurança acerca do efeito quando se comparam GnRHa com danazol, progestágenos intrauterinos ou gestrinona. Para a densidade mineral óssea (DMO), pode haver uma ligeira diminuição quando as mulheres são tratadas com GnRHa, comparado a gestrinona. Além disse, houve um ligeiro aumento dos efeitos adversos quando mulheres são tratadas com GnRHas, em comparação com o placebo ou a gestrinona.
Devido ao número limitado de estudos de baixo risco e alta heterogeneidade nas análises de sensibilidade, recomenda-se mais pesquisas sobre os efeitos do GnRHa e outras opções de tratamento hormonal nos resultados relatados.