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/ Publicado el 10 de marzo de 2026

Saúde

Estudo mostrou que apneia do sono agrava perda muscular em pacientes com DPOC

Pesquisa com 44 pacientes revelou que a combinação das duas doenças reduz força e desempenho físico, com impacto direto na qualidade de vida

Autor/a: Maria Fernanda Ziegler

Fuente: Agência FAPESP Apneia do sono agrava perda muscular em pessoas com DPOC, mostra estudo

Um estudo publicado na Scientific Reports revelou que a combinação entre doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS) provoca perda muscular mais acentuada, redução de força e pior desempenho físico em comparação a pacientes com DPOC isolada. Os achados reforçaram a importância de investigar distúrbios do sono em todos os indivíduos com DPOC, dada a influência direta do sono na função muscular e na qualidade de vida.

A pesquisa, conduzida por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e apoiada pela FAPESP, avaliou 44 participantes distribuídos entre pacientes com DPOC isolada e pacientes com DPOC associada à SAOS. Os resultados mostraram diferenças significativas entre os grupos.


Desempenho físico reduzido no grupo com DPOC + SAOS

A força de preensão palmar, indicador reconhecido de força muscular, foi menor nos pacientes com ambas as doenças, registrando média de 26 kgf, contra 30 kgf no grupo com DPOC isolada. No teste da caminhada de seis minutos, a diferença também foi expressiva: indivíduos com sobreposição das doenças percorreram cerca de 300 metros, enquanto o grupo controle alcançou em média 364 metros.

Os pesquisadores destacaram que distâncias inferiores a 350 metros nesse teste estão relacionadas ao aumento do risco de hospitalizações e mortalidade, reforçando a gravidade funcional da combinação entre DPOC e SAOS.


Dessaturação de oxigênio é principal fator associado à perda muscular

Embora a gravidade da apneia seja tradicionalmente avaliada pelo índice de apneia-hipopneia (IAH), o estudo identificou que o índice de dessaturação de oxigênio (IDO), frequência das quedas nos níveis de oxigênio durante o sono, foi o marcador mais fortemente relacionado à pior qualidade muscular.

Segundo a pesquisadora Patrícia Faria Camargo, autora principal do estudo, a hipóxia intermitente noturna pode ser um mecanismo central de dano muscular, promovendo inflamação sistêmica, estresse oxidativo e disfunção metabólica.


Impacto da inflamação sistêmica e necessidade de rastreamento

A equipe ressaltou que tanto a DPOC quanto a apneia do sono já estão associadas individualmente à inflamação sistêmica. Quando coexistem, o impacto nas mitocôndrias e no tecido muscular pode ser intensificado, gerando um ciclo de fraqueza e limitação funcional.

Os especialistas reforçaram a necessidade de rastreamento dos distúrbios respiratórios do sono em todos os pacientes com DPOC, destacando implicações diretas para políticas de saúde pública, protocolos clínicos e programas de reabilitação pulmonar.


Intervenções e tratamento

Embora a DPOC não seja reversível, pode ser controlada com medicamentos, cessação do tabagismo e práticas de vida saudáveis. Já para SAOS, o tratamento padrão com CPAP melhora a oxigenação noturna e reduz eventos respiratórios. Medidas comportamentais, atividade física regular e alimentação equilibrada também auxiliam no controle da apneia e na preservação da massa muscular.

O artigo completo, Impact of obstructive sleep apnea on functional performance and muscle quality of patients with COPD, está disponível em: https://www.nature.com/articles/s41598-025-32126-3