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/ Published on November 16, 2025

Estudo brasileiro revelou papel da inflamação cerebral na progressão do Alzheimer

Pesquisadores descobriram que ativação conjunta de astrócitos e microglia é essencial para a progressão da doença, abrindo caminho para novas estratégias terapêuticas

Author: Flávia Albuquerque

Fuente: Agência Brasil Estudo mostra que inflamação no cérebro pode ser chave do Alzheimer

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), liderados pelo neurocientista Eduardo Zimmer, apresentaram novas evidências sobre os mecanismos que favorecem o desenvolvimento do Alzheimer. O trabalho, publicado na revista Nature Neuroscience, indicou que a inflamação cerebral é um fator determinante para que a doença se estabeleça e avance.

Segundo o estudo, o acúmulo das proteínas beta-amiloide e tau — conhecidas por formar agregados insolúveis no cérebro — só desencadeia alterações significativas quando duas células do sistema nervoso estão simultaneamente ativadas: os astrócitos e a microglia. Essas células desempenham papel essencial na resposta imune cerebral e na comunicação entre neurônios.

Zimmer explicou que, embora já se soubesse que as placas beta-amiloides tornam os astrócitos reativos, a pesquisa mostrou que isso não é suficiente para a progressão da doença. “Para que o Alzheimer se desenvolva, é necessário que a microglia também esteja em estado reativo. Quando ambas estão ativadas, ocorre uma inflamação que altera a dinâmica cerebral e impacta a cognição”, afirmou o pesquisador. Essa descoberta foi possível graças ao uso de exames de imagem avançados e biomarcadores ultrassensíveis, permitindo observar o fenômeno em pacientes vivos.

Apesar de ainda não se conhecer a causa exata da formação das placas beta-amiloides, fatores genéticos e ambientais — como hábitos de vida — influenciam o risco da doença. Tabagismo, sedentarismo, obesidade e consumo excessivo de álcool aumentam a probabilidade de desenvolver Alzheimer, enquanto práticas como atividade física, alimentação equilibrada, sono adequado e estímulo intelectual atuam como fatores protetores.

A pesquisa abre caminho para novas abordagens terapêuticas. Até agora, grande parte dos esforços se concentrava em fármacos que visam remover as placas beta-amiloides. O novo entendimento sugere que será necessário também modular a comunicação entre astrócitos e microglia, reduzindo a inflamação cerebral. “Além de eliminar os depósitos proteicos, será preciso ‘acalmar’ o diálogo entre essas células”, concluiu Zimmer.