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Publicado el 13 de octubre de 2024

Revisão para o manejo

Estresse oxidativo na osteoporose associada ao envelhecimento

Esta revisão abrangeu sobre distúrbios do tecido ósseo relacionados ao envelhecimento, a fonte do estresse oxidativo e influência negativa no tecido ósseo

Autor/a: Núñez, P. et al. (2016)

Fuente: Revista de Osteoporosis y Metabolismo Mineral El estrés oxidativo como posible diana terapéutica en la osteoporosis asociada al envejecimiento

O envelhecimento da população em nações desenvolvidas tem levado a um aumento na prevalência e incidência de osteoporose, uma condição caracterizada pela redução da massa e qualidade óssea, que eleva o risco de fraturas. A osteoporose está fortemente associada ao processo de envelhecimento, sendo influenciada por fatores como o aumento do estresse oxidativo. Nesse contexto, Núñes e colaboradores (2016) revisaram o papel do estresse oxidativo no metabolismo ósseo e investigaram possíveis terapias medicamentosas alternativas para mitigar os efeitos nocivos da osteoporose.

Distúrbios ósseos associados ao envelhecimento

O tecido ósseo está em constante processo de remodelação, possuindo notável capacidade regenerativa e de adaptação às mudanças fisiológicas. Esse processo ocorre nas unidades de remodelação óssea, formadas por diferentes tipos de células. A remodelação óssea é rigidamente controlada por fatores genéticos, mecânicos, hormonais e locais, que juntos determinam o equilíbrio ósseo.

Com o avanço da idade, observa-se um balanço ósseo negativo em ambos os sexos, resultando em uma perda gradual de massa óssea. Durante o envelhecimento, surgem distúrbios metabólicos que afetam a saúde óssea, como alterações neuromusculares decorrentes da diminuição da mobilidade, aumento da produção endógena de glicocorticoides e insuficiência renal, que leva à redução da síntese de calcitriol. Além disso, as fibras de colágeno no tecido ósseo sofrem alterações estruturais, comprometendo a capacidade do osso de reparar microfraturas. Esses fatores, em conjunto, contribuem para o aumento da incidência de fraturas.

Estresse oxidativo como fator patogênico na osteoporose involucional

O envelhecimento é frequentemente associado ao desequilíbrio entre a produção de agentes oxidantes, gerados naturalmente pelo metabolismo celular, e as defesas antioxidantes do organismo, resultando em um processo conhecido como estresse oxidativo. Esse fenômeno envolve a oxidação de biomoléculas e a perda da função celular. O aumento do estresse oxidativo ocorre devido à superprodução de espécies reativas de oxigênio (ERO), como ânion superóxido, radicais hidroxila e peróxido de hidrogênio. Quando esse aumento excede a capacidade dos sistemas antioxidantes de neutralizá-lo, pode resultar em danos irreversíveis às células, culminando em morte celular.

Embora alguns pesquisadores debatam se o estresse oxidativo é causa ou consequência do envelhecimento, ele tem sido amplamente associado à deterioração óssea nos últimos anos. Estudos com modelos animais, como envelhecimento prematuro, osteoporose por deficiência de estrogênio e diabetes, mostram que o aumento dos marcadores de estresse oxidativo reduz os mecanismos de formação óssea. O papel exato do estresse oxidativo no tecido ósseo ainda não está totalmente elucidado, mas o aumento das espécies reativas de oxigênio (ROS) parece ativar a transcrição da família FoxO, que regula genes relacionados ao metabolismo da glicose, defesa celular e tumorigênese. FoxO 1 e 3, expressos no osso, são essenciais para a manutenção da formação óssea, e sua deleção genética em camundongos aumenta o estresse oxidativo, levando à perda óssea e à apoptose de osteoblastos e osteócitos.

Além disso, o estresse oxidativo aumenta a peroxidação lipídica, particularmente via lipoxigenase, o que contribui para a perda óssea relacionada ao envelhecimento. Produtos da oxidação lipídica inibem a ação de fatores osteogênicos e a ROS promove a osteoclastogênese, aumentando a atividade osteoclástica.

A enzima NOX4, que gera ROS, tem um papel crucial na osteoclastogênese, e sua ausência resulta em déficit de massa óssea em camundongos. Em modelos de diabetes, o impacto do aumento de ROS na atividade osteoclástica é variável, sugerindo que a gravidade da doença, linhagem e idade dos animais podem influenciar os resultados.

Possíveis terapias de estresse oxidativo na osteoporose senil

O desenvolvimento de novas terapias anabólicas para osteoporose que aumentem a massa óssea e neutralizem o estresse oxidativo é de grande interesse. Recentemente, o uso intermitente de hormônio da paratireoide (PTH) mostrou efeitos anabólicos no osso, reduzindo espécies reativas de oxigênio (ROS) e aumentando a glutationa. Diferente dos antioxidantes tradicionais, o PTH estimula a remodelação óssea, promovendo a formação óssea através de sua interação com a via Wnt/beta-catenina. Fragmentos do PTH e da PTHrP também demonstraram neutralizar o estresse oxidativo em células osteoprogenitoras.

Outro composto promissor é o resveratrol, um antioxidante encontrado na casca de uvas, que estimula a proliferação e diferenciação de osteoblastos, potencialmente via ativação de SIRT1 e FoxO3a. Estudos em ratos sugeriram que o resveratrol melhora a qualidade óssea, e ensaios clínicos iniciais em humanos obesos e osteopênicos indicaram aumento de massa óssea após sua administração.

SIRT6, outra desacetilase envolvida na resposta ao estresse oxidativo, também pode ser um alvo terapêutico, já que sua deficiência leva a um fenótipo osteoporótico em camundongos. Além disso, o estresse oxidativo induzido por glicocorticoides pode ser revertido por inibidores como o salubrinal, que previne a apoptose de osteoblastos e osteócitos em modelos de osteoporose induzida por glicocorticoides. Esses avanços indicam potenciais estratégias terapêuticas para o tratamento da osteoporose.

Conclusão

O envelhecimento da população nos países desenvolvidos tem elevado significativamente a incidência de distúrbios musculoesqueléticos, como a osteoporose. Diante disso, é fundamental intensificar os estudos sobre os efeitos reais das terapias antioxidantes e estabelecer esquemas de dosagem apropriados para evitar impactos adversos na remodelação óssea. Com uma abordagem cautelosa, o desenvolvimento de terapias direcionadas à neutralização do estresse oxidativo pode representar um avanço promissor na prevenção e tratamento da osteoporose em idosos.