|
Aspectos destacados
Qual é o efeito de estratégias respiratórias não invasivas iniciais usando pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP, na sua sigla em inglês) ou oxigênio nasal de alto fluxo (HFNO, na sua sigla em inglês), em comparação com uma estratégia inicial de oxigenoterapia convencional, sobre o risco de intubação traqueal ou mortalidade entre adultos hospitalizados com insuficiência respiratória hipoxêmica aguda induzida pela COVID-19?
No ensaio clínico randomizado de 1.273 pacientes, o desfecho composto primário de intubação traqueal ou mortalidade em 30 dias ocorreu em 36% dos pacientes do grupo CPAP em comparação com 44% no grupo oxigenoterapia convencional, uma diferença estatisticamente significativa, ocorrendo em 44% no grupo HFNO comparado a 45% no grupo oxigenoterapia convencional, diferença que não foi significativamente diferente.
Entre os pacientes com insuficiência respiratória hipoxêmica aguda e COVID-19, uma estratégia inicial de CPAP reduziu significativamente o risco de intubação traqueal ou mortalidade em comparação com a oxigenoterapia convencional, mas não houve diferença significativa entre uma estratégia inicial de HFNO em comparação com a oxigenoterapia convencional. |
| Importância |
A pressão positiva contínua nas vias aéreas (CPAP) e oxigênio nasal de alto fluxo (HFNO) têm sido recomendados para insuficiência respiratória hipoxêmica aguda em pacientes com COVID-19. Existe incerteza quanto à eficácia e segurança dessas estratégias respiratórias não invasivas.
| Objetivo |
Perkins et al. (2021) determinaram se CPAP ou HFNO, em comparação com a oxigenoterapia convencional, melhorou os resultados clínicos em pacientes hospitalizados com insuficiência respiratória hipoxêmica aguda relacionada à COVID-19.
| Métodos |
Um ensaio clínico randomizado, adaptativo e de grupos paralelos de 1273 adultos hospitalizados com insuficiência respiratória hipoxêmica aguda relacionada ao SARS-CoV-2. O estudo foi realizado entre 6 de abril de 2020 e 3 de maio de 2021 em 48 hospitais de cuidados intensivos no Reino Unido e em Jersey. O acompanhamento final ocorreu em 20 de junho de 2021.
| Intervenção |
Pacientes adultos foram aleatoriamente designados para receber CPAP (n = 380), HFNO (n = 418) ou oxigenoterapia convencional (n = 475).
| Principais resultados |
O desfecho primário foi um composto de intubação traqueal ou mortalidade em 30 dias.
| Resultados |
O estudo foi interrompido precocemente devido ao número decrescente de casos da COVID-19 no Reino Unido e ao fim do período de recrutamento financiado.
De 1.273 pacientes randomizados (idade média, 57,4 [IC 95%, 56,7 a 58,1] anos; 66% homens; 65% brancos), dados de desfecho primário estavam disponíveis para 1.260. O cruzamento entre as intervenções ocorreu em 17,1% dos participantes (15,3% em grupo CPAP, 11,5% no grupo HFNO e 23,6% no grupo oxigenoterapia convencional).
A necessidade de intubação traqueal ou mortalidade em 30 dias foi significativamente menor com CPAP (36,3%; 137 de 377 participantes) versus oxigenoterapia convencional (44,4%; 158 de 356 participantes) (diferença absoluta, -8% [IC 95%, - 15% a -1%], P =0,03), mas não foi significativamente diferente com HFNO (44,3%; 184 de 415 participantes) versus oxigenoterapia convencional (45,1%; 166 de 368 participantes) (diferença absoluta, -1% [IC 95%, -8% a 6%], p = 0,83).
Eventos adversos ocorreram em 34,2% (130/380) dos participantes do grupo CPAP, 20,6% (86/418) no grupo HFNO e 13,9% (66/475) no grupo oxigenoterapia convencional.
| Conclusão |
Entre os pacientes com insuficiência respiratória hipoxêmica aguda devido à COVID-19, uma estratégia inicial de CPAP reduziu significativamente o risco de intubação traqueal ou mortalidade em comparação com a oxigenoterapia convencional, mas não houve diferença significativa entre uma estratégia inicial de HFNO em comparação com a oxigenoterapia convencional.
O estudo pode ter sido insuficiente para comparação de HFNO versus oxigenoterapia convencional, e o término precoce do estudo e o cruzamento entre os grupos devem ser considerados ao interpretar os achados.