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/ Publicado el 26 de noviembre de 2024

Uma análise de modelagem

Estimativa global dos micronutrientes dietéticos

Análise da prevalência global de ingestões inadequadas de micronutrientes para 15 micronutrientes essenciais

Autor/a: Passarelli, S. et al. (2024)

Fuente: The Lancet Global estimation of dietary micronutrient inadequacies: a modelling analysis

Introdução

As deficiências de micronutrientes estão entre as formas mais comuns de desnutrição globalmente. Um fator chave para essas é a ingestão inadequada de nutrientes essenciais, como ferro, zinco, vitamina A, iodo e folato, com cada um trazendo consequências específicas para a saúde pública.

As deficiências desses micronutrientes contribuem coletivamente para uma alta carga de morbidade e mortalidade, mas a escala e as especificidades demográficas do problema permanecem desconhecidas devido à falta de dados suficientes. Biomarcadores clínicos foram usados para estimar a prevalência global dessas deficiências em algumas populações, mas lacunas substanciais de dados ainda existem.

Para enfrentar essa crise de saúde pública em grande escala, são necessárias estimativas que identifiquem quais nutrientes apresentam maior risco, onde e para quem. Embora as deficiências de micronutrientes sejam presumivelmente generalizadas, os dados disponíveis para mulheres e crianças são escassos. Uma análise global revelou que mais da metade das crianças menores de 5 anos têm deficiência de ferro, zinco ou vitamina A, e dois terços das mulheres de 15 a 49 anos são deficientes em ferro, zinco ou folato.

Por isso, Passarelli e colaboradores (2024) realizaram uma revisão para estimar a prevalência global de ingestões inadequadas de micronutrientes, levando em consideração as formas das distribuições de ingestão de nutrientes e utilizando valores de referência nutricional globalmente harmonizados. O objetivo foi identificar lacunas nutricionais dietéticas em grupos demográficos específicos e países, além de estimar a carga total global de inadequações dietéticas de micronutrientes para 15 micronutrientes essenciais.

Métodos

Na análise, foi adotada uma abordagem para estimar a ingestão de micronutrientes, que leva em consideração a forma da distribuição na população e é baseada em dados de consumo dietético de 31 países. Usando um conjunto globalmente harmonizado de requisitos nutricionais específicos para idade e sexo, os pesquisadores aplicaram essas distribuições a dados disponíveis publicamente do Banco de Dados Dietético Global sobre as ingestões medianas modeladas de 15 micronutrientes para 34 grupos etários e sexos de 185 países, a fim de estimar a prevalência de ingestões inadequadas de nutrientes para 99,3% da população global.

Resultados

As estimativas de ingestão inadequada foram geralmente altas e foram especialmente comuns para iodo (5,1 bilhões de pessoas; 68% da população), vitamina E (5,0 bilhões de pessoas; 67% da população), cálcio (5,0 bilhões de pessoas; 66% da população) e ferro (4,9 bilhões de pessoas; 65% da população). A niacina teve a menor estimativa de ingestão inadequada (1,7 bilhão de pessoas; 22% da população), seguida pela tiamina (2,2 bilhões de pessoas; 30% da população) e magnésio (2,4 bilhões de pessoas; 31% da população; figura 2). Alguns países apresentaram estimativas de inadequações de ingestão que divergiam dos padrões gerais. Por exemplo, na Índia, as estimativas de ingestão inadequada de riboflavina, folato, vitamina B6 e vitamina B12 foram especialmente altas. Madagascar e a República Democrática do Congo tiveram altas ingestões inadequadas de niacina. Rússia, Mongólia e Cazaquistão apresentaram altas ingestões inadequadas de selênio.

Figura 1: Estimativa da prevalência de inadequações de ingestão por país e nutriente em 2018. Adaptada de Passarelli e colaboradores (2024).

A inadequação na ingestão de cálcio foi mais alta em países do sul da Ásia, África Subsaariana e leste da Ásia e Pacífico. Essa foi alta em todos os grupos etários e sexos nesses países, mas especialmente entre pessoas de 10 a 30 anos. Apenas países da América do Norte, Europa e Ásia Central apresentaram uma prevalência consistentemente baixa de ingestão inadequada de cálcio. A de iodo foi observada apenas na Europa e no Canadá e, para a vitamina E, principalmente em países das Ilhas do Pacífico. Para riboflavina e vitamina B12, altas prevalências de ingestões inadequadas foram comuns apenas em países do sul da Ásia e da África.

Globalmente, as mulheres apresentaram uma prevalência maior de ingestão inadequada do que os homens para iodo, vitamina B12, ferro, selênio, cálcio, riboflavina e folato. Por outro lado, os homens apresentaram maior inadequação para magnésio, vitamina B6, zinco, vitamina C, vitamina A, tiamina e niacina.

Sendo assim, mais de 5 bilhões de pessoas não consomem o suficiente de três nutrientes: iodo, vitamina E e cálcio. Mais de 4 bilhões não consomem o necessário de outros quatro: ferro, riboflavina, folato e vitamina C. Logo, a maioria da população mundial tem ingestão inadequada de micronutrientes. Padrões claros de inadequação foram observados com base no sexo, superando as diferenças entre faixas etárias dentro de cada sexo. Compreender esses padrões é crucial para identificar onde são necessárias intervenções nutricionais, como biofortificação, fortificação, suplementação e intervenções alimentares.