Artículos

Publicado el 21 de diciembre de 2020

Estudo de randomização Mendeliana

Estatinas e potencial redutor no risco de câncer

Estudo utilizando variantes genéticas prediz o potencial efeito das estatinas no risco de desenvolver câncer

Autor/a: Paul Carter, Mathew Vithayathil, Siddhartha Kar, Rahul Potluri, Amy M Mason, Susanna C Larsson, Stephen Burgess

Fuente: Predicting the effect of statins on cancer risk using genetic variants from a Mendelian randomization study in the UK Biobank

Evidências clínicas robustas publicadas anteriormente já demonstraram que as estatinas são capazes de reduzir o risco de ataques cardíacos e outras doenças cardiovasculares, devido inibição da HMG-CoA-redutase (HMGCR) e por conseguinte redução dos níveis de LDL.

Estudos laboratoriais de outrora sugeriram a associação dos lipídios, incluindo o colesterol, no desenvolvimento de câncer, e, portanto, as estatinas teriam potencial inibidor do processo cancerígeno, contudo as evidências não são claras.

Nesse contexto, Carter e colaboradores avaliaram o efeito potencial da terapia com estatinas no risco de câncer usando evidências de genética humana. Para tal, estudaram variantes genéticas que mimetizam o efeito das estatinas utilizando randomização mendeliana, que avalia associações entre os níveis geneticamente previstos de um fator de risco e o desfecho de uma doença, a fim de predizer até que ponto esse fator se associa com a origem do desfecho. Portanto, compararam o risco de câncer em pacientes com predisposição genética para níveis altos ou baixos de colesterol, para compreender se a redução do colesterol geraria diminuição do risco de câncer.

A análise mostrou associação entre as variantes na região do gene HMGCR (região de tratamento com estatinas) com o risco global de câncer, sugerindo a possibilidade de redução do risco de câncer com o uso de estatinas. Em contrapartida, as variantes nas regiões gênicas com relação a outros tratamentos de redução do colesterol, que não estatinas, não apresentaram ligação com a redução do risco de câncer.

Assim, aparentemente, a propensão genética ao LDL não é correlacionada com a tendência ao câncer, apenas a inibição de HMGCR com estatinas.

Tal fato pode ocorrer por meio de outras propriedades das estatinas, que não a redução lipídica, como a atenuação da inflamação ou a redução de outras substâncias produzidas pela mesma maquinaria celular que sintetiza o colesterol.

Apesar dos resultados satisfatórios e amostra grande (mais de 360.000 participantes) o estudo apresenta limitações, como a falta de resultados necessários para compor a análise de alguns tipos de câncer, não podendo descartar a possibilidade de efeitos causais moderados. Não obstante, o estudo fornece bons indícios para que grandes ensaios clínicos sejam realizados a respeito desse tema.

 

Imagem: Arek Socha por Pixabay