De acordo com as recomendações das diretrizes mundiais, deve-se direcionar as intervenções preventivas para os idosos, cuja expectativa de vida é maior do que o tempo da intervenção para se beneficiar.
Neste contexto, em uma meta-análise publicada por Yourman e colaboradores foram avaliados 8 estudos randomizados de estatinas para prevenção primária em aproximadamente 65.000 adultos, que teve como objetivo investigar o tempo necessário para se beneficiar da terapia com estatinas, para prevenção primária de eventos cardiovasculares em adultos com idade entre 50 e 75 anos. Até então, o tempo da intervenção para se beneficiar da terapia com estatinas era desconhecido.
Os artigos foram selecionados a partir de revisões sistemáticas publicadas anteriormente (Base de Dados de Cochrane de Revisões Sistemáticas e Força Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA) e uma pesquisa no MEDLINE e no Google Scholar para estudos publicados subsequentemente até 1º de fevereiro de 2020.
Segundo os resultados das análises, estimou-se que 100 adultos com idade entre 50-75 anos sem doença cardiovascular conhecida precisariam ser tratados por 2,5 anos para a prevenção de um evento adverso cardiovascular importante. Para pacientes com expectativa de vida inferior a 2,5 anos, os potenciais danos das estatinas podem superar os benefícios cardiovasculares. As estatinas não apresentaram benefícios relevantes para a mortalidade.