| Saúde digital e inteligência artificial |
No simpósio sobre cuidados integrados e novas tecnologias para doenças pulmonares intersticiais (ILD), destacou-se o uso da IA para diagnóstico e monitoramento da progressão da doença com alta precisão, inclusive na detecção de alterações sutis associadas à mortalidade.
Na espirometria, softwares com IA demonstraram eficácia na identificação de padrões de doenças respiratórias crônicas, como a DPOC, mesmo em dados coletados por profissionais não especialistas na atenção primária, favorecendo o diagnóstico precoce.
O monitoramento domiciliar também foi abordado como alternativa promissora para reduzir visitas hospitalares e facilitar o acompanhamento de pacientes com ILD e DPOC. Estudos realizados no Reino Unido mostraram taxas de adesão aceitáveis e redução de até 30% nas idas ao hospital.
Ferramentas digitais têm auxiliado no tratamento de doenças pulmonares, especialmente na cessação do tabagismo quando combinadas com farmacoterapia. A telereabilitação, via navegadores e aplicativos, mostrou-se promissora para melhorar a adesão e oferecer cuidados individualizados, apesar da heterogeneidade dos estudos. Embora uma revisão Cochrane não tenha identificado diferenças significativas em relação ao cuidado convencional, ainda existem barreiras para sua adoção. Diretrizes clínicas apoiam seu uso, mas divergem nas recomendações clínicas, e modelos híbridos surgem como alternativas a serem exploradas.
Por fim, a IA generativa, como o ChatGPT, também foi discutida. Em um estudo com pacientes com apneia do sono, mais da metade preferiu respostas de um pneumologista em comparação às geradas por IA. Apesar do uso crescente em prontuários eletrônicos para auxiliar nas dúvidas dos pacientes, mais pesquisas são necessárias para explorar as perspectivas de pacientes e profissionais de saúde sobre seu uso. Apesar dos avanços, desafios como limitação de dados, impacto clínico e financiamento ainda precisam ser superados.
| Autogerenciamento em doenças respiratórias crônicas |
O simpósio sobre autogerenciamento destacou a importância de considerar aspectos psicossociais e sociais para promover mudanças comportamentais. Para uma gestão eficaz, é essencial avaliar a prontidão para a mudança e aplicar estratégias alinhadas às necessidades, preferências, competências e características da doença.
Avaliar a motivação e o estágio de mudança facilita a adaptação das intervenções. Comunicação aberta, materiais educativos e discussões sobre medos da doença são essenciais, uma vez que emoções, como culpa e a vergonha, podem prejudicar o engajamento dos pacientes. Barreiras como falta de capacitação e definição de responsabilidades dificultam a adoção de estratégias comportamentais.
A adesão dos pacientes ao autogerenciamento ainda é limitada, muitas vezes pela falta de personalização. Aplicativos digitais e plataformas integradas foram apresentados como ferramentas para apoiar decisões compartilhadas e oferecer suporte individualizado essenciais para estimular a motivação e promover hábitos saudáveis.
A diversidade entre pacientes, intervenções e desfechos exige estratégias adaptadas às necessidades específicas, multimorbidades e letramento digital. O principal desafio é integrar o autogerenciamento de forma sustentável e centrada na pessoa.
| Raça e etnia em testes de função pulmonar |
O uso de equações de referência específicas por raça versus neutras é tema de debate contínuo. Tradicionalmente, laboratórios adotaram as equações da Global Lung Function Initiative (GLI), que consideram a etnia para definir valores normais. No entanto, diretrizes atualizadas alertaram que isso pode contribuir para disparidades em saúde e recomendam o uso de equações neutras.
A adoção de equações neutras pode alterar a interpretação da função pulmonar, fazendo com que indivíduos não caucasianos pareçam ter função pulmonar inferior. Antes atribuídas a fatores genéticos, essas diferenças são agora vistas como multifatoriais. Isso levava à subdiagnose e subtratamento de pacientes não caucasianos, cujos valores mais baixos eram considerados “normais”. Além disso, pessoas com etnia mista não se encaixam nas categorias tradicionais.
A transição para equações neutras pode impactar critérios para cirurgia e diagnóstico, embora o número real de pacientes com doença não mude, apenas a precisão na identificação. Em pediatria, destacou-se a importância de acompanhar z-scores ao longo do tempo, em vez de usar apenas limites fixos.
Sugere-se adotar uma “zona cinzenta” para resultados próximos ao limite inferior e evitar rótulos como “normal” ou “anormal”. A mensagem central é: tratar o paciente, não apenas os números, considerando os testes como parte de uma avaliação clínica mais ampla.