Medical News

Published on January 21, 2024

Os perigos da desatenção

Em São Paulo, acidentes domésticos com crianças durante férias escolares cresceram 84,5% em 2023

Os principais foram causados por afogamento, quedas, queimaduras e intoxicação acidental por exposição a substâncias nocivas

A Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP) registrou um aumento de 84,5% nos atendimentos e internações de crianças menores de 12 anos causados por afogamento, quedas, queimaduras e intoxicação acidental por exposição a substâncias nocivas, ocorridos em residências nos meses de janeiro e julho de 2023, período de férias escolares. Foram 969 neste ano, frente a 525 no mesmo período de 2022.

Além disso, os meses de dezembro, em 2022, e julho, em 2023, foram os que mais registraram atendimentos ambulatoriais e hospitalizações de menores de 12 anos em decorrência de acidentes domésticos desta natureza, com 403 e 508 ocorrências, respectivamente. Os dados consideraram atendimentos realizados em toda a rede do Sistema Único de Saúde (SUS) do Estado de São Paulo, incluindo unidades municipais, estaduais, federais, filantrópicas e privadas que possuem convênio com o SUS.

O período em que os pequenos passam mais tempo em casa exige atenção redobrada dos pais e responsáveis. Isto porque os acidentes domésticos podem, muitas vezes, ser evitados. “Hoje, o uso de telas, principalmente celulares, gera uma maior desatenção dos responsáveis e, consequentemente, acontecem os acidentes. É naquele segundo de distração que os acidentes domésticos ocorrem”, alerta a pediatra Silvana Grotteria, responsável pelo setor de emergência do Hospital Infantil Darcy Vargas.

Quedas

Até outubro deste ano, dentre os 4,2 mil procedimentos clínicos e internações de crianças por acidentes domésticos, os tombos lideraram disparadamente o ranking, sendo o motivo de 4,1 mil atendimentos.

“Em casos de traumas graves e quedas de grandes alturas os pais devem levar os filhos ao pronto-socorro, ou se a criança apresentar sinais de alerta, como dores de cabeça, náuseas, vômitos ou alteração no nível de consciência”, orienta a pediatra Silvana Grotteria.

Afogamentos

Em 2023, as internações por afogamento chegaram a triplicar em meses de férias ou calor intenso. Janeiro, julho e outubro, por exemplo, registraram três casos cada, o equivalente a 64,2% das 14 hospitalizações ocorridas nos primeiros dez meses do ano.

“Diante de um afogamento é preciso retirar a criança da água e ligar para o serviço de emergência. Se a vítima estiver consciente, a recomendação é mantê-la aquecida e deitada de lado até a chegada do socorro. Caso esteja inconsciente, a recomendação é colocar o corpo sobre uma superfície rígida e iniciar as compressões cardíacas até a chegada da ambulância”, informou a médica.

Queimaduras

Também em meses de férias houve aumento de internações por queimaduras no estado, sendo quatro em janeiro e quatro em julho – os maiores números mensais deste ano. De janeiro a outubro, foram 19 internações por este motivo.

De acordo com a pediatra, as queimaduras de 1º grau são as mais leves e costumam causar só vermelhidão; as de 2º grau geram bolhas, enquanto as de 3º grau são mais graves e acometem camadas mais profundas da pele, podendo atingir vasos, nervos e músculos. Em caso de queimadura, a primeira atitude deve ser afastar a criança da fonte de calor e resfriar a pele com água corrente, da torneira ou ducha imediatamente, independentemente do grau da lesão.