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/ Publicado el 25 de agosto de 2024

Diretrizes da Associação Europeia de Urologia

Ejaculação precoce

Recomendações de diagnóstico e tratamento

Autor/a: K. Hatzimouratidis, et al.

Fuente: K. Hatzimouratidis (Chair), F. Giuliano, I. Moncada, A. Muneer, A. Salonia (Vice-chair), P. Verze Guideline Associates: A. Parnham, E.C. Serefoglu EAU Guidelines on Erectile Dysfunction, Premature Ejaculation, Penile Curvature and priapism

Introdução

A etiologia da ejaculação precoce (EP) é desconhecida, com poucos dados para apoiar as hipóteses biológicas e psicológicas sugeridas, incluindo ansiedade, hipersensibilidade peniana e disfunção dos receptores de 5-HT. Além disso, a sua fisiopatologia ainda permanece um mistério.

A sua epidemiologia é difícil de ser estimada, pois apenas 9% dos homens com EP procuram médicos para o seu tratamento. Os principais motivos para esse baixo número é o constrangimento e a crença de que não há opções de manejo.

A condição parece ser mais comum em homens negros, hispânicos e de origem islâmica. Outros fatores de risco podem incluir predisposição genética, estado geral de saúde ruim e obesidade, inflamação prostática, distúrbios hormonais da tireoide, diabetes, problemas emocionais, estresse e experiências sexuais traumáticas.

Diagnóstico

O seu diagnóstico é baseado na história médica e sexual dos pacientes. Na consulta, o médico deve avaliar se a EP é vitalícia ou adquirida e situacional ou consistente. Deve prestar atenção ao tempo de duração da ejaculação, ao grau de estímulo sexual, ao impacto na atividade sexual e na qualidade de vida, e ao uso ou abuso de medicamentos.

O exame físico pode fazer parte da avaliação inicial de homens com EP. Pode incluir um breve exame dos sistemas endócrinos e neurológicos para identificar condições médicas subjacentes associadas à condição ou outras disfunções sexuais, como endocrinopatias, doença de Peyronie, uretrite ou prostatite.

Tratamento

Em homens para os quais a EP causa poucos, ou nenhum, problema, o tratamento é limitado ao aconselhamento psicossexual e à educação. Antes de iniciar o tratamento, é essencial discutir minuciosamente as expectativas do paciente. Além disso, é importante tratar, se presente, a disfunção erétil (DE) e, possivelmente, a prostatite.

Diversas técnicas comportamentais têm sido benéficas no tratamento da EP e são indicadas para pacientes que se sentem desconfortáveis com a terapia farmacológica.

 Na EP vitalícia, as técnicas comportamentais não são recomendadas como tratamento de primeira linha. A farmacoterapia é a base do tratamento, com a dapoxetina sendo o único tratamento farmacológico sob demanda aprovado para a condição. Todos os outros medicamentos usados são indicações off-label. Antidepressivos crônicos, incluindo inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) e clomipramina, um antidepressivo tricíclico, e agentes anestésicos tópicos sob demanda têm mostrado consistentemente eficácia na condição.

O cloridrato de dapoxetina é ISRS de ação curta, com um perfil farmacocinético adequado para o tratamento sob demanda da EP. Dentre as doses aprovadas (30 mg e 60 mg), ambas mostraram aumentos de 2,5 e 3,0 vezes, respectivamente, no tempo de permanência do pênis dentro na vagina (IELT, sua sigla em inglês para intravaginal ejaculation latency time). Em estudos randomizados, a substância foi eficaz desde a primeira dose no IELT, aumentou o controle ejaculatório e a satisfação e diminuiu o desconforto.

Os ISRSs são amplamente utilizados "off-label" para EP. Os mais comumente prescritos são citalopram, fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina e sertralina.  Várias revisões relataram o efeito terapêutico positivo dessa classe. Devido ao risco teórico de ideação ou tentativas de suicídio, recomenda-se cautela na prescrição dessa classe para adolescentes, com idade igual ou inferior a dezoito anos, e para homens com transtorno depressivo comórbido.

O uso de anestésicos locais para retardar a ejaculação é a forma mais antiga de terapia farmacológica para a EP. Vários estudos apoiaram a hipótese de que agentes dessensibilizantes tópicos reduzem a sensibilidade da glande peniana, retardando assim a latência ejaculatório, sem afetar negativamente a sensação de ejaculação. O creme de lidocaína-prilocaída demonstrou um aumento de IELT de um minuto no grupo placebo para 6,7 minutos no tratamento. Outro estudo relatou um aumento de 1,49 para 8,45.