A etiologia da ejaculação precoce (EP) é desconhecida, com poucos dados para apoiar as hipóteses biológicas e psicológicas sugeridas, incluindo ansiedade, hipersensibilidade peniana e disfunção dos receptores de 5-HT. Além disso, a sua fisiopatologia ainda permanece um mistério.
A sua epidemiologia é difícil de ser estimada, pois apenas 9% dos homens com EP procuram médicos para o seu tratamento. Os principais motivos para esse baixo número é o constrangimento e a crença de que não há opções de manejo.
A condição parece ser mais comum em homens negros, hispânicos e de origem islâmica. Outros fatores de risco podem incluir predisposição genética, estado geral de saúde ruim e obesidade, inflamação prostática, distúrbios hormonais da tireoide, diabetes, problemas emocionais, estresse e experiências sexuais traumáticas.
O seu diagnóstico é baseado na história médica e sexual dos pacientes. Na consulta, o médico deve avaliar se a EP é vitalícia ou adquirida e situacional ou consistente. Deve prestar atenção ao tempo de duração da ejaculação, ao grau de estímulo sexual, ao impacto na atividade sexual e na qualidade de vida, e ao uso ou abuso de medicamentos.
O exame físico pode fazer parte da avaliação inicial de homens com EP. Pode incluir um breve exame dos sistemas endócrinos e neurológicos para identificar condições médicas subjacentes associadas à condição ou outras disfunções sexuais, como endocrinopatias, doença de Peyronie, uretrite ou prostatite.
Em homens para os quais a EP causa poucos, ou nenhum, problema, o tratamento é limitado ao aconselhamento psicossexual e à educação. Antes de iniciar o tratamento, é essencial discutir minuciosamente as expectativas do paciente. Além disso, é importante tratar, se presente, a disfunção erétil (DE) e, possivelmente, a prostatite.
Diversas técnicas comportamentais têm sido benéficas no tratamento da EP e são indicadas para pacientes que se sentem desconfortáveis com a terapia farmacológica.
Na EP vitalícia, as técnicas comportamentais não são recomendadas como tratamento de primeira linha. A farmacoterapia é a base do tratamento, com a dapoxetina sendo o único tratamento farmacológico sob demanda aprovado para a condição. Todos os outros medicamentos usados são indicações off-label. Antidepressivos crônicos, incluindo inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) e clomipramina, um antidepressivo tricíclico, e agentes anestésicos tópicos sob demanda têm mostrado consistentemente eficácia na condição.
O cloridrato de dapoxetina é ISRS de ação curta, com um perfil farmacocinético adequado para o tratamento sob demanda da EP. Dentre as doses aprovadas (30 mg e 60 mg), ambas mostraram aumentos de 2,5 e 3,0 vezes, respectivamente, no tempo de permanência do pênis dentro na vagina (IELT, sua sigla em inglês para intravaginal ejaculation latency time). Em estudos randomizados, a substância foi eficaz desde a primeira dose no IELT, aumentou o controle ejaculatório e a satisfação e diminuiu o desconforto.
Os ISRSs são amplamente utilizados "off-label" para EP. Os mais comumente prescritos são citalopram, fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina e sertralina. Várias revisões relataram o efeito terapêutico positivo dessa classe. Devido ao risco teórico de ideação ou tentativas de suicídio, recomenda-se cautela na prescrição dessa classe para adolescentes, com idade igual ou inferior a dezoito anos, e para homens com transtorno depressivo comórbido.
O uso de anestésicos locais para retardar a ejaculação é a forma mais antiga de terapia farmacológica para a EP. Vários estudos apoiaram a hipótese de que agentes dessensibilizantes tópicos reduzem a sensibilidade da glande peniana, retardando assim a latência ejaculatório, sem afetar negativamente a sensação de ejaculação. O creme de lidocaína-prilocaída demonstrou um aumento de IELT de um minuto no grupo placebo para 6,7 minutos no tratamento. Outro estudo relatou um aumento de 1,49 para 8,45.
Publicado el 25 de agosto de 2024
Diretrizes da Associação Europeia de Urologia
Ejaculação precoce
Recomendações de diagnóstico e tratamento
Autor/a: K. Hatzimouratidis, et al.
Fuente: K. Hatzimouratidis (Chair), F. Giuliano, I. Moncada, A. Muneer, A. Salonia (Vice-chair), P. Verze Guideline Associates: A. Parnham, E.C. Serefoglu EAU Guidelines on Erectile Dysfunction, Premature Ejaculation, Penile Curvature and priapism
A etiologia da ejaculação precoce (EP) é desconhecida, com poucos dados para apoiar as hipóteses biológicas e psicológicas sugeridas, incluindo ansiedade, hipersensibilidade peniana e disfunção dos receptores de 5-HT. Além disso, a sua fisiopatologia ainda permanece um mistério.
A sua epidemiologia é difícil de ser estimada, pois apenas 9% dos homens com EP procuram médicos para o seu tratamento. Os principais motivos para esse baixo número é o constrangimento e a crença de que não há opções de manejo.
A condição parece ser mais comum em homens negros, hispânicos e de origem islâmica. Outros fatores de risco podem incluir predisposição genética, estado geral de saúde ruim e obesidade, inflamação prostática, distúrbios hormonais da tireoide, diabetes, problemas emocionais, estresse e experiências sexuais traumáticas.
O seu diagnóstico é baseado na história médica e sexual dos pacientes. Na consulta, o médico deve avaliar se a EP é vitalícia ou adquirida e situacional ou consistente. Deve prestar atenção ao tempo de duração da ejaculação, ao grau de estímulo sexual, ao impacto na atividade sexual e na qualidade de vida, e ao uso ou abuso de medicamentos.
O exame físico pode fazer parte da avaliação inicial de homens com EP. Pode incluir um breve exame dos sistemas endócrinos e neurológicos para identificar condições médicas subjacentes associadas à condição ou outras disfunções sexuais, como endocrinopatias, doença de Peyronie, uretrite ou prostatite.
Em homens para os quais a EP causa poucos, ou nenhum, problema, o tratamento é limitado ao aconselhamento psicossexual e à educação. Antes de iniciar o tratamento, é essencial discutir minuciosamente as expectativas do paciente. Além disso, é importante tratar, se presente, a disfunção erétil (DE) e, possivelmente, a prostatite.
Diversas técnicas comportamentais têm sido benéficas no tratamento da EP e são indicadas para pacientes que se sentem desconfortáveis com a terapia farmacológica.
Na EP vitalícia, as técnicas comportamentais não são recomendadas como tratamento de primeira linha. A farmacoterapia é a base do tratamento, com a dapoxetina sendo o único tratamento farmacológico sob demanda aprovado para a condição. Todos os outros medicamentos usados são indicações off-label. Antidepressivos crônicos, incluindo inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRSs) e clomipramina, um antidepressivo tricíclico, e agentes anestésicos tópicos sob demanda têm mostrado consistentemente eficácia na condição.
O cloridrato de dapoxetina é ISRS de ação curta, com um perfil farmacocinético adequado para o tratamento sob demanda da EP. Dentre as doses aprovadas (30 mg e 60 mg), ambas mostraram aumentos de 2,5 e 3,0 vezes, respectivamente, no tempo de permanência do pênis dentro na vagina (IELT, sua sigla em inglês para intravaginal ejaculation latency time). Em estudos randomizados, a substância foi eficaz desde a primeira dose no IELT, aumentou o controle ejaculatório e a satisfação e diminuiu o desconforto.
Os ISRSs são amplamente utilizados "off-label" para EP. Os mais comumente prescritos são citalopram, fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina e sertralina. Várias revisões relataram o efeito terapêutico positivo dessa classe. Devido ao risco teórico de ideação ou tentativas de suicídio, recomenda-se cautela na prescrição dessa classe para adolescentes, com idade igual ou inferior a dezoito anos, e para homens com transtorno depressivo comórbido.
O uso de anestésicos locais para retardar a ejaculação é a forma mais antiga de terapia farmacológica para a EP. Vários estudos apoiaram a hipótese de que agentes dessensibilizantes tópicos reduzem a sensibilidade da glande peniana, retardando assim a latência ejaculatório, sem afetar negativamente a sensação de ejaculação. O creme de lidocaína-prilocaída demonstrou um aumento de IELT de um minuto no grupo placebo para 6,7 minutos no tratamento. Outro estudo relatou um aumento de 1,49 para 8,45.