Em um curto período, a COVID-19, doença causada pelo vírus SARS-CoV-2, disseminou-se globalmente, infectando milhares de indivíduos. A comunidade científica mobilizou-se rapidamente para desenvolver uma vacina contra esta virose, com os primeiros imunizantes sendo disponibilizados em meados de 2020. Até então, o desenvolvimento de uma vacina costumava levar mais de uma década para ser concluído. Devido à rapidez desse processo, inúmeras pessoas ficaram preocupadas com seus eventuais efeitos adversos à longo prazo, particularmente potenciais vínculos com doenças neurodegenerativas como a doença de Alzheimer (DA).
Por isso, Roh e colaboradores (2024) investigaram a associação entre a vacinação contra COVID-19 e o início da DA e seu estado prodrômico, comprometimento cognitivo leve (CCL).
Para isso, eles realizaram um estudo de coorte retrospectivo conduzido em Seul, Coreio do Sul. Analisaram dados de uma amostra aleatória de 50% dos residentes da cidade com 65 anos ou mais, totalizando 558.017 indivíduos inscritos no Serviço Nacional de Seguro de Saúde da Coreia. Os participantes foram divididos em grupos vacinados e não vacinados, incluindo vacinas de mRNA e cDNA.
O estudo focou nas incidências de DA e CCL pós-vacinação, identificadas via códigos CID-10, utilizando análises de regressão logística multivariável e de Cox. Pacientes com demência vascular ou doença de Parkinson serviram como controles.
Os resultados do estudo mostraram um aumento na incidência de CCL e DA em indivíduos vacinados, especialmente aqueles que receberam vacinas de mRNA, dentro de três meses após a vacinação. Nenhuma relação significativa foi encontrada com demência vascular e doença de Parkinson.
Sendo assim, evidências preliminares sugeriram um potencial vínculo entre a vacinação contra COVID-19, particularmente vacinas de mRNA, e o aumento das incidências de DA e CCL. No entanto, são necessários mais estudos para esclarecer essa relação entre respostas imunes induzidas pela vacina e processo neurodegenerativos.