Artículos

/ Publicado el 24 de enero de 2024

Estudo randomizado

Efeitos cardiometabólicos de dietas onívoras versus dietas veganas em gêmeos idênticos

Pesquisa com gêmeos revelou que a dieta vegana supera a onívora na saúde cardiometabólica

Introdução

Nos últimos anos, as dietas à base de plantas têm ganhado popularidade não apenas pelo seu menor impacto ambiental, mas também pelos seus benefícios para a saúde. Em geral, evidências sugeriram que as dietas veganas foram associadas a melhorias cardiovasculares. Essa foi atribuída ao aumento do consumo diário de vegetais, frutas, legumes, grãos integrais, nozes e sementes, em comparação com outros alimentos.

Para explorar esse impacto cardiometabólico, Landry et al., (2023) conduziram um estudo comparativo entre dietas veganas e dietas onívoras em gêmeos idênticos adultos, após oito semanas de intervenção. O objetivo foi analisar as diferenças nos efeitos sobre a saúde do coração e o metabolismo entre os dois grupos.

Métodos

O ensaio clínico randomizado (ECR), de grupo paralelo, envolveu 22 pares de gêmeos (n=44), que foram randomizados para seguir uma dieta vegana ou onívora ao longo de oito semanas, com um dos gêmeos em cada par designado para cada tipo de dieta. Durante as quatro primeiras semanas, a equipe de pesquisa providenciou refeições específicas por meio de serviços nacionais de entrega de refeições. Após esse período, os participantes assumiram a responsabilidade pela preparação de suas próprias refeições. Todos receberam orientações para comer até se sentirem satisfeitos, sem restrição calórica.

Entrevistas por telefone com nutricionistas foram conduzidas para obter dados detalhados sobre a ingestão de alimentos e bebidas em três pontos temporais distintos: início do estudo, quarta e oitava semana. Além disso, os participantes forneceram amostras de sangue e fezes. O desfecho primário foi a alteração na concentração de lipoproteína de baixa densidade (LDL-C) no soro após oito semanas de intervenção. Os secundários incluíram mudanças nos parâmetros cardiometabólicos, como níveis de glicose no sangue, insulina, lipídios e N-óxido de trimetilamina (TMAO), além dos níveis séricos de vitamina B12 e peso corporal. Medidas exploratórias abordaram a adesão alimentar, a facilidade ou dificuldade de aderir às dietas, os níveis de energia dos participantes e sua sensação geral de bem-estar.

Alterações no microbioma intestinal, biomarcadores inflamatórios e metabólitos também foram avaliados.

Resultados

Dentre os participantes, 77% (n=34) eram do sexo feminino, 73% (n=32) eram de origem étnica branca, e 79% (n=33) compartilhavam a residência com seus gêmeos; as médias de idade e índice de massa corporal (IMC) foram, respectivamente, 40 anos e 26 kg/m². Após o período de oito semanas, em comparação com os gêmeos designados para o grupo de dieta onívora, aqueles de dieta vegana apresentaram reduções médias de cerca de 14 mg/dL no LDL-C, 3 μIU/mL na insulina em jejum e 2 kg no peso. Adicionalmente, demonstraram uma diminuição mais pronunciada, embora não estatisticamente significativa, nos níveis séricos de colesterol de lipoproteína de alta densidade (HDL-C), vitamina B12, triglicerídeos, N-óxido de trimetilamina (TMAO) e glicose após as oito semanas de intervenção em comparação com os onívoros.

Em análises de sensibilidade, após a exclusão de valores discrepantes, os veganos apresentaram uma redução média de 2,1 μM na diferença de TMAO desde o início até as oito semanas. Resultados da análise exploratória indicaram que os onívoros expressaram, nominalmente, maior satisfação alimentar na quarta e oitava semana.

Conclusão

Os resultados indicaram que a adoção da dieta vegana resultou em melhorias nos perfis cardiometabólicos em comparação com a dieta onívora, evidenciando reduções nos níveis de LDL-C e insulina. Este benefício pode ser atribuído ao maior consumo de vegetais e ferro, apesar do menor consumo de proteínas e da menor satisfação alimentar. Como resultado desse padrão alimentar, o grupo vegano demonstrou uma menor ingestão de vitamina B12, o que não afetou os valores séricos em 8 semanas, mas é aconselhável a suplementação regular de cianocobalamina.

Além disso, destaca-se a necessidade de realizar mais estudos sobre os fatores de risco associados ao N-óxido de trimetilamina (TMAO) e compreender as preferências dos pacientes nesse contexto. Essas investigações adicionais são essenciais para a formulação de abordagens mais abrangentes e personalizadas na promoção da saúde cardiovascular em indivíduos que seguem dietas baseadas em plantas.