A fibrilação atrial (FA) é a arritmia cardíaca mais prevalente e está associada a maior risco de hospitalização, insuficiência cardíaca e acidente vascular encefálico (AVE Embora a cafeína tenha sido historicamente considerada pró-arrítmica, até recentemente havia escassez de ensaios clínicos randomizados capazes de avaliar de forma direta o impacto do consumo de café em pacientes com FA.
Nesse contexto, o estudo de Wong e colaboradores (2025) buscou preencher essa lacuna ao comparar, de forma controlada, o efeito do consumo diário de café com cafeína versus abstinência completa sobre a recorrência de FA ao longo de 6 meses.
O estudo incluiu pacientes adultos que eram consumidores atuais ou recentes de café nos últimos cinco anos e que apresentavam fibrilação atrial persistente ou flutter atrial com histórico de FA, planejados para cardioversão elétrica em 5 hospitais nos Estados Unidos, Canadá e Austrália entre 2021 e 2024.
Os pacientes foram randomizados na proporção 1:1 para consumo regular de café com cafeína ou abstinência total. O grupo consumo foi incentivado a beber pelo menos uma xícara de café com cafeína por dia enquanto o de abstinência foi orientado a evitar completamente café (com ou sem cafeína) e outros produtos cafeinados.
A amostra final foi composta por 200 participantes, sendo a maioria homens (71%), com idade média de 69 anos. Durante o acompanhamento, o grupo destinado ao consumo manteve média de 7 xícaras semanais, enquanto o grupo de abstinência apresentou consumo praticamente nulo.
Na análise primária, observou-se que a recorrência de fibrilação atrial ou flutter atrial ocorreu em 47% dos pacientes que consumiram café, em comparação a 64% daqueles que permaneceram abstinentes, o que representa uma redução de 39% no risco. Resultados semelhantes foram observados quando analisada isoladamente a recorrência de fibrilação atrial. Além disso, não houve diferença significativa na incidência de eventos adversos entre os dois grupos ao longo do estudo.
Em resumo, o ensaio clínico demonstrou que a manutenção do consumo diário de café com cafeína foi associada a menor recorrência de fibrilação atrial ou flutter atrial quando comparada à abstinência completa. Esses resultados sugeriram que o consumo moderado de café pode ser considerado seguro e potencialmente benéfico para pacientes com fibrilação atrial.