A Doença de Parkinson (DP) é uma condição debilitante que reduz a qualidade de vida de um número crescente de indivíduos. Atualmente, cerca de 8,5 milhões de pessoas vivem com a doença. Dados epidemiológicos revelaram uma maior prevalência da doença entre idosos, com homens e habitantes rurais sendo particularmente afetados. A maioria dos estudos existentes origina-se predominantemente da Europa e da América do Norte, fornecendo informações limitadas sobre a manifestação da doença em diversos contextos epidemiológicos. Assim, a prevalência global e as nuances epidemiológicas da DP permanecem incompletamente compreendidas.
O Brasil oferece um contexto único para estudar a DP devido à sua população grande e heterogênea e à significativa diversidade regional e cultural. Por isso, Schlickmann e colaboradores (2025) realizaram um estudo com o objetivo de investigar a distribuição, prevalência e características clínicas da DP entre idosos neste país.
Para isso, eles realizaram um estudo transversal utilizando dados da coorte ELSI-Brasil, um estudo brasileiro de representatividade nacional de indivíduos com 50 anos ou mais. Os dados foram coletados por meio de pesquisas porta a porta com questionários padronizados. O diagnóstico de DP foi baseado em dados autorreferidos. Os pesquisadores calcularam a prevalência da doença na população geral e em grupos etários específicos. Além disso, eles analisaram a sua associação com variáveis clínicas e projetaram a prevalência de DP no Brasil de 2024 a 2060.
No total, a amostra consistiu em 9881 indivíduos, dos quais 93 autorrelataram DP. A prevalência bruta geral da doença entre indivíduos com 50 anos ou mais no Brasil foi de 0,84%. Em relação ao sexo, o grupo com a doença apresentou uma proporção maior de homens em comparação com o controle. A prevalência também foi maior em grupos etários mais avançados.
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Grupo etário (anos)
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Prevalência da DP
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50—59
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0,39%
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60—69
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0,48%
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70—79
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1,91%
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Acima de 80
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2,75%
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Tabela 1: Prevalência da doença de Parkinson de acordo com a faixa etária no Brasil.
A prevalência nas diferentes regiões do país foi de 0,51% no Norte, 0,77% no Sudeste, 0,91% no Sul, 0,94% no Nordeste e 0,98% no Centro-Oeste.
Entre os 93 pacientes com DP autorrelatada, 50 eram brancos, 34 eram pardos, 8 eram pretos e nenhum paciente se identificou como asiático ou indígena.
O grupo DP tinha uma média de 5,2 ± 0,5 anos de escolaridade, enquanto o grupo não DP tinha uma média de 6,8 ± 0,2 anos. Não foram observadas diferenças entre os grupos em relação à renda familiar.
Em relação às doenças, os pacientes com DP apresentaram maior proporção de acidente vascular cerebral autorrelatado e depressão. Não houve diferenças significativas nas comorbidades cognitivas entre os grupos.
Além disso, os pacientes com DP apresentaram escores mais baixos em atividades básicas da vida diária (AVDs) e atividades funcionais da vida diária (AIVDs) e tiveram consultas médicas mais frequentes em geral e com especialistas ao longo de 12 meses. Pacientes com DP também relataram maior comprometimento da mobilidade, como necessidade de apoio para caminhar e acamados em comparação ao grupo sem DP. Não houve diferença entre os grupos em relação a quedas no último ano.
Com base na distribuição demográfica e nas projeções da população brasileira, e assumindo que a prevalência de DP entre as faixas etárias permaneceu constante ao longo dos anos, o número de casos de DP no Brasil é estimado em aproximadamente 535.000 em 2024 e aumentará para 750.000 casos em 2034, 1.000.000 de casos em 2046; e 1.250.000 casos em 2060. Esse crescimento se traduz em um aumento médio na carga de DP no Brasil em 19.851 casos a cada ano. Entre indivíduos com 50 anos ou mais, espera-se que a prevalência de DP aumente de 0,89% em 2024 para 1,23% em 2060.
Em conclusão, Schlickmann e colaboradores (2025) mapearam a prevalência da DP no Brasil e delinearam as influências de sexo, idade, nível socioeconômico, etnia e vários fatores de risco, bem como um perfil de saúde para pacientes brasileiros com DP. Dado o aumento esperado na prevalência de DP devido apenas às tendências demográficas, é imperativo que as políticas públicas se concentrem na prevenção da doença, aumentem a precisão diagnóstica e melhorem o acesso a tratamentos apropriados para atender adequadamente às necessidades crescentes dessa população de pacientes.
Publicado el 19 de mayo de 2025
Epidemiologia
Doença de Parkinson no Brasil
Análise da prevalência, fatores de risco e projeções futuras para o manejo da DP.
Autor/a: Schlickmann, Thomas Hugentobler et al.
Fuente: The Lancet Regional Health – Americas, V. 44, 101046 Prevalence, distribution and future projections of Parkinson disease in Brazil: insights from the ELSI-Brazil cohort study
A Doença de Parkinson (DP) é uma condição debilitante que reduz a qualidade de vida de um número crescente de indivíduos. Atualmente, cerca de 8,5 milhões de pessoas vivem com a doença. Dados epidemiológicos revelaram uma maior prevalência da doença entre idosos, com homens e habitantes rurais sendo particularmente afetados. A maioria dos estudos existentes origina-se predominantemente da Europa e da América do Norte, fornecendo informações limitadas sobre a manifestação da doença em diversos contextos epidemiológicos. Assim, a prevalência global e as nuances epidemiológicas da DP permanecem incompletamente compreendidas.
O Brasil oferece um contexto único para estudar a DP devido à sua população grande e heterogênea e à significativa diversidade regional e cultural. Por isso, Schlickmann e colaboradores (2025) realizaram um estudo com o objetivo de investigar a distribuição, prevalência e características clínicas da DP entre idosos neste país.
Para isso, eles realizaram um estudo transversal utilizando dados da coorte ELSI-Brasil, um estudo brasileiro de representatividade nacional de indivíduos com 50 anos ou mais. Os dados foram coletados por meio de pesquisas porta a porta com questionários padronizados. O diagnóstico de DP foi baseado em dados autorreferidos. Os pesquisadores calcularam a prevalência da doença na população geral e em grupos etários específicos. Além disso, eles analisaram a sua associação com variáveis clínicas e projetaram a prevalência de DP no Brasil de 2024 a 2060.
No total, a amostra consistiu em 9881 indivíduos, dos quais 93 autorrelataram DP. A prevalência bruta geral da doença entre indivíduos com 50 anos ou mais no Brasil foi de 0,84%. Em relação ao sexo, o grupo com a doença apresentou uma proporção maior de homens em comparação com o controle. A prevalência também foi maior em grupos etários mais avançados.
Grupo etário (anos)
Prevalência da DP
50—59
0,39%
60—69
0,48%
70—79
1,91%
Acima de 80
2,75%
Tabela 1: Prevalência da doença de Parkinson de acordo com a faixa etária no Brasil.
A prevalência nas diferentes regiões do país foi de 0,51% no Norte, 0,77% no Sudeste, 0,91% no Sul, 0,94% no Nordeste e 0,98% no Centro-Oeste.
Entre os 93 pacientes com DP autorrelatada, 50 eram brancos, 34 eram pardos, 8 eram pretos e nenhum paciente se identificou como asiático ou indígena.
O grupo DP tinha uma média de 5,2 ± 0,5 anos de escolaridade, enquanto o grupo não DP tinha uma média de 6,8 ± 0,2 anos. Não foram observadas diferenças entre os grupos em relação à renda familiar.
Em relação às doenças, os pacientes com DP apresentaram maior proporção de acidente vascular cerebral autorrelatado e depressão. Não houve diferenças significativas nas comorbidades cognitivas entre os grupos.
Além disso, os pacientes com DP apresentaram escores mais baixos em atividades básicas da vida diária (AVDs) e atividades funcionais da vida diária (AIVDs) e tiveram consultas médicas mais frequentes em geral e com especialistas ao longo de 12 meses. Pacientes com DP também relataram maior comprometimento da mobilidade, como necessidade de apoio para caminhar e acamados em comparação ao grupo sem DP. Não houve diferença entre os grupos em relação a quedas no último ano.
Com base na distribuição demográfica e nas projeções da população brasileira, e assumindo que a prevalência de DP entre as faixas etárias permaneceu constante ao longo dos anos, o número de casos de DP no Brasil é estimado em aproximadamente 535.000 em 2024 e aumentará para 750.000 casos em 2034, 1.000.000 de casos em 2046; e 1.250.000 casos em 2060. Esse crescimento se traduz em um aumento médio na carga de DP no Brasil em 19.851 casos a cada ano. Entre indivíduos com 50 anos ou mais, espera-se que a prevalência de DP aumente de 0,89% em 2024 para 1,23% em 2060.
Em conclusão, Schlickmann e colaboradores (2025) mapearam a prevalência da DP no Brasil e delinearam as influências de sexo, idade, nível socioeconômico, etnia e vários fatores de risco, bem como um perfil de saúde para pacientes brasileiros com DP. Dado o aumento esperado na prevalência de DP devido apenas às tendências demográficas, é imperativo que as políticas públicas se concentrem na prevenção da doença, aumentem a precisão diagnóstica e melhorem o acesso a tratamentos apropriados para atender adequadamente às necessidades crescentes dessa população de pacientes.