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Publicado el 20 de enero de 2025

Revisão sistemática e metanálise

Diversidade genética global e regional do HIV-1

Um grande desafio para o desenvolvimento da vacina contra o HIV

Introdução

O vírus da imunodeficiência humana (HIV) continua sendo um desafio significativo para a saúde global. Em 2023, estimou-se que 39,9 milhões de pessoas viviam com o mesmo. Embora esforços globais tenham resultado em 77% dessas pessoas recebendo terapia antirretroviral (TARV), o progresso alcançado está ameaçado pelo aumento de novas infecções em diversas regiões, como Europa, Ásia Central, Oriente Médio, Norte da África e América Latina.

Diante desse cenário, a necessidade de uma vacina eficaz contra o HIV torna-se evidente para pôr fim à pandemia. No entanto, a diversidade genética global do subtipo 1 (HIV-1) representa um grande desafio ao desenvolvimento de um imunizante. Essa diversidade reflete-se em distribuições variáveis de subtipos, formas recombinantes circulantes (CRFs) e formas recombinantes únicas (URFs) em diferentes regiões do mundo. Além disso, essa variabilidade pode impactar a patogenicidade do vírus, a eficácia das terapias antirretrovirais, o desenvolvimento de resistência aos medicamentos e a precisão dos testes diagnósticos e de monitoramento da carga viral.

O conhecimento atualizado sobre a disseminação global e regional das variantes do HIV-1 é essencial. No entanto, ainda há escassez de dados abrangentes sobre a distribuição dessas variantes e suas tendências ao longo do tempo. Para preencher essa lacuna, Nair e colaboradores (2024) conduziram uma revisão sistemática e uma metanálise para estimar a prevalência global e regional do HIV-1, bem como analisar as mudanças nas variantes do vírus ao longo dos anos. 

Métodos

Para esta revisão, os pesquisadores realizaram uma busca abrangente na literatura em bases de dados como PubMed, Embase, Global Health e CINAHL, considerando estudos que apresentassem dados específicos de subtipagem do HIV-1 por país, publicados entre 1º de janeiro de 2010 e 16 de setembro de 2022.

As proporções de subtipos de HIV-1, formas recombinantes circulantes e formas recombinantes únicas em cada país foram ponderadas com base nas estimativas do UNAIDS sobre o número de pessoas vivendo com HIV em cada localidade. Esse procedimento permitiu calcular estimativas regionais e globais de prevalência dos subtipos de HIV-1, CRFs e URFs, acompanhadas de intervalos de confiança de 95% (IC 95%) para os períodos de 2010–2015 e 2016–2021.

Resultados

A análise de estudos resultou na identificação de 1.044 conjuntos de dados, abrangendo informações sobre subtipagem do HIV-1 de 653.013 pessoas vivendo com HIV em 122 países no período de 2010 a 2021. Entre 2016 e 2021, o subtipo C foi responsável por 50,4% (IC 95%: 50,2–50,7; n = 18.570.462 de 36.823.798) das infecções globais por HIV, seguido pelo subtipo A com 12,4% (IC 95%: 12,2–12,6; n = 4.571.250), subtipo B com 11,3% (IC 95%: 11,1–11,5; n = 4.157.686), subtipo G com 2,9% (IC 95%: 2,9–3,0; n = 1.083.568), subtipo D com 2,6% (IC 95%: 2,5–2,7; n = 945.815) e subtipo F com 0,9% (IC 95%: 0,8–0,9; n = 316.724). As formas recombinantes circulantes corresponderam a 15,1% (IC 95%: 14,9–15,3; n = 5.564.566) e as formas recombinantes únicas a 2,0% (IC 95%: 1,9–2,1; n = 733.374). Os subtipos H, J e K foram responsáveis por 0,1% ou menos das infecções.

Em comparação com o período de 2010–2015, observaram-se aumentos significativos (p<0,0001) nas proporções globais do subtipo A (+0,9%, IC 95%: 0,7–1,1) e do subtipo C (+3,4%, IC 95%: 3,0–3,7), enquanto ocorreram reduções no subtipo D (–0,5%, IC 95%: –0,6 a –0,4), subtipo G (–0,8%, IC 95%: –1,0 a –0,7), CRFs (–1,0%, IC 95%: –1,3 a –0,8) e URFs (–1,8%, IC 95%: –1,9 a –1,7). Não houve mudanças significativas para os subtipos B e F. A proporção global de infecções atribuídas a recombinantes diminuiu de 21,6% (IC 95%: 21,4–21,7; n = 7.099.252 de 32.622.808) em 2010–2015 para 19,3% (IC 95%: 19,1–19,5; n = 7.094.694 de 36.823.798) em 2016–2021 (variação de –2,3%, IC 95%: –2,6 a –2,0; p<0,0001). Além disso, na revisão, as distribuições regionais das variantes do HIV-1 demonstraram-se complexas e dinâmicas, refletindo tendências globais de prevalência sustentadas por mudanças consistentes em todas as regiões analisadas.

Conclusão

Nesta revisão, Nair e colaboradores (2024) destacaram que a diversidade genética global e regional do HIV-1 apresenta uma alta complexidade e continua em constante evolução. Por fim, a vigilância contínua e aprimorada das variantes do HIV-1 é essencial para viabilizar o desenvolvimento e a implementação de uma vacina eficaz contra o vírus.