O uso de contraceptivos reversíveis de longa duração, que incluem o dispositivo intrauterino de cobre (DIU de Cobre), o sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (LNG-IUS) e implantes contraceptivos, bem como o acetato de medroxiprogesterona de depósito (DMPA), está crescendo mundialmente devido à alta eficácia desses métodos. Atualmente, um dos principais efeitos adversos relatados pelas usuárias é o ganho de peso a longo prazo. Entretanto, a variação de peso entre esses métodos permanece em debate.
Por isso, Modesto e colaboradores (2015) realizaram um estudo com o objetivo de avaliar as alterações de peso em três grupos de mulheres (usuárias de DMPA, LNG-IUS e DIU de Cobre) por um período de até dez anos de uso ininterrupto.
Para isso, pesquisadores realizaram uma análise retrospectiva na Unidade de Reprodução Humana do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia, na Escola de Ciências Médicas da Universidade de Campinas (UNICAMP), em Campinas, São Paulo, Brasil. A metodologia analisou as variações de peso em um total de 2.138 mulheres que tinham idades entre 18 e 40 anos e iniciaram o uso do seu contraceptivo em 1990, mantendo-o de forma ininterrupta. As usuárias foram separadas em três grupos de acordo com o método utilizado: DMPA 150 mg intramuscularmente, trimestralmente (n = 714), LNG-IUS (n = 701) e DIU de Cobre (n = 723).
Em relação ao monitoramento e à medição, as mulheres que utilizavam o DIU de Cobre ou LNG-IUS foram acompanhadas anualmente na clínica, enquanto as usuárias de DMPA compareceram a cada 90 dias para receber a nova injeção intramuscular. O peso foi aferido nas balanças, com as mulheres vestindo apenas roupas leves e descalças.
Os pesquisadores observaram diferenças significativas nas características basais dos grupos. As mulheres que optaram por DIU de Cobre foram significativamente mais jovens, enquanto as usuárias de DMPA apresentaram menos anos de escolaridade, um índice de massa corporal (IMC) menor e maior número de filhos. O peso médio basal foi de 58,3, 66,1 e 62,0 kg para pacientes de DMPA, LNG-IUS e DIU de cobre, respectivamente.
Ao longo dos dez anos de observação, os três grupos experimentaram um aumento de peso. Em relação ao primeiro ano do estudo, o maior ganho foi entre as usuárias de DMPA (ganho médio de 1,3 kg). Esse valor foi significativamente superior ao registrado nas mulheres com LNG-IUS e com DIU de Cobre, que ganharam em média 0,7 e 0,2 kg, respectivamente. Após dois anos, o ganho médio foi de 2,3, 1,2 e 0,3 kg entre usuárias de DMPA, LNG-IUS e DIU de Cobre, respectivamente.
Ao final do estudo, dez anos após o seu início, o aumento médio de peso entre as usuárias de DMPA foi de 6,6 kg. Este valor foi significativamente superior ao registrado nas mulheres com LNG-IUS e com DIU de Cobre, que ganharam 4,0 e 4,9 kg, respectivamente.
Em conclusão, embora todas as usuárias tenham apresentado algum ganho de peso ao longo de dez anos, o método injetável de DMPA foi aquele associado ao maior aumento médio, seguido pelo LNG-IUS e o DIU de cobre. É importante reforçar que a escolha do contraceptivo deve considerar não apenas eficácia e praticidade, mas também o perfil de cada paciente, seu histórico médico e possíveis efeitos adversos. A decisão compartilhada entre a paciente e o profissional de saúde, com base em evidências científicas, continua sendo o caminho mais seguro para uma contracepção ideal e personalizada.