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/ Publicado el 6 de agosto de 2025

Neurociência

Disfunção mitocondrial está ligada ao início do Alzheimer e à resposta ao tratamento

Alterações na geração de energia pelas células cerebrais podem impulsionar o desenvolvimento da doença de Alzheimer e influenciar a resposta dos pacientes à terapia.

As descobertas, publicadas na revista Alzheimer's & Dementia, destacaram o complexo mitocondrial I — um componente crítico da produção de energia celular — como um fator que contribuiu para a progressão da doença e como um alvo promissor para novos tratamentos. Liderada pela autora sênior Eugenia Trushina, Ph.D., a equipe da Mayo Clinic descobriu que interrupções na atividade do complexo I podem desencadear padrões de expressão gênica comumente observados na doença de Alzheimer. Os pesquisadores demonstraram que o uso de pequenas moléculas para ajustar suavemente o funcionamento do complexo I pode ajudar a ativar mecanismos de proteção nas células cerebrais.

“Esta pesquisa oferece novas pistas sobre como o Alzheimer começa e aponta um caminho promissor para o desenvolvimento de tratamentos melhores e mais personalizados”, afirmou a Dra. Trushina, pesquisadora especializada em doenças neurodegenerativas.

As mitocôndrias, frequentemente descritas como as usinas de energia da célula, produzem a energia necessária para o funcionamento celular adequado. Nos neurônios, que possuem demandas energéticas especialmente elevadas, a disfunção mitocondrial pode ter consequências devastadoras. Os pesquisadores da Mayo Clinic descobriram que, quando o complexo I não funciona corretamente, ele compromete a forma como as células cerebrais gerenciam energia e respondem ao estresse — alterações semelhantes às observadas nos cérebros de pessoas com Alzheimer.

Utilizando modelos experimentais e ferramentas moleculares e computacionais avançadas, a equipe demonstrou que a modulação leve da atividade do complexo I com moléculas especialmente desenvolvidas ajudou os neurônios a ativar respostas protetoras, como a redução da inflamação e a melhora no equilíbrio energético. Curiosamente, os pesquisadores observaram que homens e mulheres responderam de forma diferente aos tratamentos, sugerindo a necessidade de abordagens terapêuticas específicas para cada sexo. “Esse efeito dependente do sexo é intrigante”, disse a Dra. Trushina. “Ele sugere que futuras terapias poderiam ser adaptadas conforme o sexo, especialmente para uma doença como o Alzheimer, que afeta homens e mulheres de maneira distinta.”

Os tratamentos atuais para o Alzheimer concentram-se principalmente no gerenciamento dos sintomas ou no combate às alterações cerebrais características, como placas de beta-amiloide e emaranhados de proteína tau. No entanto, essas abordagens têm tido sucesso limitado em interromper a progressão da doença. O novo estudo aponta a disfunção mitocondrial como um possível gatilho inicial — que pode ocorrer muito antes do surgimento dos sintomas cognitivos.

“Este estudo nos proporciona uma compreensão mais profunda dos eventos celulares que desencadeiam o Alzheimer e, mais importante, de como podemos intervir para desacelerar ou prevenir sua progressão”, afirmou a Dra. Trushina. “Nossos resultados abrem caminho para uma nova classe de medicamentos que atuam protegendo o suprimento energético do cérebro e amortecendo os efeitos das alterações iniciais relacionadas à doença.”

A pesquisa faz parte de uma iniciativa maior da Mayo Clinic chamada Precure, focada no desenvolvimento de ferramentas que capacitem os médicos a prever e interceptar processos biológicos antes que evoluam para doenças ou se tornem condições complexas e difíceis de tratar. No futuro, a equipe pretende investigar mais profundamente a segurança e a eficácia dos moduladores do complexo I em modelos pré-clínicos, com o objetivo de avançar para ensaios clínicos.

Fonte: Mitochondrial dysfunction linked to Alzheimer's onset and treatment response