| Introdução |
Diretrizes, como as da American Heart Association, recomendaram um mínimo de 150 e 75 minutos/semana de atividade física (AF) moderada e vigorosa, respectivamente. Além disso, pelo menos dois dias da semana devem ser voltados ao fortalecimento muscular. Embora quantidades maiores de exercício estejam associados a reduções bem documentadas na mortalidade por doenças cardiovasculares e por todas as causas, menos de um quarto de todos os americanos atendem a esses valores mínimos.
As mulheres, geralmente, fazem menos AF em comparação com os homens — manifestando uma "lacuna de gênero" que começa cedo na vida e continua por toda a idade adulta. A extensão em que essa brecha pode se traduzir em diferenças nos resultados de mortalidade por todas as causas e cardiovascular tem sido incerta. Por isso, Ji e colaboradores (2023) realizaram um estudo prospectivo para analisar se os benefícios para a saúde derivados da atividade física podem diferir por sexo.
| Métodos |
Foi realizado um estudo prospectivo com 412.413 adultos dos EUA (55% do sexo feminino, com idade média de 44 ± 17 anos) que forneceram dados de pesquisa sobre atividade física no tempo de lazer. Foram examinadas as associações multivariadas ajustadas por sexo de medidas de atividade física (frequência, duração, intensidade, tipo) com mortalidade por todas as causas e cardiovascular de 1997 a 2019.
| Resultados |
Dos 412.413 participantes do estudo, 54,7% eram mulheres, 14,4% se identificaram como negros e 18,4% como hispânicos. A idade média foi de 43,9 ± 16,6 anos.
No geral, 32,5% das mulheres e 43,1% dos homens regularmente se envolviam em AF aeróbica, e todas as principais medidas de exercício eram significativamente mais frequentes nos homens. Para as mulheres, a AF regular em comparação com a inatividade foi associada a um risco 24% menor de mortalidade por todas as causas. Para os homens, essa demonstrou uma redução de 15%.
O maior benefício de mortalidade nos homens foi alcançado com 300 min/semana de atividade moderada, com um risco 18% menor de mortalidade por todas as causas. As mulheres obtiveram uma magnitude de vantagem semelhante com 140 min/semana de atividade moderada e continuaram a se favorecer com o aumento da frequência dessa até atingir uma redução de 24% em cerca de 300 min/semana. Ao examinar a relação especificamente para atividade física vigorosa e mortalidade por todas as causas, a diferença de sexo também foi significativa: o maior benefício foi observado em homens que praticavam exercício por 110 min/semana, com um risco 19% menor de mortalidade para todas as causas; em comparação, as mulheres obtiveram a mesmo vantagem com apenas 57 min/semana. Na população feminina, o pico foi observado com uma redução de 24% no risco de mortalidade por todas as causas com 120 min/semana.
Os homens também se engajaram e tiveram mais frequência nas atividades de fortalecimento muscular. Para os que realizavam musculação em comparação com a inatividade, o risco de mortalidade foi reduzido em 11%; para as mulheres, a diminuição foi de 19%. Em análises dependentes da dose, os homens obtiveram o maior benefício de mortalidade ao se engajarem em 3 sessões/semana de atividade de musculação, com um risco 14% menor de mortalidade por todas as causas; as mulheres obtiveram benefício equivalente ou maior ao se envolverem em apenas uma sessão.
Para as mulheres em comparação com os homens que se engajavam em 3 sessões/semana de AF de fortalecimento muscular, houve uma redução relativa de mortalidade por todas as causas cerca de duas vezes maior.
Para mortalidade cardiovascular, o engajamento regular em AF aeróbica em comparação com a inatividade foi associado a uma redução de risco de 14% para homens e 36% para mulheres. Da mesma forma, em atividades de fortalecimento muscular em comparação com a inatividade foi associado a uma redução de risco cardiovascular de 11% em homens e 30% em mulheres.
Existem várias explicações potenciais para essas diferenças. Há muito tempo se sabe que os homens têm capacidade de exercício mensuravelmente maior do que as mulheres em todas as idades. Isso pode ser em parte devido a atributos, incluindo em média corações proporcionalmente maiores, vias aéreas pulmonares mais amplas, maior capacidade de difusão pulmonar e fibras musculares maiores. Em particular, os homens têm aproximadamente 38% mais massa corporal magra, e assim um limite absoluto relativamente menor para a capacidade vasodilatadora induzida pelo exercício imposto por massa magra e muscular substancialmente menores em mulheres pode ser proporcionalmente mais eficientemente melhorado pelo fortalecimento muscular. De fato, estudos de fisiologia demonstraram que as mulheres exibem maior condutância vascular e fluxo sanguíneo durante o exercício, com essas tendo uma densidade mais alta de capilares por unidade de músculo esquelético em comparação com os homens. Consequentemente, as mulheres experimentam maiores melhorias relativas na força, que é um preditor mais forte de mortalidade do que a massa muscular.
| Conclusão |
Os resultados do estudo não apenas destacaram uma resposta diferencial entre os sexos nos benefícios à saúde da atividade física, mas também sugeriram que as mulheres têm especialmente a ganhar na redução do risco de mortalidade por doenças cardiovasculares e por todas as causas. Tais descobertas podem ser usadas para motivar o engajamento em atividades físicas entre segmentos atualmente menos envolvidos da população feminina e particularmente entre aquelas para as quais o tempo representa uma barreira para o exercício.