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/ Publicado el 6 de noviembre de 2024

Estudo de coorte

Dieta associada com o risco cardiovascular

Associação de uma dieta pobre em carboidratos e rica em gordura com os níveis de lipídios plasmáticos e o risco cardiovascular

Introdução

Nos últimos anos, os padrões alimentares com baixo teor de carboidratos e alto de gordura (LCHF) têm ganhado destaque, sendo amplamente adotados para o controle de obesidade e diabetes. Dados recentes indicaram que aproximadamente 20% dos adultos americanos seguiram algum tipo de dieta com baixo teor de carboidratos, como a cetogênica, no último ano. Esses regimes alimentares, que restringem a ingestão de carboidratos e aumentam o consumo de gorduras, têm sido recomendados nas diretrizes Americanas e Europeias para o controle glicêmico e perda de peso, além de apresentarem benefícios subjetivos, como aumento de energia e clareza mental.

Dietas LCHF limitam a ingestão de carboidratos para menos de 100g por dia e priorizam o consumo de gorduras, muitas vezes de origem animal. Apesar de alguns estudos sugerirem efeitos cardioprotetores, relacionados à produção de corpos cetônicos. No entanto, há preocupações sobre o impacto dessas dietas no aumento dos níveis de lipoproteínas aterogênicas, como o LDL-colesterol, o que pode elevar o risco de doença cardiovascular aterosclerótica (ASCVD, na sigla em inglês). Embora o impacto das dietas LCHF na saúde cardiovascular ainda esteja sendo investigado, Iatan e colaboradores (2024) realizaram um estudo para explorar a relação entre esse padrão alimentar e os níveis de lipídios séricos, bem como a ocorrência de eventos cardiovasculares adversos em uma coorte do UK Biobank.

Métodos

Este estudo de coorte, baseado no banco de dados do UK Biobank, incluiu participantes que completaram pelo menos um questionário alimentar de 24 horas. Definiu-se uma dieta LCHF como aquela com consumo de carboidratos inferior a 100 g/dia ou menos de 25% da energia diária total proveniente de carboidratos, enquanto mais de 45% era proveniente de gorduras. Os participantes que seguiram uma dieta padrão (DP) não atenderam a esses critérios. Para garantir comparabilidade, cada participante seguindo a dieta LCHF foi pareado em uma proporção de 1:4 com indivíduos da dieta padrão, levando em consideração idade e sexo.

Resultados

No total, 2.034 e 8.136 participantes que seguiram a dieta LCHF e a padrão foram incluídos no estudo, respectivamente. Desses, apenas 305 e 1.220, respectivamente, realizaram uma avaliação de lipídios simultaneamente à inscrição.

Os resultados mostraram que os níveis de lipoproteína de baixa densidade (LDL-C) e apolipoproteína B foram significativamente mais elevados no grupo LCHF em comparação com o grupo DP (P < 0,001). Hipercolesterolemia grave (LDL-C > 5 mmol/L) foi observada em 11,1% dos indivíduos LCHF, em contraste com 6,2% dos indivíduos DP (P < 0,001).

Após um período de acompanhamento de 11,8 anos, 9,8% dos participantes do grupo LCHF apresentaram um evento cardiovascular adverso maior (MACE), em comparação com 4,3% no grupo DP (P < 0,001). Essa diferença manteve-se significativa após o ajuste para outros fatores de risco cardiovascular (HR: 2,18; IC 95%: 1,39-3,43; P < 0,001). Além disso, indivíduos com pontuação de risco poligênico elevada para LDL-C apresentaram os maiores níveis de LDL-C ao seguir a dieta LCHF. Alterações significativas nos níveis lipídicos e a associação com MACE foram consistentes tanto na análise de toda a coorte quanto em indivíduos que completaram duas ou mais pesquisas dietéticas.

Conclusão

Sendo assim, o estudo de coorte revelou que o consumo autorrelatado de uma dieta LCHF esteve associada a um aumento significativo nos níveis de LDL-C e apolipoproteína B, além de um risco elevado de eventos cardiovasculares adversos maiores (MACE). Esses achados ressaltaram o potencial risco cardiovascular desse padrão alimentar e sugeriram que a hipercolesterolemia induzida por dietas LCHF não deve ser considerada inofensiva.