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/ Publicado el 21 de octubre de 2025

Paralisia de Bell

Desvendando a paralisia de Bell: do diagnóstico ao tratamento

Guia prático para profissionais de saúde sobre a abordagem da paralisia facial periférica.

Autor/a: Ildiko Gagyor, Vishnu B Madhok, Fergus Daly e Frank Sullivan

Fuente: Cochrane Database of Systematic Reviews, N. 9, 2019 Antiviral treatment for Bell's palsy (idiopathic facial paralysis)

A paralisia de Bell é uma fraqueza ou paralisia súbita de um lado da face, causada por disfunção do nervo craniano periférico VII (facial) de etiologia desconhecida, que impede a transmissão de sinais para os músculos faciais. Até 30% dos pacientes não recuperam completamente a função facial. A sua incidência estimada é de 20 a 30 casos por 100.000 pessoas por ano. Todos os gêneros e idades podem ser afetadas, mas apresenta maior parte dos casos em pessoas de 15 a 45 anos.

A condição é apresentada como queda do canto da boca, achatamento do sulco nasolabial, incapacidade de fechar o olho e suavização das rugas da testa em um lado do rosto. Os sintomas raramente são bilaterais e normalmente se desenvolvem de forma aguda, atingindo o pico na primeira semana e se resolvendo gradualmente ao longo de meses.

Os principais fatores de risco para a paralisia de Bell incluem diabetes mellitus, hipertensão, imunossupressão, gripe e outras doenças respiratórias superiores e gravidez.

Deve ser suspeitada em pacientes com início agudo de fraqueza ou paralisia facial unilateral envolvendo a testa na ausência de outras anormalidades neurológicas. Avaliação adicional deve ser considerada em pacientes com paralisia de Bell recorrente ipsilateral, pois isso pode sugerir um tumor subjacente.

O diagnóstico diferencial da paralisia de Bell inclui lesões estruturais, infecção, condições autoimunes, acidente vascular cerebral e esclerose múltipla.

A escala de Sunnybrook e a escala de House-Brackmann são comumente usadas para classificar a gravidade dos sintomas.

Para o seu diagnóstico, exames laboratoriais e radiografias não são necessários, entretanto, o primeiro pode identificar causas sistêmicas da paralisia facial periférica, como diabetes e doença de Lyme.

Para aqueles com paralisia de Bell recorrente, recomenda-se a ressonância magnética da cabeça ou órbitas/face/pescoço.

Para o manejo da condição, esses pacientes devem ser tratados com corticosteroides orais. As doses típicas de prednisona relatadas em ensaios variam de 50 a 60 mg por dia durante cinco dias, seguidos por uma redução gradual de cinco dias.

Ademais, devem receber terapia combinada com corticosteroides orais e antivirais (por exemplo, aciclovir, valaciclovir), com objetivo de reduzir a sincinesia. Entretanto, é importante ressaltar que não há evidências de que os antivirais isoladamente apresentam efeito na recuperação, por isso, é apenas indicado a combinação e não a sua monoterapia.

Embora Gagyyor e colaboradores (2015) tenham demonstrado uma recuperação significativamente melhor com a combinação de antivirais e corticosteroides, o seu real benefício na prática clínica ainda não foi bem estabelecido, então, se houver algum, ele provavelmente é modesto.

Ainda que haja evidências limitadas de que os corticosteroides sejam benéficos em pacientes grávidas com paralisia de Bell, a prática de consenso é tratar essas de forma semelhante a adultos não grávidas, com corticosteroides no início do curso da doença.

Atualmente, não há evidências para determinar se a descompressão cirúrgica do nervo craniano VII melhora os resultados nesses pacientes.

Pacientes que não conseguem fechar o olho devem ser informados sobre medidas de proteção ocular, como administração de lágrimas artificiais ou gel lubrificante. Sinais ou sintomas de ceratite justificam o encaminhamento a um oftalmologista.

Fisioterapia facial deve ser oferecida a pacientes com paralisia grave (grau V ou VI de House-Brackmann) ou prolongada (mais de três meses). Entretanto, não há evidências da eficácia da eletroestimulação.

Em conclusão, a paralisia de Bell é uma condição neurológica comum que causa fraqueza facial súbita e unilateral. O diagnóstico é geralmente clínico, com exames complementares reservados para casos atípicos ou recorrentes. O tratamento padrão envolve corticosteroides orais, com a adição de antivirais. Embora a maioria dos pacientes se recupere completamente, a fisioterapia facial pode ser benéfica para aqueles com casos graves ou prolongados. Mais pesquisas são necessárias para otimizar o tratamento e melhorar os resultados a longo prazo.