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/ Published on August 10, 2025

Diabetes

Destaques das 85ª Sessões Científicas da Associação Americana de Diabetes

Um resumo conciso das últimas pesquisas sobre agonistas de GLP-1, inibidores de SGLT2, estratégias para doença hepática e inovações em diabetes pediátrico.

Author: Woolcott, Orison O.

Fuente: The Lancet Regional Health – Americas, V. 48, 101200, 2025 Highlights from the 85th scientific sessions of the American Diabetes Association

A 85ª Sessão Científica da Associação Americana de Diabetes (ADA) foi realizada em Chicago, Illinois, EUA, de 20 a 23 de junho de 2025. Abaixo, a equipe da IntraMed Brasil apresenta um resumo dos principais tópicos abordados em algumas das sessões mais interessantes.

Comparação dos benefícios de medicamentos mais recentes para diabetes tipo 2

Nesta sessão, a Dra. Karol Watson (Universidade da Califórnia, Los Angeles, CA, EUA) discutiu os benefícios dos agonistas do receptor do peptídeo-1 semelhante ao glucagon (GLP-1s). De acordo com a Dra. Watson, até o momento, não há evidências fortes de que os agonistas duplos do polipeptídeo insulinotrópico dependente de glicose (GIP) e GLP-1s melhorem a doença cardiovascular. Em contraste, há evidências convincentes que apoiem o benefício dessa segunda classe medicamentosa na redução de acidente vascular encefálico (AVE), mortalidade e doença renal. A Dra. Watson enfatizou que os inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 (SGLT) 2 melhoram a insuficiência cardíaca, os resultados renais e a mortalidade cardiovascular, mas não o AVE. O Dr. Jonathan Purnell (Oregon Health & Science University, Portland OR, EUA) salientou que os GIP/GLP-1s podem ajudar a reduzir a hemoglobina A1c abaixo de 5,5%, além de seus efeitos benéficos na perda de peso.

A Dra. Alice Cheng (Universidade de Toronto, Toronto, Canadá) enfatizou que os inibidores de SGLT2 reduziram a mortalidade cardiovascular e melhoraram os resultados renais e a hiperglicemia. Além disso, esses medicamentos têm a vantagem de fácil adesão, tolerabilidade, acessibilidade e adequação para combinação com outros medicamentos em comparação com GLP-1s. A Dra. Avivit Cahn (Hospital Universitário Hadassah Hebrew, Jerusalém, Israel) resumiu as múltiplas opções de terapias combinadas, os diferentes mecanismos de ação dos antidiabéticos e seus efeitos colaterais. De acordo com a mesma, a combinação dos medicamentos mais recentes reduz ainda mais a hemoglobina A1c, mas não é econômica.

Doença arterial periférica (DAP) e diabetes

A Dra. Zaina Albalawi (Memorial University of Newfoundland, St. John's, NL, Canadá) indicou que o diabetes mellitus é um fator de alto risco para doença arterial periférica (DAP). A presença concomitante dessas duas condições aumenta ainda mais o risco de mortalidade cardiovascular, além de diminuir a qualidade de vida. A prevalência de DAP é estimada em 12,5–22%, e o diabetes contribui com até 70% de todas as amputações de membros.

O Dr. Subodh Verma (Universidade de Toronto, Toronto, Canadá) e a Dra. Neda Rasouli (Universidade do Colorado, Aurora, CO, EUA) salientaram que a DAP afeta 230 milhões de pessoas e é subdiagnosticada. Uma observação interessante foi que a ADA atualmente recomenda o rastreamento de DAP em adultos assintomáticos com diabetes. O seu tratamento farmacológico é limitado. Embora o cilostazol seja recomendado para claudicação (um sintoma comum de DAP), ele não tem outros benefícios cardiovasculares. O Dr. Verma e a Dra. Rasouli também apresentaram os resultados do estudo STRIDE. A semaglutida 1,0 mg uma vez por semana durante 52 semanas melhorou a capacidade de caminhar em pessoas com DAP sintomática e diabetes tipo 2.

Doença hepática e diabetes

Nesta sessão, o Dr. Mandeep Bajaj (Baylor College of Medicine, Houston, TX, EUA) mostrou que até 65% dos indivíduos com diabetes tipo 2 têm doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD). Pacientes com esteato-hepatite associada à disfunção metabólica (MASH) correm maior risco de doença cardiovascular e doença renal crônica. O Dr. Kenneth Cusi (Universidade da Flórida, Gainesville, FL, EUA) mencionou que 30–50% dos indivíduos com diabetes tipo 2 têm MASH. O Dr. Cusi enfatizou a importância do rastreamento de fibrose hepática usando um escore FIB-4 (fibrose 4 — um índice baseado na idade e parâmetros bioquímicos sanguíneos) de ≥1,3. Indivíduos com uma pontuação alta correm risco de cirrose.

Um segundo teste útil é a elastografia transitória, para avaliar a rigidez do fígado. A Dra. Diana Barb (Universidade da Flórida, Gainesville, FL, EUA) resumiu as tendências atuais no tratamento farmacológico da MASH. Ensaios com resmetirom 80 ou 100 mg mostraram resolução da doença em 26–30% e redução da fibrose hepática em 24–26%. Ademais, estudos com semaglutida, tirzepatida e pioglitazona demonstraram melhorar a MASH e a fibrose hepática.

Tratamentos emergentes para diabetes pediátrico

A Dra. Sarah Lyons (Baylor College of Medicine, Houston, TX, EUA) revisou consensos publicados sobre o manejo do diabetes pediátrico. Ela afirmou que o manejo deve ser focado na: adesão ao manejo e medicamentos, rastreamento de preocupações psicossociais e complicações micro e macrovasculares, educação para o autogerenciamento, apoio familiar, preparação do sistema de saúde para a transição para o diabetes adulto e transferência do paciente (da pediatria para a medicina de adultos) e check-ups regulares. O Dr. Yeray Novoa (ISPAD, Berlim, Alemanha) discutiu as vantagens dos sistemas de monitoramento contínuo de glicose para o controle do diabetes, pois eles facilitam o monitoramento remoto e a telemedicina e diminuem o risco de cetoacidose e hipoglicemia. A administração de insulina é recomendada para crianças com diagnóstico recente de diabetes tipo 1.

Mais sobre ensaios clínicos de tratamento do diabetes

A Dra. Jennifer Green (Duke University, Durham, NC, EUA) apresentou uma visão geral de vários ensaios controlados randomizados que mostraram os mais recentes avanços clínicos no tratamento do diabetes. Dispositivos avançados de insulina demonstraram ser superiores ao manejo padrão na redução da hemoglobina A1c. Entre os idosos com diabetes tipo 1, os sistemas híbridos de circuito fechado (também chamados de sistemas automatizados de administração de insulina) foram menos propensos a induzir hipoglicemia do que as bombas de insulina aprimoradas por sensor. O ensaio SURMOUNT-1 mostrou que, em indivíduos com obesidade e pré-diabetes, a tirzepatida subcutânea 10 ou 15 mg resultou em redução de peso e menor risco de progressão para diabetes tipo 2 em comparação com o placebo. O ensaio SOUL demonstrou que a semaglutida oral (até 14 mg) reduziu eventos cardiovasculares adversos maiores em indivíduos com diabetes tipo 2 e doença cardiovascular aterosclerótica ou doença renal crônica. O ensaio FLOW atestou que a semaglutida subcutânea 1,0 mg reduziu o risco de resultados renais e morte por causas cardiovasculares em indivíduos com diabetes tipo 2 e doença renal crônica. Para diabetes tipo 1, ustekinumabe (um anticorpo monoclonal) tem mostrado alguns resultados promissores, mas modestos, no aumento dos níveis sanguíneos de peptídeo C em crianças e adolescentes.

No geral, um grande progresso tem sido feito no desenvolvimento de novos medicamentos para o tratamento de complicações do diabetes (coração, rim, cérebro, fígado) e condições associadas, como a obesidade. No entanto, a produção de novos fármacos eficazes que visem especificamente a resistência à insulina e a disfunção das células beta continua sendo um desafio no campo.