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/ Publicado el 9 de mayo de 2022

Dia Mundial do Combate ao Lupus

Descoberta de uma causa genética para um tipo de lúpus

Mutação pontual no gene TLR7 pode explicar porque a doença afeta mais as mulheres

Autor/a: Brown, G.J., Cañete, P.F., Wang, H. et al.

Fuente: TLR7 gain-of-function genetic variation causes human lupus.

Uma equipe internacional identificou mutações de DNA em um gene que detecta o RNA viral como causa do lúpus, doença autoimune crônica que causa inflamação nos órgãos e nas articulações, afeta o movimento e a pele e causa fadiga. Em casos graves, os sintomas podem, ser debilitantes e as complicações podem ser fatais.

Embora essa mutação não necessariamente esteja presente em todas as pessoas que apresentam a doença, a equipe está confiante de que a descoberta abre caminho para o desenvolvimento de novos tratamentos pelo menos para a pequena parte dos pacientes que apresenta uma forma rara da doença, de início precoce.

No Brasil, estimativas indicam que existam cerca de 65.000 pessoas com lúpus, sendo a maioria mulheres. No entanto, não há cura para a doença. O principal objetivo do tratamento é controlar os sintomas com a utilização de imunossupressores, que atuam diminuindo o sistema imunológico.

O estudo foi elaborado através do sequenciamento completo do genoma no DNA de uma criança chamada Gabriela, que foi diagnosticada com lúpus grave aos 7 anos de idade.

Na análise, Brown et al. (2022) descobriram uma mutação pontual no gene TLR7. Em outro hospital, eles identificaram outros casos de lúpus grave em que esse gene foi mutado. Para confirmar que a mutação causou lúpus, a equipe utilizou um tipo de edição de genes, chamado de CRISPR, em camundongos, que desenvolveram a doença e mostraram sintomas similares, fornecendo evidências que a mutação no gene era a causa.

A mutação faz com que a proteína TLR7 consiga se ligar mais facilmente a guanosina, um componente do DNA, e se torne mais ativa. Com isso, a sensibilidade da célula imunológica aumenta, fazendo com que ela identifique o tecido saudável como estranho e o ataque.

“Esta é a primeira vez que uma mutação TLR7 demonstrou causar lúpus, fornecendo evidências claras de uma maneira pela qual a doença possa surgir”, disse Carola Vinuesa, autora sênior e pesquisadora principal do Centro de Imunologia Personalizada na Austrália. =

Nan Shen adicionou: “Embora possa ser apenas um pequeno número de pessoas com lúpus que tenham variantes no próprio TLR7, sabemos que muitos pacientes apresentam sinais de hiperatividade na via TLR7. Ao confirmar uma ligação causal entre a mutação genética e a doença, podemos também começar a procurar tratamentos mais eficazes”.

Além disso, o estudo explicou por que o lúpus é cerca de 10 vezes mais frequente em mulheres do que em homens. O TLR7 é um gene encontrando no cromossomo X, no qual pessoas do sexo feminino apresentam 2 cópias do gene, enquanto o sexo masculino apresenta somente 1. Mesmo que a maioria das mulheres apresentem um dos cromossomos X inativos, a seção em que o gene se encontra, muitas vezes, o silenciamento é incompleto.

“A identificação do TLR7 como a causa do lúpus neste caso incomumente grave encerrou uma odisseia diagnóstica e traz esperança para terapias mais direcionadas para Gabriela e outros pacientes com lúpus, que provavelmente se beneficiarão dessa descoberta”, explica Carmen de Lucas Collantes, coautora desse estudo.