| Introdução |
Dermatite atópica (DA), também conhecida como eczema atópico, é uma doença crônica inflamatória da pele que afeta tanto adultos quanto crianças. Caracteriza-se por prurido intenso, pele seca e lesões cutâneas eczematosas. O manejo eficaz da doença é essencial para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
| Diagnóstico e aAvaliação |
- O diagnóstico de DA é principalmente clínico, baseado na história do paciente e nas características das lesões cutâneas. Fatores como idade de início, histórico familiar de atopia e prurido crônico são indicadores importantes.
- Testes laboratoriais e de alergia podem ser úteis em casos selecionados para identificar gatilhos e comorbidades associadas, embora não sejam necessários para o diagnóstico de rotina.
| Medidas gerais e estratégias de evitação |
Numerosos fatores e substâncias do ambiente podem irritar a pele sensível de pacientes com DA e desencadear surtos de eczema. Eles podem ser de natureza física, como irritantes mecânicos (por exemplo, lã), química (ácidos, alvejantes, solventes, água) ou biológica (alérgenos, microrganismos). Informações sobre irritantes inespecíficos e seu papel na agravação da DA são um pré-requisito crucial para o manejo a longo prazo de pacientes com DA.
Os efeitos negativos dos poluentes do ar no desenvolvimento e manutenção da DA, como a fumaça de tabaco ou compostos orgânicos voláteis (COVs) em ambientes internos e emissões de trânsito no ar externo, devem ser mencionados.
A sensibilização alimentar ocorre em cerca de 50% das crianças com DA grave. A relevância pode ser avaliada por testes de provocação oral, preferencialmente realizados como desafio alimentar duplo-cego controlado por placebo. A alergia alimentar desempenha um papel na exacerbação da doença em 30% das crianças com DA, mais frequentemente contra alimentos básicos como ovo de galinha ou leite de vaca. No entanto, dietas de eliminação de alimentos representam um grande impacto na qualidade de vida e não são fáceis de realizar.
Em relação aos probióticos, os resultados na DA foram divergentes. Cepas bacterianas não patogênicas, como Vitreoscilla filiformis ou Aquaphilus dolomiae, demonstraram efeitos benéficos na doença. No entanto, não houve uma recomendação para o tratamento com lactobacilos.
| Tratamento |
A base do tratamento da DA inclui cuidados diários com a pele para restaurar a barreira cutânea. Isso envolve o uso regular de emolientes e agentes hidratantes.
A limpeza de pele deve ser suave e cuidadosa com objetivo de eliminar crostas e remover contaminantes bacterianos. Podem ser usados produtos com ou sem antissépticos em fórmulas não irritantes e com baixo teor de alérgenos. Adicionar antissépticos como hipoclorito de sódio à água do banho é uma opção adicional para o tratamento da DA devido às suas atividades de inibição bacteriana.
Emolientes são a base do manejo. A hidratação da pele é geralmente mantida com a aplicação de hidratantes com base hidrofílica pelo menos duas vezes ao dia, por exemplo, creme de ureia a 5%. De acordo com a acuidade da condição da pele, as lipofílicas também são úteis. O uso de cremes de barreira, óleo de banho, gel de banho, emulsões ou soluções micelares que aumentam o efeito barreira também é recomendado.
> Terapia tópica:
- Corticosteroides tópicos: São o tratamento de primeira linha para reduzir a inflamação e o prurido. Vários fatores devem ser considerados ao escolher um corticosteroide tópico, incluindo potência, formulação galênica, idade do paciente e área do corpo onde o medicamento será aplicado. A potência desses medicamentos deve ser ajustada de acordo com a gravidade e a localização das lesões.
- Inibidores de calcineurina tópicos: Alternativas aos corticosteroides para áreas sensíveis da pele, como a face e as dobras. O tacrolimo em pomada e o pimecrolimo em creme foram licenciados para o tratamento da DA.
- Inibidores seletivos tópicos da fosfodiesterase 4: Crisaborole foi aprovado recentemente para o tratamento de EA leve a moderado em pacientes com dois anos ou mais.
- Anti-histamínicos: O creme de doxepina 5% exibiu efeitos antipruriginosos, no entanto, ainda não é licenciado e não é utilizado em nenhum país da Europa devido ao seu risco aumentado de alergia de contato.
- Agonistas do receptor canabinoide: Possuem propriedades antipruriginosas e analgésicas.
- Anestésicos: Benzocaína, lidocaína, bem como uma mistura de prilocaína e lidocaína, são amplamente utilizados como antipruriginosos tópicos de efeito eficaz a curto prazo.
> Tratamentos adicionais:
- Fototerapia: Pode ser considerada para pacientes com DA moderada a grave que não respondem adequadamente ao tratamento tópico.
A escolha de um determinado tratamento com UV é limitada pela disponibilidade do equipamento de fototerapia: por exemplo, dispositivos de UVA são caros para comprar e manter. As maiores desvantagens da são que o paciente deve se deslocar entre 3 e 5 vezes por semana e por 6–12 semanas para um local que ofereça essa terapia. Além disso, a luz UV não trata efetivamente áreas pilosas como o couro cabeludo e dobras da pele. Como regra, não é indicada na fase aguda da DA, mas é mais adequada para tratar formas crônicas, pruriginosas e liquenificadas e não deve ser prescrita para aqueles pacientes que apresentam piora da doença durante a exposição ao sol.
No início da fototerapia, uma co-medicação de corticosteroides tópicos e emolientes deve ser considerada para prevenir uma possível exacerbação. A terapia UV deve cumprir requisitos especiais em relação à equipe, documentação, proteção UV especialmente dos olhos, contraindicações e aspectos técnicos.
> Terapias sistêmicas
- Anti-histamínicos: As evidências sobre a eficácia dos anti-histamínicos no tratamento da DA foram conflitantes. A maioria dos estudos demonstrou efeitos fracos no prurido.
- Antagonistas dos receptores opioides: Foi demonstrado a capacidade de reduzir a coceira com naltrexona e nalmefeno.
- Inibidores seletivos da recaptação de serotonina: A paroxetina e fluvoxamina podem ser eficazes no tratamento da coceira induzida pela DA.