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/ Publicado el 24 de junio de 2025

Saúde mental

Cyberbullying e a saúde mental dos adolescentes

Estudo revelou associações alarmantes entre cyberbullying, depressão, uso de substâncias e ideação suicida em jovens.

Autor/a: Nagata, Jason M. et al.

Fuente: The Lancet Regional Health – Americas, V.46, 101002, 2025 Cyberbullying, mental health, and substance use experimentation among early adolescents: a prospective cohort study

Introdução

Com o aumento da exposição e acesso de crianças e adolescentes a dispositivos eletrônicos e a crescente popularidade das mídias sociais, o cyberbullying se tornou uma crescente preocupação de saúde pública que afeta crianças e adolescentes globalmente. O cyberbullying pode ser mais insidioso e malicioso do que o bullying tradicional, porque pode ser perpetrado anonimamente, ocorrer fora do horário escolar, atingir um público online mais amplo e permanecer preservado de forma mais permanente. Essas distinções o tornam especialmente difícil para cuidadores, educadores e outras figuras adultas agirem contra ele de forma eficaz.

Embora o cyberbullying tenha sido associado a resultados adversos à saúde, a maioria dos estudos anteriores são transversais e existem poucas análises prospectivas em larga escala que examinam o cyberbullying e a saúde mental e os resultados do uso de substâncias em adolescentes. Portanto, Nagata e colaboradores (2025) realizaram um estudo com o objetivo de determinar as associações prospectivas entre cyberbullying, saúde mental e experimentação com uso de substâncias um ano depois, em uma coorte nacional dos EUA de adolescentes (11–12 anos).

Métodos

Os pesquisadores analisaram dados prospectivos de coorte do Estudo do Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente (ABCD) (Ano 2, N = 9799). Análises de regressão linear e logística foram usadas para determinar associações entre a vitimização por cyberbullying (variável de exposição, Ano 2) e saúde mental (depressão, ansiedade, atenção, somáticos, oposição desafiadora, problemas de conduta e comportamentos suicidas) e resultados de experimentação com uso de substâncias (álcool, nicotina, cannabis) (Ano 3), ajustando para variáveis sociodemográficas e resultados de saúde mental, comportamentos suicidas ou experimentação relatada com uso de substâncias no Ano 2.

Resultados

No total, foram incluídos 9.799 adolescentes no estudo. Quase metade (48,4%) eram do sexo feminino e 45,1% se autodeclararam não brancos. A maioria dos participantes (87,6%) era heterossexual. Quase um décimo (9,4%) dos adolescentes relataram já ter sido vítima de cyberbullying e 1,0% relataram ter praticado cyberbullying.

Nos modelos de regressão linear, ajustando para covariáveis, a vitimização por cyberbullying foi prospectivamente associada ao aumento de problemas depressivos, somáticos e de atenção um ano depois, com pequenos tamanhos de efeito. Nos modelos de regressão logística ajustando para covariáveis, a vitimização por cyberbullying foi moderadamente associada ao álcool e qualquer experimentação com uso de substâncias um ano depois. Adicionalmente, a vitimização por cyberbullying foi fortemente associada à experimentação com nicotina e cannabis, bem como a comportamentos suicidas, um ano depois.

Várias análises de sensibilidade foram realizadas para as associações entre vitimização por cyberbullying e saúde mental e experimentação com uso de substâncias. Quando estratificadas por sexo, as associações prospectivas entre vitimização por cyberbullying e problemas somáticos e de atenção/déficit foram significativas apenas em adolescentes do sexo masculino, enquanto problemas depressivos e comportamentos suicidas foram significativos apenas no feminino. Após o ajuste para o tempo total de tela no Ano 2, além de outras covariáveis, os resultados foram semelhantes, embora a associação com problemas depressivos tenha sido atenuada e não mais estatisticamente significativa. No modelo que excluiu participantes com qualquer experimentação com uso de substâncias no Ano 2 (representando nova experimentação com uso de substâncias), a vitimização por cyberbullying permaneceu prospectivamente associada a novos resultados de experimentação com uso de substâncias, e as razões de chances foram relativamente semelhantes nos modelos 2 e 3.

Não houve associações significativas entre a prática de cyberbullying e os resultados de saúde mental nos modelos ajustados. No entanto, essa prática foi associada a maiores chances de comportamentos suicidas e experimentação com uso de substâncias um ano depois.

Conclusão

Os resultados sobre as associações entre vitimização por cyberbullying e problemas de saúde mental e uso de substâncias em adolescentes têm implicações importantes para a adaptação e implementação de orientações sobre tecnologia digital para adolescentes e seus pais. Os pediatras e profissionais de saúde mental podem considerar avaliar o cyberbullying e fornecer apoio e orientação para adolescentes que relatam vitimização. Os currículos de literacia digital nas escolas podem ensinar estratégias de proteção para prevenir a vitimização por cyberbullying e desencorajar o envolvimento na prática de bullying.

Pesquisas futuras podem fornecer mais orientações para mitigar os potenciais consequências para a saúde mental associadas ao cyberbullying, bem como orientações para preveni-lo entre adolescentes, como a identificação de padrões problemáticos de uso de telas.