Em 2024, o estado do Rio Grande do Sul (RS) vivenciou a maior crise climática de sua história, com enchentes devastadoras. O contato com a água provida das inundações misturada com detritos orgânicos, materiais de diferentes tipos e esgoto pode comprometer a saúde cutânea, com consequências locais e, eventualmente sistêmicas. Por isso, Webber e colaboradores (2025) realizaram um estudo com pessoas que desenvolveram doenças dermatológicas após as inundações para fornecer dados a comunidade científica.
Para isso, os autores desenvolveram um estudo observacional, transversal, de uma série de casos. Os dados foram coletados prospectivamente e retrospectivamente por meio de um questionário. As variáveis foram idade, gênero, cidade do abrigo, cidade do resgate, tipo de atendimento (presencial ou online) e as dermatoses, que foram agrupadas em infecciosas, inflamatórias, traumáticas/por ferimentos e miscelâneas.
No total, foram avaliadas 371 pessoas de diferentes abrigos. A idade média dos participantes foi de 30,96 anos e 50,9% eram mulheres. Desses, 88,1% foram avaliados retrospectivamente e 11,9% prospectivamente. Ademais, 94,3%, 2,4% e 3,2% eram pessoas abrigadas, socorristas e ambos, respectivamente. O atendimento foi realizado presencialmente a 97,6% e por teleconsulta a 2,4%.
A pediculose foi a principal dermatose atendida, seguida por traumas e ferimentos (escoriações por trauma, lacerações, cortes) e infecções bacterianas (impetigo, celulite e sífilis). Também foram identificadas micoses, escabiose, picada de inseto, dermatoviroses (herpes simples e herpes‐zóster), dermatite de contato, dermatoses não especificadas, dermatite seborreica, prurido, dermatite atópica, dermatite área das fraldas e onicocriptose.
As dermatoses infecciosas ocorreram mais no gênero feminino e a do grupo dos traumas/ferimentos no masculino. As médias etárias entre os pacientes com dermatoses infecciosas, inflamatórias e traumáticas foram de 29,4 anos, 24,0 anos e 31,6 anos, respectivamente, enquanto aqueles com miscelânea ou não especificadas apresentaram média de 40,3 anos.
Em conclusão, Webber e colaboradores (2025) demonstraram a importância da dermatologia no cuidado à população afetada pelas enchentes e inundações. A pesquisa identificou diversas dermatoses, principalmente as de caráter infeccioso (como pediculose, infecções bacterianas, micoses e escabiose), traumáticas/por ferimentos e inflamatórias. Essas doenças demonstraram a necessidade de medidas preventivas e de tratamento rápido em situações de emergência.
Publicado el 27 de julio de 2025
Dermatoses
Crise climática e pele: lições da emergência no Rio Grande do Sul
Impacto das enchentes de 2024 revelou desafios dermatológicos e estratégias de manejo.
Autor/a: Webber, A. et al.
Fuente: Anais Brasileiros de Dermatologia, V. 100, N. 3, Pg.548-556, 2025 Perfil das dermatoses em eventos climáticos extremos: série de casos das inundações no Rio Grande do Sul, Brasil
Em 2024, o estado do Rio Grande do Sul (RS) vivenciou a maior crise climática de sua história, com enchentes devastadoras. O contato com a água provida das inundações misturada com detritos orgânicos, materiais de diferentes tipos e esgoto pode comprometer a saúde cutânea, com consequências locais e, eventualmente sistêmicas. Por isso, Webber e colaboradores (2025) realizaram um estudo com pessoas que desenvolveram doenças dermatológicas após as inundações para fornecer dados a comunidade científica.
Para isso, os autores desenvolveram um estudo observacional, transversal, de uma série de casos. Os dados foram coletados prospectivamente e retrospectivamente por meio de um questionário. As variáveis foram idade, gênero, cidade do abrigo, cidade do resgate, tipo de atendimento (presencial ou online) e as dermatoses, que foram agrupadas em infecciosas, inflamatórias, traumáticas/por ferimentos e miscelâneas.
No total, foram avaliadas 371 pessoas de diferentes abrigos. A idade média dos participantes foi de 30,96 anos e 50,9% eram mulheres. Desses, 88,1% foram avaliados retrospectivamente e 11,9% prospectivamente. Ademais, 94,3%, 2,4% e 3,2% eram pessoas abrigadas, socorristas e ambos, respectivamente. O atendimento foi realizado presencialmente a 97,6% e por teleconsulta a 2,4%.
A pediculose foi a principal dermatose atendida, seguida por traumas e ferimentos (escoriações por trauma, lacerações, cortes) e infecções bacterianas (impetigo, celulite e sífilis). Também foram identificadas micoses, escabiose, picada de inseto, dermatoviroses (herpes simples e herpes‐zóster), dermatite de contato, dermatoses não especificadas, dermatite seborreica, prurido, dermatite atópica, dermatite área das fraldas e onicocriptose.
As dermatoses infecciosas ocorreram mais no gênero feminino e a do grupo dos traumas/ferimentos no masculino. As médias etárias entre os pacientes com dermatoses infecciosas, inflamatórias e traumáticas foram de 29,4 anos, 24,0 anos e 31,6 anos, respectivamente, enquanto aqueles com miscelânea ou não especificadas apresentaram média de 40,3 anos.
Em conclusão, Webber e colaboradores (2025) demonstraram a importância da dermatologia no cuidado à população afetada pelas enchentes e inundações. A pesquisa identificou diversas dermatoses, principalmente as de caráter infeccioso (como pediculose, infecções bacterianas, micoses e escabiose), traumáticas/por ferimentos e inflamatórias. Essas doenças demonstraram a necessidade de medidas preventivas e de tratamento rápido em situações de emergência.