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/ Publicado el 5 de septiembre de 2022

COVID-19

COVID prolongada: primeiro teste de sangue para diagnosticar quadro é aprovado

Resultados de precisão superior a 90%

O primeiro teste de sangue para auxiliar no diagnóstico da síndrome da COVID prolongada – persistência dos sintomas ligados ao SARS-CoV-2 após três meses da infecção aguda – foi aprovado pela União Europeia. A empresa IncellDx, dos Estados Unidos, responsável pelo desenvolvimento do exame, espera levá-lo ao mercado nos países do bloco ainda em setembro. O aval foi dado após análises de estudos que indicaram precisão superior a 90% para identificar o quadro.

“Com tantas pessoas na Europa e em todo o mundo sofrendo de sintomas prolongados da COVID-19, sem um diagnóstico disponível para confirmar a condição, estamos muito satisfeitos em receber a aprovação”, diz o CEO da IncellDx, Bruce Patterson, em comunicado.

O teste foi desenvolvido baseado em estudos publicados na revista científica Frontiers in Immunology que demonstraram marcadores inflamatórios no organismo de pacientes com sintomas por até 15 meses após a contaminação pelo SARS-CoV-2, em comparação com um grupo de pessoas saudáveis. Aqueles com os sintomas pós-COVID-19 apresentavam proteínas do coronavírus de forma persistente nos monócitos – células que fazem parte do sistema imunológico – CD14+ e CD16+, por exemplo.

A partir dessas informações, os pesquisadores da IncellDx desenvolveram um exame de sangue capaz de identificar esses marcadores. Para Patterson, o teste é importante uma vez que a COVID prolongada pode ser facilmente confundida com outros problemas de saúde. Por isso, um diagnóstico mais preciso pode auxiliar no direcionamento para melhores tratamentos e no próprio entendimento do quadro, que ainda não é completamente desvendado pelos médicos.

“A Covid prolongada apresenta um desafio significativo de diagnóstico e tratamento para os pacientes. Muitos dos sintomas associados ao quadro, incluindo fadiga, confusão mental, falta de ar, insônia e uma ampla gama de problemas cardiovasculares, podem ser facilmente confundidos com outras condições. Ter uma ferramenta eficaz – e principalmente objetiva - para diagnosticar a condição é absolutamente essencial. Um teste objetivo que possa detectar assinaturas imunológicas específicas para a COVID prolongada é vital para um diagnóstico eficaz e para permitir que os pacientes procurem o melhor tratamento”, acrescenta o CEO da IncellDx.

De acordo com a empresa, os testes com o novo exame indicaram uma precisão superior a 90% para identificar o quadro. Embora ainda não tenha um tratamento específico, já que as próprias causas do quadro ainda são alvo de investigação, o exame pode oferecer respostas a pessoas que não entendem por que estão se sentindo tão cansadas ou com uma tosse contínua, por exemplo.

Prevalência da COVID prolongada

Segundo um estudo recente publicado no periódico The Lancet, metade dos pacientes hospitalizados pela COVID-19 ainda apresentavam ao menos um sintoma da doença mesmo após dois anos da infecção. As queixas mais comuns foram fadiga e falta de ar.

Pela facilidade na confusão dos sintomas com outros problemas de saúde – problema que o teste pode ajudar a solucionar – uma série de estudos apontaram prevalências distintas da síndrome entre a população contaminada pela COVID-19, mas que não precisou ser hospitalizada.

Um dos trabalhos que apontou a maior incidência foi conduzido pela Fundação Oswaldo Cruz, em Minas Gerais (Fiocruz Minas). Os pesquisadores acompanharam 646 pacientes diagnosticados com o novo coronavírus e constataram que também metade ainda apresentava sintomas por um período que ultrapassava um ano da infecção. A pesquisa foi publicada na revista científica Transactions of the Royal Society of Tropical Medicine and Hygiene.

No período da análise, as vacinas ainda não estavam amplamente disponíveis, o que pode ter influenciado o resultado. O problema mais comum entre os pacientes foi a fadiga, relatada por 35,6% dos participantes. Já a tosse persistente apareceu logo depois, descrita por 34%, seguida pela dificuldade para respirar, por 26,5%, e pela perda de olfato ou paladar, por 20,1%.

Um outro trabalho, mais recente, publicado na The Lancet, estimou uma prevalência menor: uma em cada oito pessoas infectadas com a COVID-19 desenvolveu ao menos um dos sintomas da COVID prolongada. Conduzido por pesquisadores da Universidade de Groningen, na Holanda, o estudo teve o diferencial de ter acompanhado um amplo grupo com 76.400 adultos, e ter comparado os relatos dos contaminados com os de indivíduos que não foram infectados pelo SARS-CoV-2.