Medical News

/ Published on August 25, 2022

COVID-19 prolongada: 50% dos pacientes hospitalizados por coronavírus ainda têm sintomas após dois anos

No total, 68% tiveram pelo menos um sintoma 6 meses após a alta.

Desde que a pandemia começou, diversos estudos pesquisaram o impacto do SARs-CoV-2 ao longo do tempo. Com isso, diversas evidências que pessoas que se curaram da COVID-19, ou seja, não tinham mais o SARs-CoV-2 detectado no PCR, não tinham se recuperado completamente. Elas relaram diversos sintomas, desde a perda de olfato ao nevoeiro mental, passando por palpitações e dores nas articulações, muitos dos afetados estavam com a COVID-19 prolongada. No entanto, ainda há diversos pontos a serem solucionados, como: quanto tempo dura? Por que apenas alguns desenvolvem? Quando todos os sintomas desaparecerão completamente?

Para solucionar esses mistérios, Bin e colaboradores (2022) acompanharam, desde o início da pandemia, a evolução de centenas de pessoas infectadas nos primeiros meses de 2020 e publicaram seus resultados de visitas feitas ao longo de 24 meses na revista ­The Lancet Respiratory Medicine.

— Nossas descobertas indicaram que, embora possam ter eliminado a infecção inicial, um certo número de sobreviventes da COVID-19 que foram hospitalizados precisa de mais de dois anos para se recuperar totalmente — disse Bin Cao, principal autor do acompanhamento e professor do Hospital de Amizade China-Japão, em uma nota. Especificamente, das quase 1.200 pessoas que participaram do estudo durante esse tempo, 68% tiveram pelo menos um sintoma 6 meses após a alta. O percentual caiu para 49% no final do ano, mas voltou a subir para 55% na última revisão, em 24 meses.

Para a COVID persistente, já foram descritos mais de 200 sintomas ou sequelas. No caso desta amostra de Wuhan, todas afetadas pela variante Alfa do coronavírus, um terço dos entrevistados sofria de fraqueza ou fadiga muscular, 25% tinham algum distúrbio do sono e 12% sofriam de perda total ou parcial do cabelo. Entre os 10 sintomas mais comuns, e todos abaixo de 10% estão também distúrbios do olfato ou paladar, dores nas articulações, palpitações, tonturas ou mialgias. Embora a COVID-19 seja uma doença causada por um vírus respiratório, o único sintoma relacionado na lista é a dor no peito. Na maioria dos casos, dois ou mais problemas ocorrem simultaneamente.

O estudo demonstrou que, com poucas exceções, a maioria dos sintomas desapareceu ao longo do tempo.  Por exemplo, mais da metade dos participantes relataram fraqueza muscular aos seis meses, e ao final do estudo, essa porcentagem caiu para metade. Além disso, problemas com cabelo e cheiro tiveram reduções semelhantes. No entanto, algumas manifestações aumentaram ao longo do tempo, como mialgia e tontura.

Os autores afirmaram que esse aumento deve ter ocorrido porque alguns pacientes mudam para melhor ou pior entre as entrevistas e os questionários foram administrados por pessoas e métodos diferentes.