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Publicado el 25 de marzo de 2026

Fibrose hepática

Como usar a elastografia 2D na MASLD?

Meta análise com mais de 2.000 pacientes mostrou que exame apresenta cutoffs validados para estágios avançados de fibrose na MASLD, com nuances importantes por fenótipo clínico e tipo de equipamento.

Autor/a: Indre, M. G. et al.

Fuente: Hepatology. 2025 Aug 1;82(2):454-469.

A doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica (MASLD) representa um desafio crescente na prática clínica, especialmente pela forte associação entre fibrose hepática e desfechos adversos, incluindo aumento de mortalidade geral, mortalidade relacionada ao fígado e maior risco cardiovascular. Por isso, a identificação precisa dos estágios de fibrose, principalmente F3-F4, é essencial para estratificação de risco e definição de condutas.

Embora a biópsia hepática permaneça o padrão‑ouro, suas limitações práticas impulsionaram o desenvolvimento de métodos não invasivos, como a elastografia hepática transitória controlada por vibração (VCTE). No entanto, fatores como obesidade e acesso restrito podem comprometer seu desempenho limitar sua aplicabilidade

Nesse cenário, a elastografia por onda de cisalhamento bidimensional (2D‑SWE) surge como alternativa promissora, integrada aos aparelhos modernos de ultrassom e capaz de combinar avaliação estrutural e mensuração da rigidez hepática em um único exame. No entanto, a heterogeneidade entre fabricantes ainda gera inconsistências nos pontos de corte. Se adequadamente validada, a 2D-SWE poderia ser integrada a fluxos de triagem e acompanhamento, ampliando o acesso à avaliação da fibrose hepática em diferentes níveis de atenção.

Diante disso, o estudo de Indre e colaboradores (2024) realizou uma revisão sistemática e uma meta‑análise de efeitos aleatórios para determinar a acurácia diagnóstica da 2D‑SWE em pacientes com MASLD confirmada por biópsia e propor pontos de corte confiáveis para cada estágio de fibrose.

O estudo realizou uma busca sistemática nas bases PubMed/MEDLINE, Embase, Scopus, Web of Science, LILACS e Cochrane Library para identificar artigos em texto completo publicados em qualquer idioma até fevereiro de 2024. Foram incluídos estudos que relataram a mensuração da rigidez hepática por elastografia por 2D-SWE e utilizaram o diagnóstico histológico como padrão‑ouro.

Também foram conduzidas análises de subgrupos considerando o tipo de equipamento de ultrassom, características das populações estudadas e comorbidades como diabetes tipo 2 e obesidade.

A revisão sistemática incluiu 20 estudos observacionais, totalizando 2.223 pacientes com MASLD confirmada por biópsia, com ampla variação de idade, sexo e IMC e predomínio de obesidade. No conjunto global, a 2D‑SWE mostrou bom desempenho diagnóstico, com pontos de corte ideais de 6,4 kPa para ≥F1, 8,2 kPa para ≥F2, 9,4 kPa para ≥F3 e 11,5 kPa para F4, com sAUC variando de 0,82 a 0,89.

Em análises por subgrupos, populações asiáticas apresentaram pontos de corte discretamente mais altos (≥F1 6,95 kPa; ≥F2 8,56 kPa; ≥F3 10,18 kPa; F4 12,47 kPa), enquanto em pacientes com diabetes tipo 2 (DM2) os limiares foram ligeiramente menores para os estágios intermediários (≥F2 7,96 kPa; ≥F3 9,01 kPa) e um pouco maior para cirrose (F4 11,76 kPa), diferenças pequenas, mas clinicamente úteis para ajustar sensibilidade e especificidade conforme o contexto. Três estudos que reportaram em m/s mostraram consistência com pontos de corte de 1,48 m/s (≥F2), 1,63 m/s (≥F3) e 1,75 m/s (F4).

Além disso, observou‑se  variação esperada entre fabricantes, com desempenho global semelhante e valores de corte próximos entre SuperSonic Imagine, Canon/Toshiba e GE Healthcare.

Em resumo, a técnica apresentou bom desempenho para identificar os diferentes estágios de fibrose em MASLD, oferecendo pontos de corte padronizados úteis para a prática. A interpretação deve considerar a probabilidade pré‑teste, o fenótipo do paciente, a plataforma de ultrassom utilizada e o cenário de prevalência local. Na dúvida diagnóstica ou em zonas cinzentas, recomendou‑se combinar a elastografia com marcadores séricos e repetir a LSM quando necessário. Embora os resultados tenham sido consistentes e reforcem a aplicabilidade da 2D‑SWE, a padronização entre fabricantes e estudos prospectivos adicionais ainda são necessários para aprimorar a acurácia e a confiabilidade desses limiares na prática real.


Link: Diagnostic accuracy of 2D-SWE ultrasound for liver fibrosis assessment in MASLD: A multilevel random effects model meta-analysis - PMC