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/ Publicado el 23 de noviembre de 2020

IVAS

Como será o tratamento das infecções das vias aéreas superiores (IVAS) na volta às aulas?

Uma das estratégias adotadas para diminuir a propagação do coronavírus foi a suspensão das aulas, diminuindo a incidência de outras IVAS. Com o retorno das aulas presenciais, qual será o comportamento das IVAS?

Autor/a: Fabrízio Ricci Romano

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Indice
1. Página 1
2. Referências bibliográficas

Desde o início da pandemia de COVID-19 em nosso país, uma das estratégias adotadas para diminuir a propagação do vírus foi a suspensão das aulas das crianças de todas as idades. Apesar de ainda não termos dados concretos da efetividade dessa estratégia em relação ao SARS-CoV-2, pudemos observar uma diminuição muito importante na incidência de outras infecções das vias aéreas, tanto virais quanto bacterianas.

O Pronto-Socorro de Otorrinolaringologia do Sabará Hospital Infantil teve uma diminuição de 75% no volume de pacientes nos meses de abril, maio e junho, por exemplo. Ou seja, tivemos uma comprovação em vida real de que o afastamento das crianças da escola, associado ao distanciamento social dos pais impacta drasticamente a prevalência das infecções das vias aéreas superiores. Resta Saber como será o comportamento das IVAS quando houver o retorno às aulas.

Ainda temos mais perguntas do que respostas. A seguir, serão elencadas algumas das principais questões e ponderações, muitas das quais foram abordadas em recente webinar promovido pela Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), com a visão do otorrinolaringologista, imunologista pediátrico e infectologista pediátrico¹.

 

Mesmo com o retorno às aulas, outras medidas adotadas pela população, como home office, higienização frequente das mãos, uso de máscaras etc. podem manter a incidência das IVAS abaixo dos índices de anos anteriores?

Sabemos que, após essa pandemia, dificilmente as coisas voltarão a ser exatamente como eram. Crises sempre são momentos de mudança de hábitos e paradigmas. Muito provavelmente essas mudanças farão com que os vírus respiratórios tenham maior dificuldade de se espalhar pela população em geral. Porém, pensando especificamente nas crianças, é difícil acreditar que, nas escolas, o contágio também seja reduzido, especialmente entre as menores. Sabemos que a escola exerce um papel fundamental, não apenas informativo, mas também de promover relacionamento social e interatividade entre os alunos; por isso, é improvável que medidas de distanciamento sejam adotadas em longo prazo.

No próximo outono-inverno, que é a parte do ano com mais casos de IVAS, teremos a volta imediata dos casos? Ou a menor circulação de vírus neste ano fará com que o retorno seja progressivo?

Com o relaxamento das medidas de distanciamento social, começaram a aparecer quadros de IVAS e síndrome gripal sem relação com a COVID-19, indicando que os outros vírus respiratórios voltaram a circular. Somado a isso há o fato de que eles são altamente contagiosos e de fácil disseminação². Podemos esperar na próxima sazonalidade uma volta quase total dos casos de IVAS entre as crianças caso as medidas restritivas já tenham sido suspensas.

Aa não exposição a vírus respiratórios neste ano pode fazer com que, ano que vem, tenhamos mais indivíduos suscetíveis? Além do aumento de casos, teríamos casos mais graves?

Apesar da alta mutabilidade dos vírus respiratórios, um ano de baixa circulação apenas não deve ser suficiente para que o número de indivíduos com maior suscetibilidade a eles seja significativo. Portanto, não devemos esperar um aumento na incidência ou na gravidade dos casos. Apesar disso, existem teorias de que alguns vírus, como o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), quando afeta crianças de até um ano, podem facilitar a ocorrência de asma, por exemplo. Uma coorte de pacientes que não foram afetados e o surgimento dos mesmos pelos anos seguintes poderia confirmar essas teorias³.

Podemos esperar que, futuramente, os pais e pacientes não se contentem mais com o diagnóstico de “virose” ou IVAS, e queiram saber qual é o vírus causador? Os exames de perfil viral se tornarão mais frequentes?

Com certeza. Um dos efeitos desta pandemia foi munir o público de muita informação a respeito de infecções virais respiratórias, métodos de disseminação, prevenção e diagnóstico. Pela primeira vez, a população leiga está discutindo testes sorológicos ou de detecção viral. Acredito que esse é um caminho sem volta, e que, no futuro, as IVAS serão diagnosticadas de forma mais precisa, especialmente nos quadros mais intensos. Apesar de já disponíveis, os exames de perfil viral são pouco utilizados na prática pelo desconforto da colheita, mas principalmente por não ser coberto pelo SUS e por operadoras de saúde suplementar. Com a maior familiaridade dos pacientes com o método e a percepção da importância do exame, a tendência é que ele passe a constar na rotina de atendimento.

O tratamento das IVAS continuará baseado em medicamentos sintomáticos e de prevenção de complicações bacterianas ou medicamentos de ação antiviral serão mais utilizados?

Hoje, o tratamento das IVAS baseia-se principalmente no alívio sintomático, com o uso de analgésicos, antipiréticos, anti-inflamatórios e descongestionantes, assim como na prevenção de infecções bacterianas secundárias. Atuando nessas duas frentes, temos a lavagem nasal e os fluidificantes/expectorantes.

A lavagem nasal é sabidamente eficaz na remoção de secreções das fossas nasais e cavidades paranasais, trazendo alívio sintomático, mas também prevenindo complicações bacterianas pelo aumento do clearance mucociliar. Além disso, a lavagem nasal também é eficaz na prevenção dos quadros de IVAS, motivo pelo qual deve ser indicada como profilaxia e tratamento4.

Expectorantes e fluidificantes, como extrato de Hedera Helix, atuam na tosse diminuindo os sintomas em pacientes com IVAS5, mas também melhoram o clearance mucociliar.

Já para o tratamento específico, a única droga com ação antiviral comumente utilizada é o oseltamivir, para os quadros de influenza.

Por conta da COVID-19, há uma procura grande por uma medicação que consiga atuar diretamente sobre os vírus, então novos medicamentos devem surgir para os outros vírus respiratórios.

Uma opção muito interessante já existente no mercado é o extrato de Pelargonium sidoies (EPs 7630), que atua nas IVAS direta e indiretamente. Ele inibe a replicação viral pela inibição da neuraminidase, tendo efeitos comprovados in vivo e in vitro contra vários vírus respiratórios, inclusive do tipo coronavírus, como podemos ver nas figuras 1 e 26,7. Além disso, ele promove benefícios indiretos, facilitando e acelerando a produção de interferon8, aumentando a velocidade de recrutamento de macrógafos9 e estimulando as células natural killer8. Também exerce um efeito de aumento do clearance mucociliar10.

O EPs 7630 diminui os sintomas das IVAS e a duração da doença¹¹, com excelente perfil de segurança.

 

EPs 7630 – Inibe a replicação viral (in vitro)6

PATÓGENOINIBIÇÃO POR EPs 7630
Vírus Coxsackie A9++
Coronavírus Humano HCoV-229E+
Vírus Infuenza A H1N1+++
H1N1 sazonal resistente ao oseltamivir+++
Vírus Influenza A H3N2+++
Vírus Parainfluenza 3 ++
Vírus Sincicial Respiratório (RSV)+++
Adenovírus (Tipos 3, 5, 7)-
Rinovírus 16-

 

EPs 7630 – Inibe a replicação viral/neuraminidase (in vitro/in vivo)6

Vírus Influenza A H3N2+++                                  
H1N1 sazonal resistente ao oseltamivir+++
Vírus Influenza A H3N2+++

 

Como será o comportamento dos médicos que tratam as IVAS? Continuarão usando EPIs e com medidas mais rigorosas de higienização do consultório?

Esse também parece um caminho sem volta. A adoção dos EPIs deve manter-se entre os profissionais que ligam com doenças infectocontagiosas. Medidas de higienização, tanto dos materiais utilizados no atendimento quanto do ambiente em si também devem ser mantidas. Os próprios pacientes passarão a exigir tais cuidados. Salas de espera mais amplas e arejadas serão um diferencial. O profissional que evitar recepções lotadas também se destacará.

 


O autor, Dr. Fabrízio Ricci Romano – CRM: 90795–SP

Doutor em Ciências pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); pós-doutorando na FMUSP-RP; presidente da Academia Brasileira de Rinologia (ABR); coordenador de Otorrinolaringologia do Sabará Hospital Infantil