Universidade de Minnesota
Os farmacêuticos são frequentemente reconhecidos como um componente crítico da equipe de atenção primária. Um dos problemas atuais que esses farmacêuticos encontram é o crescimento da automedicação e o uso indiscriminado de medicamentos.
A integração de serviços clínicos com foco na otimização do uso de medicamentos no atendimento ao paciente pode ajudar membros da equipe de saúde a cumprirem objetivos como: melhorar a saúde da população, aumentar a satisfação do paciente e reduzir os custos de saúde. A gestão abrangente de medicamentos (CMM) promete como uma estratégia-chave atingir esses objetivos.
A CMM é uma abordagem centrada no paciente para otimizar o uso do medicamento e aumentar a saúde do paciente que é entregue por um farmacêutico trabalhando em colaboração com o paciente e outros profissionais de saúde. Este atendimento garante que os medicamentos de cada paciente são avaliados individualmente para determinar que cada medicamento tem indicação adequada, é eficaz para a condição médica, é seguro e que o paciente é capaz de tomar o medicamento conforme pretendido e aderir ao regime prescrito. Como parte do serviço de CMM, o farmacêutico desenvolve uma terapia individualizada em colaboração com o paciente e com a equipe de saúde que atinge os objetivos pretendidos da terapia. Tudo isso ocorre porque o paciente entende, concorda e participa ativamente de todo o processo.
A prática do CMM pelo farmacêutico é orientada por 5 princípios filosóficos:
- A prática está enraizada em atender a uma necessidade social.
- O profissional assume responsabilidade por otimizar o uso de medicamentos.
- Os cuidados são fornecidos por meio de uma abordagem centrada no paciente.
- O atendimento é apoiado por um relacionamento contínuo entre paciente e farmacêutico.
- Todos os profissionais trabalham como um membro colaborativo da equipe de saúde.
O serviço de CMM, quando entregue com fidelidade, demonstrou efeitos positivos como: melhora saúde na saúde do paciente, melhor experiência do paciente e menor custo.
A literatura anterior não estabeleceu claramente a conexão de como os farmacêuticos e a gestão abrangente de medicamentos (CMM) contribuem para os elementos fundamentais reconhecidos da atenção primária. Nesta reflexão, examinou-se como a gestão abrangente de medicamentos se apoia e se alinha com os 4 C's de Starfield (primeiro contato, continuidade, integralidade e coordenação) para atenção primária.
- Em relação ao primeiro contato: Starfield observa que “deve haver um centro de saúde ou um lugar em particular provedor servindo como ponto de entrada na área de saúde”. A entrega do CMM suporta o primeiro contato por aumentar o acesso do provedor. O farmacêutico assume a responsabilidade por algumas das gestões de pacientes com doenças crônicas e acabam recebendo mais visitas. Além disso o serviço de CMM também se alinha com o pilar do primeiro contato porque o farmacêutico que fornece CMM assume a responsabilidade de otimizar o uso de medicamentos. Quando se estabiliza esse relacionamento com o paciente, o paciente faz o contato sobre preocupações e necessidades de medicação diretamente com o farmacêutico.
- Continuidade é o segundo pilar e é descrito como “os indivíduos usam sua fonte primária de atendimento para a maioria de suas necessidades de saúde”. Relações entre pacientes e farmacêuticos aumentam a chances de continuidade do tratamento, ou seja, os farmacêuticos que fornecem CMM se alinham com a continuidade porque garantem que estão fornecendo atendimento por meio de um relacionamento contínuo com o paciente. De fato, essa maior interação pessoal com um farmacêutico tem sido identificada como o principal preditor para a adesão de medicamentos.
- A integralidade é definida como a capacidade da equipe de atenção primária em lidar com os problemas de maneira integral da população. Para uma terapia ser totalmente abrangente, a atenção primária deve abordar todas as necessidades médicas de um paciente, o que inclui a otimização de medicamentos. Ou seja, o serviço de CMM alinha-se com esse pilar pois os farmacêuticos assumem a responsabilidade de otimizar todos os medicamentos que um paciente está tomando.
- A coordenação é um “estado de estar em harmonia numa ação ou esforço em comum”. A essência da coordenação é a disponibilidade de informações em todos os lugares que o paciente for. Os farmacêuticos trabalham como um colaborador da equipe de saúde, participando na obtenção de informações anteriores (por exemplo, histórico de medicação) que ajudam a informar o tratamento atual e assumir a responsabilidade na coordenação de cuidados em torno da otimização dos medicamentos.
Os autores concluiram que a gestão abrangente de medicamentos é um serviço que pode avançar a missão dos cuidados primários ao mesmo tempo que melhora o atendimento ao paciente. A medida que os líderes de saúde consideram maneiras de melhorar a prática, a maior incorporação de uma gestão abrangente de medicamentos deve ser uma consideração chave.