O diabetes permanece como uma das principais causas de mortalidade em países desenvolvidos, e muitos pacientes ainda não conseguem atingir as metas glicêmicas ideais. Barreiras incluem tanto determinantes socioeconômicos da saúde, quanto a fragmentação na prestação de cuidados. As diretrizes da American Diabetes Association (2025) reforçaram que consultas clínicas episódicas, isoladamente, não são suficientes para promover mudanças comportamentais duradouras ou garantir o controle adequado.
Nesse cenário, tecnologias móveis de saúde, especialmente intervenções por mensagens de texto, surgem como estratégias promissoras para complementar o acompanhamento presencial. Essas ferramentas são escaláveis, assíncronas e acessíveis, aproveitando hábitos já incorporados à rotina dos pacientes.
Para avaliar sua efetividade, Pirouzmand e colaboradores (2025) realizaram um estudo envolvendo adultos diabéticos com objetivo de estimar o impacto das mensagens de texto no controle glicêmico, verificar a persistência dos efeitos ao longo do tempo e identificar quais populações possam se beneficiar mais dessas abordagens.
A revisão sistemática e meta-análise seguiu as diretrizes Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) 2020 e incluiu buscas nas bases PubMed, EMBASE e Cochrane, abrangendo estudos publicados entre 2000 e 2023.
Foram incluídos 29 ensaios clínicos randomizados, envolvendo 6.552 participantes (idade média de 56 anos e hemoglobina glicada (HbA1c) basal em torno de 8,5%), que avaliaram intervenções automatizadas por mensagens de texto ou vídeo enviadas via SMS ou aplicativos móveis, com foco no controle glicêmico e na promoção de hábitos saudáveis. O desfecho primário foi a diferença na variação da HbA1c entre grupos intervenção e controle.
O tempo de intervenção variou de três meses a dois anos, com frequência entre uma mensagem a cada duas semanas e até 14 por semana. Cerca de um terço dos estudos ofereceu feedback automatizado personalizado.
De forma geral, as mensagens de texto foram associadas a reduções maiores na HbA1c em comparação ao cuidado padrão, especialmente nos primeiros meses. Aos três meses, a redução adicional foi de 0,29 pontos percentuais, e aos seis, 0,19 pontos. Aos doze, o efeito foi menor e não significativo. Subgrupos com HbA1c basal ≥8,6% apresentaram reduções mais expressivas, de até 0,48 pontos aos 3 meses e 0,36 pontos aos seis meses. Além disso, intervenções multimodais (mensagens associadas a outros recursos) mostraram maior impacto do quando comparada à intervenção isolada, com redução de 0,35 vs. 0,24 pontos, respectivamente.
A qualidade da evidência foi considerada moderada nos primeiros meses, mas caiu para baixa ou muito baixa em seguimentos mais longos devido à inconsistência e imprecisão.
Embora os efeitos sejam modestos, reduções de 0,2% a 0,3% na HbA1c podem ter impacto clínico relevante, pois foram associadas à diminuição do risco de complicações cardiovasculares e microvasculares quando aplicadas em larga escala.
Em resumo, as intervenções por mensagens de texto foram associadas a melhorias de curto prazo no controle glicêmico entre pacientes com diabetes, especialmente aqueles com HbA1c basal elevada. No futuro, essas intervenções podem atuar como um complemento prático ao cuidado presencial, embora sejam necessários estudos de maior qualidade e duração para sustentar seu impacto.