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/ Publicado el 1 de noviembre de 2024

Uma experiência brasileira em emergência pediátrica

Como incorporar a telemedicina na residência médica?

Este estudo descreveu uma proposta inovadora de formação em telemedicina

A telemedicina é definida como a prestação remota de serviços de saúde e fornecimento de informações clínicas, viabilizada pelo uso de tecnologias de informação e comunicação. Esse modelo apresenta vantagens significativas em comparação com a comunicação telefônica, especialmente pela possibilidade de interação audiovisual em tempo real, permitindo ao médico e ao paciente se comunicarem sob supervisão direta do profissional, no conforto do lar do paciente, assegurando uma abordagem mais completa e de qualidade.

A implementação de um serviço de telemedicina em instituições com programas de residência médica cria um ambiente propício para o ensino e a prática de atendimento remoto. Com o aumento exponencial de seu uso, surgiu com a necessidade de desenvolver um programa de ensino específico em telepediatria para integrar ao currículo da residência médica. Estudos indicaram que a educação formal em telessaúde eleva a confiança e o interesse dos residentes, aprimorando sua preparação para a prática clínica.

Nesse contexto, Severini e colaboradores (2023) objetivaram descrever a implementação da capacitação em atendimento por telemedicina no currículo dos residentes de pediatria e apresentar resultados preliminares desse avanço educacional. O estudo incluiu alunos do primeiro ano durante o estágio de emergência pediátrica e relatou a execução do treinamento em telemedicina em um pronto-socorro pediátrico.

Durante o estágio, aplicou-se a Avaliação de Reação, mas algumas respostas ficaram incompletas, o que limitou o alcance dos dados. No entanto, todos os 40 residentes responderam ao questionário de percepção enviado com o exame final de emergência pediátrica, resultando em uma adesão satisfatória.

Na avaliação pela perspectiva dos residentes, 7,5% classificaram os serviços como excelentes, 60% como bons e os outros 32,5% como regulares. As principais queixas relatadas foram dificuldades tecnológicas (conexão e qualidade de imagem), atendimento repetitivo (reavaliação de casos suspeitos da COVID-19) e pouca autonomia.

Quanto à relevância do treinamento, 92,5% classificaram o ensino em telepediatria como relevante, e os outros 3 residentes como de relevância parcial.

Considerando a assistência e supervisão durante o treinamento, 37 (92,5%) sentiram-se assistidos em todas as sessões. Por fim, 36 residentes (90%) consideraram que a rotação contribuiu para seu aprendizado em telemedicina, enquanto os outros 4 (10%) foram indiferentes a essa questão.

Na literatura, foram encontrados poucos estudos semelhantes, como o da Cleveland Clinic, que ofereceu uma rotação em telemedicina para residentes de Medicina Interna, incluindo avaliação de competências e feedback estruturado. A população estudada é menor, mas há similaridades na falta de experiência inicial e no desejo de incorporar a telemedicina na prática clínica. O feedback imediato e o uso de medidores foram pontos valorizados, assim como em outras experiências.

Estudos nos Estados Unidos apontaram que a pandemia impactou o ensino em pediatria, especialmente em competências ambulatoriais e processuais, mas também aumentou a participação dos residentes na telemedicina. Um exemplo é o programa de simulação virtual da Universidade de Yale, que atraiu grande interesse dos alunos e demonstrou que a adaptação do currículo às tecnologias digitais é essencial. O modelo de ensino em telemedicina proposto incluiu simulação, aulas teóricas, atendimentos reais e avaliações formativas, com potencial de aplicação em outras especialidades e etapas da formação médica.

Os objetivos do programa alinham-se ao currículo baseado em competências, promovendo habilidades como profissionalismo, comunicação e colaboração. A formação em telemedicina despertou o interesse dos residentes, mostrando-se uma oportunidade de aprendizado que também fortalece competências para o atendimento presencial, como o relacionamento médico-paciente e a identificação de gravidade.

Apesar das limitações tecnológicas, como conexão instável e qualidade de imagem, a telemedicina mostrou ser uma importante ferramenta para integrar profissionais e aprimorar o cuidado ao paciente, especialmente em regiões amplas como o Brasil. Barreiras tecnológicas e a necessidade de inclusão digital surgem como desafios para o avanço dessa modalidade.

O estudo apresentou algumas limitações, como sua natureza unicêntrica e a amostra reduzida, além do foco inicial em reavaliações de pacientes com queixas respiratórias. Mesmo assim, os residentes avaliaram que o treinamento em telemedicina contribuiu para sua formação, sem prejuízo na aprendizagem clínica.

Em conclusão, este estudo apresentou uma proposta inovadora de incluir a telemedicina no currículo dos residentes de pediatria, com resultados preliminares promissores que demonstram o potencial do programa para desenvolver competências essenciais para o atendimento virtual e presencial. Como próximos passos, pretende-se expandir a avaliação para outros níveis de Kirkpatrick, aprimorar a formação e o desenvolvimento de competências, aplicar avaliações de habilidades clínicas e atitudes, além de analisar o impacto de médio e longo prazo do rodízio na prática clínica dos futuros pediatras.