Artículos

/ Publicado el 31 de enero de 2026

Adesão ao tratamento

Como as redes sociais podem transformar o manejo da psoríase?

Estudo revelou que mensagens educativas via Facebook aumentaram adesão ao tratamento, reduziram gravidade da doença e melhoraram qualidade de vida dos pacientes.

A psoríase é uma doença crônica que impacta significativamente a qualidade de vida dos pacientes, principalmente devido às recaídas frequentes e à baixa adesão ao tratamento. Apesar dos avanços terapêuticos, a insatisfação e a adesão subótima persistem, reforçando a necessidade de estratégias educativas eficazes.

Uma estratégia para enfrentar esse desafio é utilizar as redes sociais, como o Facebook, para promover educação em saúde e melhorar a adesão ao tratamento. Intervenções digitais podem reduzir custos relacionados à duração prolongada do tratamento e ao uso repetitivo de medicamentos. No entanto, ainda há incertezas sobre a eficácia dessas abordagens, incluindo o tipo de conteúdo, frequência e formato das mensagens.

Diante disso, o estudo de Lavina e colaboradores (2025) avaliou se mensagens educativas e lembretes enviados pelo Facebook podem aumentar o conhecimento sobre a doença, melhorar a adesão ao tratamento e reduzir a gravidade da psoríase. Além disso, comparou duas estratégias de frequência: três vezes por semana versus apenas uma vez.

Foi realizado um ensaio clínico randomizado, controlado, com três braços paralelos e observador-cego, seguindo as diretrizes Consolidated Standards of Reporting Trials (CONSORT) e registrado no Australian New Zealand Clinical Trials Registry (ANZCTR). O estudo incluiu 159 pacientes com psoríase entre 18 e 65 anos, com pontuações Psoriasis Area and Severity Index (PASI) de 5 a 15, em uso de tratamento tópico, com acesso diário à internet e conta no Facebook.

 Os participantes foram distribuídos em três grupos: controle (sem mensagens), intervenção com envio de mensagens educativas e lembretes uma vez por semana e intervenção com envio três vezes por semana, durante 12 semanas. As mensagens, validadas por especialistas e traduzidas para inglês e filipino, abordaram aspectos como fisiopatologia, manifestações clínicas, comorbidades, tratamento e cuidados gerais.

Os desfechos primários foram adesão ao tratamento, avaliada pela escala Medication Adherence Report Scale (MARS-5), e conhecimento sobre psoríase, medido por questionário com 15 itens verdadeiro/falso. Como desfechos secundários, foram analisados gravidade da doença e satisfação com a intervenção. A coleta ocorreu em duas visitas: início e final da 12ª semana, com reaplicação dos instrumentos e avaliação clínica.

Houve melhora significativa na adesão ao tratamento nos grupos intervenção, especialmente no grupo que recebeu mensagens três vezes por semana, enquanto o grupo controle permaneceu estável. A gravidade da psoríase, medida por PASI, Body Surface Area (BSA) e Physician’s Global Assessment (PGA), reduziu de forma proporcional à frequência da intervenção, com maior benefício no grupo 3x/semana. A qualidade de vida (DLQI) também apresentou melhora significativa nos grupos intervenção, com reduções mais expressivas no grupo de maior frequência.

Além disso, o conhecimento sobre a doença aumentou em todos os grupos, inclusive no controle, mas os ganhos foram mais relevantes nos grupos que receberam mensagens. A satisfação com a intervenção foi alta, com pacientes demonstrando interesse em continuar e recomendar o serviço.

Em resumo, a adesão ao tratamento e o autocuidado adequado foi tão essencial quanto o acesso a medicamentos eficazes. O estudo demonstrou que intervenções simples, de baixo custo e escaláveis, realizadas por meio das redes sociais, podem complementar a educação tradicional oferecida em consultório, promovendo maior conhecimento sobre a doença, melhor adesão e redução da gravidade clínica. O uso do Facebook para enviar mensagens educativas e lembretes mostrou-se uma estratégia promissora, capaz de impactar positivamente o comportamento do paciente e sua qualidade de vida.