| Introdução |
Recentemente, o Programa Nacional de Educação e Prevenção da Asma (NAEPP, sua sigla em inglês) fez recomendações de mudança de paradigma em relação ao manejo dos inaladores na asma. A Iniciativa Global para Asma (GINA, sua sigla em inglês) recomenda a substituição dos β-agonistas de ação curta (SABA) pelos inaladores combinados de corticosteroide inalatório (ICS)-formoterol como terapia de alívio preferida em todas as etapas do tratamento da asma. Apesar de as diretrizes mais recentes não terem revisado o uso de ICS-formoterol de alívio na asma leve, elas também recomendam a terapia única de manutenção e alívio (SMART) nas etapas 3 e 4 do manejo da asma. Apesar destas recomendações, muitos médicos não os prescrevem. As razões para este fato, do ponto de vista clínico, permanecem inexploradas.
Com isso, Krings e colaboradores (2023) realizaram um estudo com objetivo de obter uma compreensão profunda sobre os fatores facilitadores e barreiras para a prescrição de inaladores de alívio ICS-formoterol e da terapia SMART nos Estados Unidos.
| Métodos |
Profissionais de cuidados primários comunitários e acadêmicos, pneumologistas e alergistas que relataram cuidar regularmente de adultos com asma foram questionados. As entrevistas foram gravadas, transcritas, codificadas qualitativamente e analisadas usando o Quadro Consolidado para Pesquisa de Implementação.
| Resultados |
Entre 20 médicos entrevistados, apenas 6 descreveram a prescrição regular de inaladores de ICS-formoterol como inaladores de alívio (isolados ou em associação na terapia SMART). A maioria dos médicos entrevistados não revisaram as recomendações da GINA e NAEPP, e aqueles que o fizeram, consideraram as evidências convincentes. No entanto, as recomendações de ambas são diferentes. A NAEPP defende que um ICS de dose baixa poderia ser acionado com um β-agonista de curta ação (SABA) de alívio separado como alternativa na etapa 2. Nas entrevistas, a maioria dos médicos não acreditava que os pacientes usariam 2 inaladores separados como alívio.
Barreiras significativas para novas abordagens de inaladores incluíram preocupações em torno de uma falta de rotulagem da Food and Drug Administration (FDA) para ICS-formoterol como terapia de alívio, falta de conhecimento sobre as opções de formulações de beta-agonistas de ação prolongada (LABA) preferidas pelo paciente e o alto custo dos dispositivos; assim como as restrições de tempo. Alguns explicaram que as elevadas exigências clínicas e as tarefas administrativas limitaram a sua capacidade de rever as complexidades das novas diretrizes. Além disso, embora muitos estivessem dispostos a dedicar tempo à educação dos seus pacientes sobre as novas tendências em dispositivos inalatórios, alguns disseram que estavam preocupados com o fato de seu valioso tempo clínico ser “desperdiçado” se um ICS-formoterol não fosse abrangido no final, ou se pudesse ser substituído eventualmente por um ICS-LABA (não formoterol).
Os principais facilitadores incluíram crenças dos médicos de que as recomendações mais recentes sobre inaladores são mais simples e mais congruentes com o comportamento dos pacientes do mundo real, e que uma potencial mudança na estratégia de manejo possa oferecer uma oportunidade valiosa para tomada de decisão compartilhada.
Além disso, o estudo demonstrou que os facilitadores para aumentar a prescrição dos inaladores incluem a simplicidade de uma abordagem de inalador único e a intuição dos médicos de que essa estratégia tem sentido, do ponto de vista fisiológico”.
| Conclusão |
Embora existam novas diretrizes sobre asma, muitos médicos descreveram barreiras significativas ao seu uso, incluindo questões médico-legais, confusão nos formulários e altos custos dos medicamentos. No entanto, a maioria dos profissionais acreditou que as abordagens mais recentes seriam mais intuitivas para os seus pacientes e ofereceriam uma oportunidade para colaboração e cuidados centrados no paciente.