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/ Publicado el 18 de febrero de 2021

Novidades no tratamento

Combo de medicamentos de duração prolongada para HIV é aprovado nos EUA

O FDA aprovou em janeiro o uso do produto, uma injeção mensal de liberação prolongada, em substituição das cápsulas diárias usadas para o tratamento do vírus da AIDS

A Food and Drugs Administration, agência regulatória dos EUA, aprovou a primeira combinação de drogas de longa ação para o HIV. São injeções mensais que podem vir a substituir a terapia mais comum atualmente, que são pílulas tomadas diariamente.

O medicamento, chamado Cabenuva, é uma esperança de que a medicação para HIV possa ser feita com maior conforto e privacidade. A mudança, quando comparada aos regimes terapêuticos anteriores, é marcante: pacientes precisavam tomar diversos comprimidos ao dia, com intervalos cronometrados entre eles.

"Vai melhorar a qualidade de vida, precisar de tratamento apenas uma vez por mês”, disse o Dr. Steven Deeks, especialista em HIV da Universidade da Califórnia, em San Francisco, que não tem vínculos com os fabricantes do medicamento.

“As pessoas não querem lembretes diários de que estão infectadas com o HIV”.

O produto combina rilpivirina, comercializada pela Janssen, e um novo medicamento - cabotegravir, da ViiV Healthcare. Serão embalados juntos e administrados em doses separadas, uma vez por mês. Também vem sido testada a posologia a cada dois meses.

Cabenuva foi aprovado exclusivamente para uso em adultos, que tenham a infecção bem controlada por medicamentos convencionais para o HIV, e que não demonstrem resistência viral aos dois fármacos da composição. Foi também aprovada a formulação em cápsulas, para ser tomada juntamente a rilpivirina por um mês antes da troca para a forma injetável para que seja observada se a combinação será bem tolerada pelo paciente.

A fabricante divulgou que o produto custará US$5.940 a primeira dose (de maior concentração), e US$ 3.960 as seguintes. Segundo a empresa, os valores se encontram "dentro da faixa" de de custo mensal de tratamento com comprimidos diários. O preço final para o paciente irá depender de seguros, rendas e outras variáveis.

Estudos descrevem que pacientes tendem a preferir mais as injeções.

"As pessoas que estão tomando uma pílula uma vez por dia apenas relataram melhora em sua qualidade de vida ao mudar para uma injeção ao mês", disse a Dra. Judith Currier, especialista em HIV da Universidade da Califórnia, Los Angeles.

Ela é consultora da ViiV, e escreveu um comentário que acompanha o estudo do produto publicado no New England Journal of Medicine.

Dr. Deeks disse que as aplicações de longa duração dão esperança de atingir grupos que tenham dificuldades de manter a rotina diária do tratamento, incluindo pessoas com doenças mentais ou problemas de abuso de substâncias. "Há uma grande necessidade que poderá ser atendida”, disse ele.


Imagem: Freepik.com