A inserção do dispositivo intrauterino (DIU) em mulheres nuligestas, não é tecnicamente mais difícil do que nas que já tiveram filhos. No entanto, as nuligestas relatam significativamente mais dor durante o procedimento. Diversas técnicas foram avaliadas na tentativa de reduzir essa queixa, mas a maioria demonstrou pouca ou nenhuma eficácia.
Injeções locais de lidocaína têm mostrado potencial para aliviar a dor durante a inserção do DIU. Diferente do bloqueio paracervical, que atua como um bloqueio nervoso periférico, o intracervical funciona como um analgésico infiltrativo, distendendo os tecidos e interrompendo mecanicamente os impulsos nervosos. Em teoria, essa técnica requer menos precisão do que o bloqueio nervoso e pode ser mais fácil de realizar e reproduzir.
Nesse contexto, Nadai e colaboradores (2020) realizaram um estudo para avaliar se um bloqueio intracervical com 3,6 mL de lidocaína a 2% seria eficaz na redução da dor imediatamente após a colocação da Pozzi e durante a inserção do dispositivo intrauterino de levonorgestrel (DIU-LNG) em mulheres nuligestas.
Para o ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado, mulheres nuligestas foram randomizadas na proporção 1:3 para a inserção do sistema intrauterino liberador de levonorgestrel 52 mg, recebendo uma das seguintes intervenções: (1) bloqueio intracervical com 3,6 mL de lidocaína a 2%, (2) injeção simulada (agulhamento seco intracervical) ou (3) nenhuma intervenção.
O desfecho primário foi a dor durante a inserção do DIU-LNG, enquanto os secundários incluíram a dor associada à colocação da Pozzi, facilidade de inserção e experiência geral com o procedimento. A intensidade da dor foi avaliada por meio de uma escala visual analógica de 10 cm e a Faces Pain Scale de 5 pontos, com os escores de dor categorizados em níveis (nenhuma, leve, moderada e grave) e também analisados como uma variável contínua, utilizando a média e intervalo de confiança de 95%.
No estudo, um total de 302 mulheres foram randomizadas em três grupos: bloqueio intracervical (n = 99), injeção simulada (n = 101) e nenhuma intervenção (n = 102). O grupo que recebeu o bloqueio intracervical relatou significativamente menos casos de dor intensa em comparação com os outros grupos, tanto na colocação da Pozzi (bloqueio intracervical: 2% vs injeção simulada: 30,2% vs nenhuma intervenção: 15,2%; P < 0,0001) quanto na inserção do sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (bloqueio intracervical: 26,5% vs injeção simulada: 59,4% vs nenhuma intervenção: 50,5%; P < 0,0001).
A pontuação média de dor durante a inserção do DIU-LNG, expressa com intervalo de confiança de 95%, foi significativamente menor no grupo de bloqueio intracervical em comparação aos demais grupos (bloqueio intracervical: 4,3 [3,8–4,9] vs injeção simulada: 6,6 [6,2–7,0], P < 0,0001; bloqueio intracervical: 4,3 [3,8–4,9] vs nenhuma intervenção: 5,8 [5,3–6,4], P < 0,0001).
Além disso, as mulheres do grupo de bloqueio intracervical relataram menos dor do que o esperado (P < 0,0001), classificaram a inserção como menos desconfortável (P < 0,0001) e mostraram maior disposição para repetir o procedimento no futuro (P < 0,01) em comparação com os outros grupos. A facilidade de inserção foi semelhante entre todos.
Uma das principais barreiras à aceitação do DIU é o receio da dor associada ao procedimento de inserção. O estudo de Nadai e colaboradores (2020) demonstrou que o uso de um bloqueio intracervical com 3,6 mL de lidocaína a 2% pode ser uma estratégia eficaz para reduzir a dor e o desconforto intensos durante a inserção do DIU-LNG em mulheres nulíparas. Essa intervenção pode ser uma alternativa viável para melhorar a experiência da paciente, contribuindo para maior aceitabilidade do dispositivo. Além disso, os resultados abrem novas possibilidades para o desenvolvimento de métodos futuros e estudos adicionais sobre analgesia em procedimentos ginecológicos.
Published on November 6, 2024
Ensaio clínico randomizado
Colocação de DIU em mulheres nuligestas
Bloqueio intracervical para colocação de sistema intrauterino liberador de levonorgestrel entre mulheres que nunca engravidaram
Author: Nadai, M. et al. (2020)
Fuente: AJOG Intracervical block for levonorgestrel-releasing intrauterine system placement among nulligravid women: a randomized double-blind controlled trial
A inserção do dispositivo intrauterino (DIU) em mulheres nuligestas, não é tecnicamente mais difícil do que nas que já tiveram filhos. No entanto, as nuligestas relatam significativamente mais dor durante o procedimento. Diversas técnicas foram avaliadas na tentativa de reduzir essa queixa, mas a maioria demonstrou pouca ou nenhuma eficácia.
Injeções locais de lidocaína têm mostrado potencial para aliviar a dor durante a inserção do DIU. Diferente do bloqueio paracervical, que atua como um bloqueio nervoso periférico, o intracervical funciona como um analgésico infiltrativo, distendendo os tecidos e interrompendo mecanicamente os impulsos nervosos. Em teoria, essa técnica requer menos precisão do que o bloqueio nervoso e pode ser mais fácil de realizar e reproduzir.
Nesse contexto, Nadai e colaboradores (2020) realizaram um estudo para avaliar se um bloqueio intracervical com 3,6 mL de lidocaína a 2% seria eficaz na redução da dor imediatamente após a colocação da Pozzi e durante a inserção do dispositivo intrauterino de levonorgestrel (DIU-LNG) em mulheres nuligestas.
Para o ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado, mulheres nuligestas foram randomizadas na proporção 1:3 para a inserção do sistema intrauterino liberador de levonorgestrel 52 mg, recebendo uma das seguintes intervenções: (1) bloqueio intracervical com 3,6 mL de lidocaína a 2%, (2) injeção simulada (agulhamento seco intracervical) ou (3) nenhuma intervenção.
O desfecho primário foi a dor durante a inserção do DIU-LNG, enquanto os secundários incluíram a dor associada à colocação da Pozzi, facilidade de inserção e experiência geral com o procedimento. A intensidade da dor foi avaliada por meio de uma escala visual analógica de 10 cm e a Faces Pain Scale de 5 pontos, com os escores de dor categorizados em níveis (nenhuma, leve, moderada e grave) e também analisados como uma variável contínua, utilizando a média e intervalo de confiança de 95%.
No estudo, um total de 302 mulheres foram randomizadas em três grupos: bloqueio intracervical (n = 99), injeção simulada (n = 101) e nenhuma intervenção (n = 102). O grupo que recebeu o bloqueio intracervical relatou significativamente menos casos de dor intensa em comparação com os outros grupos, tanto na colocação da Pozzi (bloqueio intracervical: 2% vs injeção simulada: 30,2% vs nenhuma intervenção: 15,2%; P < 0,0001) quanto na inserção do sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (bloqueio intracervical: 26,5% vs injeção simulada: 59,4% vs nenhuma intervenção: 50,5%; P < 0,0001).
A pontuação média de dor durante a inserção do DIU-LNG, expressa com intervalo de confiança de 95%, foi significativamente menor no grupo de bloqueio intracervical em comparação aos demais grupos (bloqueio intracervical: 4,3 [3,8–4,9] vs injeção simulada: 6,6 [6,2–7,0], P < 0,0001; bloqueio intracervical: 4,3 [3,8–4,9] vs nenhuma intervenção: 5,8 [5,3–6,4], P < 0,0001).
Além disso, as mulheres do grupo de bloqueio intracervical relataram menos dor do que o esperado (P < 0,0001), classificaram a inserção como menos desconfortável (P < 0,0001) e mostraram maior disposição para repetir o procedimento no futuro (P < 0,01) em comparação com os outros grupos. A facilidade de inserção foi semelhante entre todos.
Uma das principais barreiras à aceitação do DIU é o receio da dor associada ao procedimento de inserção. O estudo de Nadai e colaboradores (2020) demonstrou que o uso de um bloqueio intracervical com 3,6 mL de lidocaína a 2% pode ser uma estratégia eficaz para reduzir a dor e o desconforto intensos durante a inserção do DIU-LNG em mulheres nulíparas. Essa intervenção pode ser uma alternativa viável para melhorar a experiência da paciente, contribuindo para maior aceitabilidade do dispositivo. Além disso, os resultados abrem novas possibilidades para o desenvolvimento de métodos futuros e estudos adicionais sobre analgesia em procedimentos ginecológicos.