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/ Publicado el 6 de noviembre de 2024

Ensaio clínico randomizado

Colocação de DIU em mulheres nuligestas

Bloqueio intracervical para colocação de sistema intrauterino liberador de levonorgestrel entre mulheres que nunca engravidaram

Introdução

A inserção do dispositivo intrauterino (DIU) em mulheres nuligestas, não é tecnicamente mais difícil do que nas que já tiveram filhos. No entanto, as nuligestas relatam significativamente mais dor durante o procedimento. Diversas técnicas foram avaliadas na tentativa de reduzir essa queixa, mas a maioria demonstrou pouca ou nenhuma eficácia.

Injeções locais de lidocaína têm mostrado potencial para aliviar a dor durante a inserção do DIU. Diferente do bloqueio paracervical, que atua como um bloqueio nervoso periférico, o intracervical funciona como um analgésico infiltrativo, distendendo os tecidos e interrompendo mecanicamente os impulsos nervosos. Em teoria, essa técnica requer menos precisão do que o bloqueio nervoso e pode ser mais fácil de realizar e reproduzir.

Nesse contexto, Nadai e colaboradores (2020) realizaram um estudo para avaliar se um bloqueio intracervical com 3,6 mL de lidocaína a 2% seria eficaz na redução da dor imediatamente após a colocação da Pozzi e durante a inserção do dispositivo intrauterino de levonorgestrel (DIU-LNG) em mulheres nuligestas.

Métodos

Para o ensaio clínico randomizado, duplo-cego e controlado, mulheres nuligestas foram randomizadas na proporção 1:3 para a inserção do sistema intrauterino liberador de levonorgestrel 52 mg, recebendo uma das seguintes intervenções: (1) bloqueio intracervical com 3,6 mL de lidocaína a 2%, (2) injeção simulada (agulhamento seco intracervical) ou (3) nenhuma intervenção.

O desfecho primário foi a dor durante a inserção do DIU-LNG, enquanto os secundários incluíram a dor associada à colocação da Pozzi, facilidade de inserção e experiência geral com o procedimento. A intensidade da dor foi avaliada por meio de uma escala visual analógica de 10 cm e a Faces Pain Scale de 5 pontos, com os escores de dor categorizados em níveis (nenhuma, leve, moderada e grave) e também analisados como uma variável contínua, utilizando a média e intervalo de confiança de 95%.

Resultados

No estudo, um total de 302 mulheres foram randomizadas em três grupos: bloqueio intracervical (n = 99), injeção simulada (n = 101) e nenhuma intervenção (n = 102). O grupo que recebeu o bloqueio intracervical relatou significativamente menos casos de dor intensa em comparação com os outros grupos, tanto na colocação da Pozzi (bloqueio intracervical: 2% vs injeção simulada: 30,2% vs nenhuma intervenção: 15,2%; P < 0,0001) quanto na inserção do sistema intrauterino liberador de levonorgestrel (bloqueio intracervical: 26,5% vs injeção simulada: 59,4% vs nenhuma intervenção: 50,5%; P < 0,0001).

A pontuação média de dor durante a inserção do DIU-LNG, expressa com intervalo de confiança de 95%, foi significativamente menor no grupo de bloqueio intracervical em comparação aos demais grupos (bloqueio intracervical: 4,3 [3,8–4,9] vs injeção simulada: 6,6 [6,2–7,0], P < 0,0001; bloqueio intracervical: 4,3 [3,8–4,9] vs nenhuma intervenção: 5,8 [5,3–6,4], P < 0,0001).

Além disso, as mulheres do grupo de bloqueio intracervical relataram menos dor do que o esperado (P < 0,0001), classificaram a inserção como menos desconfortável (P < 0,0001) e mostraram maior disposição para repetir o procedimento no futuro (P < 0,01) em comparação com os outros grupos. A facilidade de inserção foi semelhante entre todos.

Conclusão

Uma das principais barreiras à aceitação do DIU é o receio da dor associada ao procedimento de inserção. O estudo de Nadai e colaboradores (2020) demonstrou que o uso de um bloqueio intracervical com 3,6 mL de lidocaína a 2% pode ser uma estratégia eficaz para reduzir a dor e o desconforto intensos durante a inserção do DIU-LNG em mulheres nulíparas. Essa intervenção pode ser uma alternativa viável para melhorar a experiência da paciente, contribuindo para maior aceitabilidade do dispositivo. Além disso, os resultados abrem novas possibilidades para o desenvolvimento de métodos futuros e estudos adicionais sobre analgesia em procedimentos ginecológicos.

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