| Introdução |
A coceira, sendo o sintoma mais comum em dermatologia, demonstrou estar relacionada a fatores psicológicos, como estresse, ansiedade e depressão. Além disso, também foram encontradas associações com a percepção de estigmatização.
No entanto, faltam estudos que investiguem as diferenças entre pacientes com dermatoses com e sem prurido e o seu impacto psicológico. Por isso, Zeidler et al., (2024) realizaram um estudo com o objetivo de investigar essa relação em uma grande coorte de pacientes.
| Métodos |
Foram recrutados 3.399 pacientes com 14 diferentes dermatoses pruriginosas em 22 centros de 17 países europeus. Eles preencheram questionários para avaliar a percepção de estigmatização, estresse, sinais de ansiedade ou depressão clinicamente relevantes, qualidade de vida, estado geral de saúde, duração, frequência e intensidade da coceira.
| Resultados |
Dentre os 3.399 pacientes incluídos, 56% eram mulheres. Sinais clínicos de depressão e ansiedade foram relatados por 29,1% e 28,4% dos pacientes, respectivamente. Ademais, a mediana das pontuações foram 17 e 16 para a escala de estresse percebido e o questionário de estigmatização percebida.
Dos pacientes incluídos, 1.401 tinham psoríase, 352 dermatite atópica, 71 eczema de mãos, 173 urticária, 145 doenças bolhosas, 142 hidradenite supurativa, 127 prurigo crônico, 114 prurido crônico em pele não lesionada, 221 doenças do tecido conjuntivo, 257 outras dermatites/eczema, 118 "alergias ou reações de hipersensibilidade", 90 rosácea e 123 condições escamosas. Destes, 73,8% dos pacientes relataram ter coceira nas últimas 24 horas antes da avaliação
Tanto a maior duração (> 6 semanas) quanto a maior intensidade da coceira foi relatada por pacientes com prurido crônico em pele não lesionada.
O maior escore de estresse foi relatado por pacientes com hidradenite supurativa acompanhada de coceira, enquanto o menor com eczema de mãos sem prurido. Os com diagnóstico de doenças bolhosas e prurido nas últimas 24 horas sentiram-se mais estigmatizados, seguidos por pacientes com psoríase e prurido crônico.
Em todo o grupo, a intensidade da coceira foi significativamente relacionada de forma positiva ao estresse percebido, estigmatização, ansiedade, depressão e qualidade de vida.
A maior correlação entre intensidade da coceira e estresse percebido foi observada em pacientes com rosácea, e a maior entre estigmatização, ansiedade ou depressão foi na dermatite seborreica.
A análise de regressão linear por etapas revelou que, em todo o grupo de pacientes, 9,3% da intensidade da coceira podia ser prevista pelo sexo, ansiedade, depressão e estigmatização percebida. Mulheres e pacientes com escores mais altos de ansiedade, depressão e estigmatização percebida relataram intensidades mais elevadas.
| Conclusão |
O estudo enfatizou a conexão entre a experiência de coceira e sua intensidade e o impacto psicológico que isso causa nos indivíduos. Consequentemente, as intervenções psicológicas devem abranger tanto o tratamento do prurido em si quanto os fatores psicológicos interconectados.