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/ Published on December 3, 2025

FIGO

Cirurgia estética genital feminina: o que dizem as diretrizes?

Diretrizes internacionais alertam para a falta de evidências, riscos e implicações éticas na cirurgia estética genital feminina

Author: Lourdes, C. et al.

Fuente: Int J Gynecol Obstet. 2025; 170: 11-14. FIGO statement: Cosmetic genital surgery

A cirurgia estética genital feminina abrange procedimentos como labioplastia, redução do capuz do clitóris, aumento dos lábios maiores, vaginoplastia e técnicas a laser, realizados por motivos estéticos em mulheres sem alterações anatômicas ou funcionais. Nos últimos anos, a demanda por essas cirurgias cresceu significativamente, impulsionada principalmente por fatores como maior exposição à mídia, remoção de pelos pubianos e padrões estéticos idealizados.

Em 2013, o Royal College of Obstetricians and Gynecologists (RCOG) e o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG) destacaram a importância de informar as mulheres sobre as variações anatômicas normais e alertaram contra propagandas que induzem à ideia de que a cirurgia é necessária para alcançar uma aparência “normal”. A falta de terminologia padronizada e de pesquisas robustas contribui para incertezas sobre segurança e eficácia, já que a maioria dos estudos disponíveis é limitada e metodologicamente variável. Procedimentos como “rejuvenescimento vaginal” e técnicas a laser são amplamente divulgados, mas carecem de evidências científicas sólidas. Em 2018, a Food and Drug Administration (FDA) alertou contra o uso de dispositivos de energia, como o laser e radiofrequência, para fins estéticos ou para tratar sintomas ginecológicos.

Diretrizes da Society of Obstetrics and Gynecology of Canada (SOGC) e da International Federation of Gynecology and Obstetrics (FIGO) reforçaram que não há comprovação de benefícios para imagem corporal ou função sexual. A FIGO estabelece critérios éticos para esses procedimentos, como validação científica, minimização de riscos e consentimento informado. Como não existe evidência robusta que comprove segurança e eficácia, considera-se eticamente inadequado recomendar ou realizar essas cirurgias.

Respeitar a autonomia da paciente é essencial, mas decisões sobre cirurgias genitais estéticas devem ser tomadas com informação clara, considerando que esses procedimentos não são clinicamente necessários, apresentam altos riscos e podem ser influenciados por padrões irreais impostos pela mídia. É fundamental diferenciar cirurgias reconstrutivas de intervenções puramente estéticas e avaliar riscos físicos e psicológicos, incluindo condições como transtorno dismórfico corporal, que exigem suporte em saúde mental. Além disso, realizar esses procedimentos em adolescentes levanta preocupações éticas adicionais, como maturidade emocional, consentimento informado e impacto a longo prazo.

Em suma, recomenda-se aconselhamento adequado, educação sobre a diversidade anatômica normal e avaliação individualizada, especialmente em casos de adolescentes ou pacientes com questões psicológicas. O marketing deve ser transparente e não induzir falsas expectativas, e profissionais devem ter treinamento específico. Diante da falta de comprovação científica, organizações como FIGO, ACOG, RCOG e SOGC consideram eticamente inadequado recomendar ou realizar tais procedimentos.